Crítica | The Americans 3x09 – Do Mail Robots Dream of Electric Sheep?


“Vocês devem confiar na Organização.” – Gabriel



Nesta semana, a mensagem foi clara em “The Americans”: confie desconfiando. A afirmação de Gabriel para seus subordinados Elizabeth e Phillip implica que o casal deve confiar em seus superiores porque não têm escolha. Tal lógica se aplica a Clark em relação a Martha, a Martha em relação a Clark, a Stan em relação a Oleg, a Zinaida em relação a Stan, a Gabriel em relação a Phillip, etc, etc. Todos estão desconfortáveis, e é maravilhoso que o show, a essa altura, nos deixa também no escuro, pois, excetuando o casal Jennings e Beeman, não sabemos exatamente quais são as intenções por trás das ações dos personagens.


Porém, nem todos estão escondendo suas motivações. Hans foi sumariamente dispensado por Liz porque Todd poderia identificá-lo e pôr em risco o disfarce dela. O jovem aprendiz de espião provou que fará qualquer coisa pela causa e por Elizabeth. O brutal e um tanto atrapalhado assassinato de Todd mostrou que determinação ele tem de sobra para cumprir o prometido.


Não se pode medir a determinação da Martha em continuar ajudando Clark, agora que ela sabe claramente que ele está espionado Gaad sem compromissos com o FBI. Toda a sequência do jantar foi de uma tensão impressionante, parecia que ela estava prestes a jogar Clark em uma armadilha. A postura fria e distante e a desistência em adotar uma criança são indícios de que a página virou mesmo, mas foi aquela aonde estavam impressos o amor e confiança cegos que ela tinha pelo marido.


Mas há uma página que (ainda bem) não virou em “The Americans”: a tentativa de Oleg e Stan de resgatar Nina. Desta vez, ambos arquitetaram um plano para fazer Zinaida revelar que é uma espiã russa, e não uma desertora do Kremlin. Stan teve que confiar em Oleg quando esse disse que a russa não contou nada, mas nós não vimos toda a conversa no quarto dela e, portanto, ficamos sem saber se os dois russos estão mentindo para Stan. Só sabemos que Stan está traindo a confiança de Zinaida, tal como Nina um dia fez com ele.


Traição talvez não fosse o termo correto para descrever o que aconteceu naquele escritório da oficina que consertava o carteiro robô. Phill e Elizabeth, ao anoitecer, foram instalar um bug no equipamento danificado por Gaad. Ambos não esperavam que a proprietária (cujo nome não foi mencionado no episódio e, por isso, chamarei de sra. Gil) aparecesse e seria arriscado demais mantê-la viva. Daí em diante, a série entregou um momento emocionante, com a conquista da confiança da sra. Gil por Elizabeth, vimos a idosa contando fatos de sua vida familiar, de seu casamento e do amor pelo marido, acompanhamos a epifania dela ao perceber que seria morta pela russa e, por fim, a indução de uma morte lenta e agoniante (a qual a espiã assistiu e ficou abalada). Não sem antes a sra. Gil atirar em Elizabeth uma dolorosa verdade: a russa justifica seus crimes com o propósito de lutar por um mundo melhor, mas, como a idosa disse, isso é o que pessoas más dizem quando fazem coisas más.


Um dos aspectos mais interessantes nessa série é que não há espaço para o maniqueísmo. Seus personagens acreditam que estão no caminho certo, e é assim que Elizabeth é mostrada: mãe, esposa e assassina, mas tudo por um mundo melhor. Isso faz lembrar-nos de Hans, que, no começo do episódio, contou à Elizabeth que quer lutar porque não se conforma com a violência do apartheid. É isso que uma guerra faz com as pessoas.


E para finalizar, eis que uma guerra foi declarada neste episódio: Phillip não mais confia em Gabriel (você confiaria?) e agora seu trabalho é cuidar da sua família. Estou torcendo para que ele não lute sozinho, e você?


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