Suits 4x12 – Respect | Crítica

O orgulho de Louis está ficando cada vez mais rente ao chão.


A crista exibida no episódio anterior foi reduzida à birra de uma criança pelo brinquedo do coleguinha. Uma pena o brinquedo de Louis não ser um objeto. Respeito, como sugere o título do episódio, é o que está em jogo. O nome na parede nada vale se não vem acompanhado disso. E sendo Louis um apaixonado pela ética, temo que ele nunca fique orgulhoso pelo modo como conseguiu esse nome na parede. Em vez de ser o troféu há muito cobiçado, hoje ele pode significar de maneira evidente o que Louis ainda não conseguiu obter: respeito.


Foi bonito e necessário o sermão de Donna, que está mostrando que amigos de verdade sabem te puxar no cantinho e dizer em que você tá errando feio, errando rude. Foi bonita e necessária a atitude de Rachel, que com calma mostrou como adultos se portam dentro do trabalho.


O ciclo birrento de Louis parece estar sendo amenizado como narrativa. Mas o clima entre Jessica e Jeff parece estar sendo preparado para a revelação bomba de mais uma mentira. Sinceramente, espero que isso chegue logo. E acredito que ainda veremos mais disso neste fim de temporada. Só desejo que o Jeff fique bem magoado a ponto de desistir de trabalhar na Pearson Specter Litt. Eu não acho possível que ele aceite mais uma desculpa vindo de Jessica, já que novamente ela colocou a empresa acima do romance, de Jeff.


Já Harvey conseguiu fechar um ciclo importante para si. Sua relação de dívida com Henry Gerard, aparentemente, foi resolvida. Assim como Louis sempre buscou o respeito de Harvey, Harvey sempre buscou o respeito do professor Gerard. Apesar de não ter ficado explícito, acho que Harvey conseguiu finalmente o seu intento quando mostrou ao professor que não iria cometer perjúrio por ele, coisa que aos olhos de Gerard seria normal vindo de Harvey. Esse episódio trouxe lições de humildade para Gerard, Harvey e Louis: Louis pediu – daquele jeito – ajuda a Rachel, Gerard pediu ajuda a Harvey e Harvey ajudou Gerard. Assim, são três personagens que ganham mais desenvolvimento psicológico e que podem se movimentar na narrativa, ganhar maturidade.


Preocupa-me, entretanto, mais uma vez Suits deixar outro personagem em posse do segredo de Mike, que agora e mais do que nunca é compartilhado por muitos. Não sei até onde os roteiristas vão com esse segredo e isso muito me aflige. Primeiro porque legalmente não existe saída para a fraude. Segundo porque se inventarem uma saída para isso vai soar deus ex machina em demasia. Espero que Suits não aposte em resoluções fáceis, mesmo com Harvey e Mike – duas mentes brilhantes – para ajudar nisso, e nem continue prologando esse drama que não deixa a narrativa evoluir. É um desafio e tanto para Aaron Korsh e sua equipe e só desejar que alguma coisa seja feita logo, pois quatro temporadas em torno de um único segredo me parece arriscado.


Outro aspecto relevante do episódio foi mostrar de maneira singela a amizade que Harvey nutre por Mike, a seu modo. Com pequenos gestos ele se mostra mais à vontade em confiar à Mike parte do que passa por sua cabeça e por seu coração. Harvey é um homem solitário, assim como Jéssica – mesmo agora namorando Jeff ela ainda está presa à solidão que é colocar os interesses da firma à frente de sua vida pessoal –, e mais do que nunca ele está percebendo que o Mike é um aliado e um amigo, assim como Donna. Não me admira que ele se submeta a tanto para mantê-lo a salvo e por perto. Eles são um time. E a hierarquia deve ser amenizada para o espírito de equipe permanecer. O que Louis ainda precisa aprender (Donna <3).

Patreon de O Vértice