Crítica | The Americans 3x07 – Walter Taffet


“Estamos em lados opostos o tempo todo.” – Phillip



Phillip e Elizabeth parecem E.U.A. e U.R.S.S. travando uma guerra pelo planeta, mas no lar dos Jennings esse “planeta” se chama Paige. Da mesma forma que as duas nações mais poderosas daquela época buscavam conquistar outros povos com armas ou apoio político, o casal Jennings tenta conquistar, cada um a seu modo, a própria filha com acompanhamentos, discos, confidências e até uma pizza. No momento, o placar parece estar 2 X 0 para Liz, que conseguiu maior simpatia dela desde que passou a acompanha-lá no eventos da Reed Church, a igreja que Paige frequenta. Agora, resolveu contar sobre o engajamento do casal em questões humanitárias, algo que interessa muito a garota. Phill, por outro lado, começa a perceber que o aliciamento de Paige será inevitável, embora não aceite que sua esposa o exclua desse processo. Vimos aqui o quanto Phill ficou magoado por saber, através da filha, que Liz começou a revelar segredos do casal sem avisá-lo.


Elizabeth começou por um segredo light: ela e Phillip já foram ativistas pelos direitos civis dos negros americanos (mas nós sabemos o quanto isso tem de verdadeiro). Interessante que Paige revela surpresa por ter visto guetos de negros na sofisticada Washington DC. O roteiro do episódio traça um sutil paralelo entre os guetos dos E.U.A., “terra da liberdade”, e da África do Sul, sob domínio do apartheid, mostrando que a condição dos negros não é muito diferente entre ambos os países.


Mas um negro tem se destacado bem nos escritórios do FBI. O agente Alderholt deixa Stan intrigado com tantas perguntas. Mas não estaria Alderholt intrigado com Beeman? A descoberta do bug na caneta de Gaad deve colocar mais minhocas na cabeça do novo agente, que, como seus colegas, não parecem desconfiar de Martha. Vamos esperar pelas investigações do tal Walter Taffet, uma espécie de corregedor do bureau. Aposto algumas fichas que Stan começará a desconfiar de Zinaida, enquanto Alderholt desconfiará do colega.


A secretária de Gaad se livrou a tempo do receptor do bug, mas não do temor de ser descoberta. Mesmo amedrontada, ela teve frieza para destruir o aparelhinho. Resta agora saber se ela vai ter igual frieza para investigar melhor a vida do seu misterioso marido. Penso que ela está disposta a isso, já que pediu para conhecer o apartamento dele e não contou (ainda) o que aconteceu no escritório. Parece que as mulheres de Phillip/ Clark andam escondendo muitas coisas importantes dele.


Frieza, perícia, coragem e perucas foram o que o casal Jennings precisou para capturar Eduard Venter e Todd, ambos da Inteligência Sul-africana, que planejavam espalhar o terror e culpar os manifestantes anti-apartheid americanos. O casal Jennings, ao proteger Ncgobo, um destacado ativista contra esse regime, estava lutando pelos direitos civis de negros de alguma forma, embora saibamos que a mãe Rússia estava por trás disso, mais interessada em tumultuar o apoio que Reagan deu ao governo sul-africano. A sequência final mostrou uma das marcas registradas da série, a perfeita sincronia de ação do casal Jennings no cumprimento de uma missão. Pensando bem, quando se trata de fazerem seu “trabalho”, os Jennings não estão em lados opostos de jeito nenhum!


Comente conosco esse ótimo episódio dirigido pelo Noah Emmerich. Até a próxima semana!

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