Crítica | Scandal 4x13 – No More Blood


“Do you speak Farsi?”



“No More Blood” nos levou para o exato momento em que “Gladiators Don’t Run” parou. Olivia foi finalmente vendida e seríamos apresentados ao comprador. Após o fim do episódio da semana passada, fui ler alguns textos e teorias de algumas pessoas sobre quem seria afinal essa pessoa... Fiquei feliz de ser surpreendido pelo fato de que era realmente o Irã, ou aparentou ser. Mais uma vez, fomos apresentados à Olivia demonstrando que sabe cuidar de si, desfazendo um acordo com algumas frases bem escolhidas. Olivia Pope é, provavelmente, a maior prova no mundo de que palavras são realmente a melhor arma. Mais uma vez devo aplaudir Kerry. Aquele sorriso torto enquanto corria para o carro foi a cereja em cima do bolo.




“No More Blood. I promise.”



Continuando os acontecimentos de semana passada, tivemos mais uma vez uma demonstração do que é a presença de Olivia na vida dos seus amigos, “gladiators”, empregados, etc. O relacionamento Huck-Quinn-Jake tem se mostrado eficiente e bonito de ver. Pensar em tudo que os três tiveram que suportar na vida deles e a forma como cada um deles lida com experiências similares de formas completamente distintas é, ao mesmo tempo que simplista, profundo e real. O autocontrole do Jake, a dependência do Huck e o sentimento da Quinn unidos formaram uma equipe muito interessante. Espero ver os três trabalhando mais juntos daqui pra frente. Ainda nessa linha de raciocínio, devo dizer que esperava mais do Jake do que simplesmente ir falar com o Rowan (aliás, apesar de ser representado por um ótimo ator, achei a participação dele nesse episódio muito forçada e desnecessária). Tudo pelo que ele já passou e a grande saída do pai da Olivia não foram suficientes para demonstrar que o ego dele faria ele não ajudar? Menção honrosa à Mama Pope pela facilidade que ela teve de, mesmo presa, achar um homem que todos procuraram por séculos sem sucesso. Clap, clap, clap.




“You got to love Washington.”



Finalmente, tivemos um fim para o plot do Andrew. Para falar a verdade, nunca gostei do personagem. Seja como amante da Mellie (talvez seja o machista em mim) ou como vilão, sempre achei que ele estava se impondo num lugar onde ele nunca pertenceu. Passar por cima de Mellie Grant e Olivia Pope ao mesmo tempo é complicado. Acredito que o ponto crítico para ele foram as pessoas que ele tinha que superar para conseguir o que ele queria. O diálogo que ele tem com a Mellie no começo do episódio, em outra linda atuação da Bellamy, serviu para carimbar o que todos já sabíamos. Andrew é, e sempre será, um perdedor. Ele não foi o único a tentar se tornar Presidente por meios ilegais, claro, e não estou defendendo o Fitz, mas (como a Mellie disse) tem horas que devemos saber que chegamos no pico da montanha, no ponto mais alto que vamos conseguir voar.




“Oh, you have to try the cucumber sandwiches. They are delicious.”



A frieza da Primeira Dama para lidar com o que precisa ser feito e o que precisa ser dito comprova o que eu venho dizendo há um tempo. Mellie tem muito mais preparo emocional, físico e psíquico para ser Presidente do que Fitz um dia sonharia em ter. Além de ter mais vontade e ser mais inteligente. Espero que tenhamos um vislumbre disso antes de a série acabar. A solução que ela e Elizabeth encontraram para finalizar a ameaça que Andrew era foi meio cruel e fria, sim, mas ele foi “avisado” de que isso aconteceria. Ele disse que não iria desistir, ofereceram uma saída para ele, e ele ainda assim continuou desafiando as pessoas mais poderosas no mundo. O destino dele, todos vimos.




“We stop the beating heart. (...) We may need to neutralize the asset.”



