Crítica | Battle Creek 1x02 – Syruptitious


“Kiss my tiny little ass, Russ!”



Outro dia começou em Michigan, e temos mais um episódio de Battle Creek para comentar. Em “Syruptitious” somos surpreendidos com um caso incomum, uma máfia incomum, e é claro um pouco mais do mesmo. Mas vamos lá.


Na verdade, primeiro eu quero deixar claro que a verdade é que a série não está sendo nada do que era esperado, especialmente quando consideramos os nomes envolvidos. Eu espero pelo crescimento da série, e pretendo continuar acompanhando, afinal, uma temporada nunca matou ninguém (exceto pelo cara morto no caso da semana, mas isso não vem ao caso... hahaha).


A relutância de Russ em trabalhar com Milt não é nenhuma surpresa. É o clássico desse tipo de produção. Dois tiras que não se dão bem, mas conseguem resolver crimes juntos e são forçados a aprender a conviver um com o outro por causa disso.


Entretanto, embora esteja me incomodando que eles não tenham se dado ao trabalho de usar as fórmulas antigas que levaram ao sucesso deles, Shore e Gilligan me surpreenderam com uma legista anã. Não me entendam mal, acho que toda e qualquer apresentação de integração – ela tem todo o necrotério adaptado – é válida, mas não é comum ver um personagem que apresente essa bandeira e que, ao mesmo tempo, chegue jogando humor negro sem perder a dignidade ou ter que fazer de si mesmo a piada para ter efeito.


E sinto muito, mas um Cartel de Maple Syrup?! Come On! Vocês conseguem fazer alívios cômicos melhores! Se você nos presenteou com oito anos de House e este é o seu melhor uso do humor negro, realmente o mundo está perto do fim. Ah, e posso dizer que já vi de tudo quando o dinheiro e equipamento do FBI é usado para fabricar Maple Syrup. Adorei a comparação com a produção de metanfetamina, mas nós sabemos que Breaking Bad também foi obra de vocês; Não precisa jogar isso nas nossas caras.


MAS, não tivemos unicamente lados negativos. Enquanto Russ e Milt cozinham seu próprio estoque de Maple Syrup hi-tech, Font teve problemas com seu fornecedor de maconha medicinal, e foi bom não só abordar o tema, mas também dar a oportunidade do personagem se desenvolver. Afinal, antes da chegada de Milt, era provavelmente Font quem acompanhava Russ, e manter esse espaço de cena do personagem e continuar o aprofundando é algo positivo, e de quebra, ajuda a tirar a atenção do que não estamos gostando de ver.


Nesse meio tempo, inverter os papéis, fazer Milt questionar o que faz de Russ quem ele é foi interessante. Especialmente por não ser algo que realmente combine com a personalidade de Milt. Todo aquele discurso sobre confiar nas pessoas é contradito ao questionar diretamente o outro sobre os motivos dele.


E ainda nas coisas boas, mostrar a corrupção e o favorecimento – típico de cidades pequenas – do juiz com o “mafioso” (não consigo realmente usar esta palavra sem aspas para alguém que trafica xarope ¬¬) foi uma observação legal.


No geral, é isso. A audiência não vai bem, mas eu continuo a acreditar que a série tem potencial. Só acho que está na hora de provarem isso.

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