Crítica | The Americans 3x08 – Divestment


“Ser casado e estar em guerra nem sempre combinam.” – Ncgobo



A afirmação do sul-africano Ncgobo para Phillip não poderia ser mais apropriada nessa semana em “The Americans”, especialmente no frágil casamento entre Clark e Martha. A secretária de Gaad continua apavorada com as consequências da descoberta do bug, vê colegas de escritório serem interrogados pelo agente-corregedor e luta para não levantar suspeitas.


Taffet corretamente desconfia de todos, desde o agente novato Alderholt, cuja ascensão heróica e a caneta Mont Blanc não deixaram de ser notados, até o próprio Gaad, sutilmente acusado de negligência. Essa acusação deixou o chefe de Martha tão desconcertado que ele perdeu o controle com o carteiro robô. Martha e seus colegas de FBI sabem que as consequências para o culpado vão ser duras e Taffet não sairá dali sem um acusado.


Isso explica o desespero dela em querer saber, afinal, quem é aquele príncipe encantado que a colocou nessa situação crítica. À pergunta “quem é você” da esposa, Clark deu todas as respostas que ela queria ouvir e jurou que não estava mentindo, embora suas mentiras para Martha ha muito tempo se transformaram numa bola de neve, só aumentando de tamanho. A guerra na qual Phillip luta não poupará esse casamento.


Nós é que não estamos sendo poupados de assistir a cenas chocantes em alguns episódios dessa temporada: primeiro foi a compactação do corpo de Annelise, depois a extração de um molar de Elizabeth a sangue frio e agora o assassinato brutal de Eugene Venter, queimado vivo. Não considero isso sadismo puro e simples, como mostrado em lamentáveis filmes recentes do chamado “cine-tortura”, mais interessado em divertir plateias de poucos neurônios e muita testosterona.


“The Americans” retrata uma guerra real, que aconteceu de verdade e vitimou muita gente de formas tão ou mais terríveis do que as de Annelise e Venter. Além disso, seus combatentes tiveram que lidar com dores de verdade, mais até do que tratamento dentário caseiro, certamente. Assim, acho louvável essa série mostrar a crueldade de uma guerra sem transformar isso em um espetáculo. As cenas são incômodas, não sádicas. E você, o que pensa dessas cenas?


A morte de Venter foi o ponto alto de todo o plot iniciado no final do episódio passado, quando o casal Jennings e Ncgobo o sequestraram e levaram junto Todd, um jovem sul-africano colaborador de Venter. Ambos pretendiam fazer operações terroristas em solo americano e culpar os ativistas anti-apartheid dos EUA. Além disso, Todd atraiu Ncgobo para ser morto por Venter. A intervenção dos Jennings frustrou esse plano. Ncgobo queria matar Todd também, mas foi impedido por Liz, que assegurou que o jovem não poderia identifica-los. (não os Jennings, mas talvez Hans, que o vigiava dentro de um campus universitário, alguns episódios atrás, lembra-se?). Phill ainda insistiu que ele era “apenas um garoto” e por isso, não teria coragem para cometer um atentado a bomba ordenado por Venter. Tenho a sensação de que, desta vez, os Jennings erraram.


Phillip lembrou que Todd é apenas um garoto, como seus filhos Misha e Paige. Mas os três, juntamente com Hans e Kimberly, são todos jovens que, de uma forma ou de outra, estão sendo empurrados para uma guerra que eles não começaram, mas podem perder suas vidas por ela. A forma como retrata uma guerra suja que destrói casamentos, famílias e juventudes é, sem dúvida, o maior mérito de “The Americans”.


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P.S.1: Nina vai ter trabalho duríssimo com Baklanov. Oleg tem um aliado em Arkady.


P.S.2: Por que ninguém no lar dos Jennings nunca sabe onde está ou o que está fazendo o Henry?


P.S.3: Em uma cena, é mostrado ao fundo um calendário do ano de 1983.

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