Crítica | Battle Creek 1x03 – Man’s Best Friend

Muito genial ou simplesmente um fracasso?


Sim! Mais uma vez nos reunimos para discutir os acontecimentos em Battle Creek! E embora Man’s Best Friend tenha tido uma melhora – alcançando os novos padrões superbaixos que eu criei para a série – a série ainda tem um longo caminho a percorrer para assegurar uma temporada completa ou até mesmo uma renovação.


Mas antes de me aprofundar no que aconteceu no episódio, eu gostaria de compartilhar com vocês uma teoria. Afinal, todo bom fã de séries adora criar teorias sobre o que assiste. E embora a minha teoria sobre Battle Creek possa estar (provavelmente esteja) errada, vou compartilhá-la com vocês mesmo assim. Assim, poderei receber as avaliações de vocês sobre a minha teoria, saber se vocês concordam, discordam, ou se vocês têm as suas próprias teorias.


É um fato de que Battle Creek não tem nos apresentado o que nós esperávamos. Só depois que desconstruímos qualquer expectativa de qualidade que veio associada aos nomes de Gilligan e Shore é que pudemos aproveitar (um pouco!) a série. E ao tentar conciliar a genialidade excêntrica desses dois com o que vimos até aqui, algo não se encaixava. Até que eu percebi que, a cidade que eles apresentam também não coresponde. Então me ocorreu: e se a cidade de Battle Creek também for um “personagem”? E se o que vemos como fracassos e decepções, sem contar com os casos ridículos (como o do Maple Syrup na semana passada ¬¬...), for na verdade a maneira de situar a série? Nesta semana começamos a ver que a necessidade de Russ de confiar em Milt para poder trabalhar com ele nos levará a uma busca para saber o motivo que levou Milt a ser punido com o trabalho em Battle Creek. E se essa mediocridade for parte do cenário, um auxílio na construção da personalidade dos personagens? Não faz muito sentido (eu sei!), mas tinha que compartilhar minha teoria com vocês. Afinal, mesmo que pareça só uma explicação longa e enganosa na tentativa de negar o óbvio – a série é uma droga! – não custa imaginar um pouco...


Aguardo as opiniões de vocês. E agora, depois desse momento teoria, vamos aos detalhes do episódio.


O começo do episódio foi muito mais satisfatório do que eu esperava. Não por ter reforçado – ênfase no “forçado” – a dicotomia entre os recursos do FBI e a falta deles na BCPD, mas porque a coisa do “The Big Bad Wolf is a metaphor to...” combinada com o close no rosto de Milt traduz, com uma ironia leve e não tão forçada assim, a visão que Russ tem de Milt.


E embora eu tenha achado aquela menininha super insuportável do começo ao fim, as tramas que aconteceram ao redor foram muito boas. Se você remove a criança insuportável, de cara você já tem uma quote excelente:




“ – Is that what I think it is? (Font)
– It’s not Cocaine. (Russ)
– Thans God! (Font)
– It’s Heroine. (Russ)”



E o close em Cookie depois foi realmente genial, já que ela não estava atacando a garota, e sim, cumprindo o seu treinamento policial.


Outra coisa que gostei muito foram as cenas com Erin. Russ mandar ela para “coletar informações” sobre Milt já era esperado, mas a sacada sobre o tick quando se mente foi muito bem aplicada. E a tenente querer saber o que ela tinha descoberto ao invés de reclamar? Hilário.


E como se isso não bastasse, tivemos Holly reinando no episódio. Primeiro a dica sobre a agente social como forma de checar a casa da menina, depois a descoberta de que a heroina na verdade era parte das evidências, literalmente resolvendo o caso, foi simplesmente perfeito. Ela é uma personagem que merece um certo desenvolvimento.


E saber que Milt mentiu sem o tick pode indicar alguma patologia, talvez algo que vamos ver até o fim da temporada...


E para terminar, aquela cena no carro, entre a menina e o tio, só eu senti um tom de violência sexual? Não sei vocês, mas eu não tenho nenhum parente que, caso eu encontrasse em posse daquela quantidade de drogas, eu decidiria ir para a cadeia no lugar dele. A devoção da garota com o tio me pareceu bem mais Síndrome de Estocolmo do que simples afeto familiar.


Bom, é isso. A série parece começar – a passos muito curtos – a caminhar em direção a uma melhora. Resta agora esperar, teorizar e ver o que acontece.

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