Decepção define o que eu senti pelo Cyrus neste episódio. Apesar de concordar com o fato de que ele estava fazendo o que era melhor para o país, não consigo parar de pensar no fato de que a Olivia não faria isso. Acho difícil de acreditar que ela conseguiria fazer o mesmo se eles estivessem em papéis opostos. Abby, mais uma vez, brilhou no episódio. Ao perceber tudo que estava acontecendo de longe (mesmo tendo sido jogada para escanteio), acredito que o único erro dela foi ter ido confrontar o Cyrus. Se ela tivesse ido direto no Fitz, talvez isso tudo não teria acontecido. Mas, ao mesmo tempo, gostei de como ela lidou com a situação e deu uma de Olivia Pope. A vontade da Abby de saber se a amiga estava viva ou não foi algo determinante neste episódio. Devo dizer que não esperava que a Abby fosse capaz de fazer tudo que ela fez. Não porque ela não tinha aquilo dentro dela, mas não imaginava que ela teria o tipo de recurso necessário. Esperava algo desse tipo vindo do Cyrus (antes desse episódio), mas nunca achei que ela tivesse poder para algo tão grande. Finalmente chegamos na “Abby’s Season”. O crescimento da personagem tem sido lento, sutil, mas significante.




“This isn’t a high-school soccer match. There are no ties.”



Adoro como em Scandal até sequestradores são super inteligentes. A leitura que Gus fez do comportamento da Olivia foi absurda, e gerou um pouco mais de momento de tensão, mas só. A tentativa desesperada de fuga da Olivia também só serviu para demonstrar que ele estava realmente certo sobre para quem vendê-la. Ele só não sabia que não importava mais. Ele perderia para qualquer uma das escolhas. A vingança da Olivia ao atirar nele e depois chutar o corpo dele caído no chão deu um toque de realismo no resgate dela, mostrando que Olivia, no fim do dia, não é só um monte de palavras bem pensadas. Estou ansioso para ver o que essa experiência toda vai causar nela daqui pra frente.




“There are worse things than rape.”



Esperei tanto por essa cena que agora que ela chegou eu não sei o que dizer. Olho para o teclado e não sei o que escrever. Já vi e revi algumas vezes, e eu só consigo dizer que a Olivia jogou na cara dele tudo que eu sinto desde que ele começou a falar que queria largar tudo e viver com ela fazendo geleia numa casinha no campo. Sinceramente, WTF! Que filho da puta. A mulher faz de tudo e mais um pouco por ele por anos e o cara só consegue querer fazer com que tudo que ela fez não valha nada... A apresentação explosiva e emocionante da Kerry simplesmente tirou todo o ar dos meus pulmões, e por alguns segundos eu só consegui olhar para a tela em choque. Não esperava que isso fosse acontecer aqui, mas foi muito bem colocado. Ela jogar o anel nele no final e trancar todas as traves da porta quando ele saiu foram, para mim, o simbolismo de que dessa vez Vermont acabou, e acabou de vez. Espero que tenhamos menos caras de cachorro molhado do Fitz e mais amadurecimento daqui pra frente. O homem tem duas mulheres maravilhosas fazendo tudo por ele e simplesmente quer jogar tudo para o alto. Depois me perguntam por que odeio esse personagem. Pior personagem da série, com certeza.


Por fim, gostaria de dizer que estou feliz que esse plot do sequestro dela acabou. Parece que foi criado somente para dar desculpas para acabar com o relacionamento da Olivia com o Fitz. Apesar de ter criado cenas ótimas e ter levantado o nível da série absurdamente, achei que colocaram algumas coisas desnecessárias. Se foram introduzidas para finalizar Olitz, porém, fico feliz que isso aconteceu.


P.S.: Quero o sistema de segurança dela pra ontem.


P.S.2: Queria mais uma vez reconhecer o trabalho desse pessoal que escreve Scandal. Além de conseguir criar uma trama dessas, eles parecem ter um conhecimento amplo de um mundo que eu nem sabia que existia. Se as coisas são ou não como são retratadas por esse tipo de série, eu não sei. Mas que elas fazem crescer em você a necessidade de conhecer mais de política, elas fazem.


P.S.3: “Gladiators, what is that?” RI DEMAIS.

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