Crítica | Parks & Recreation 7x08/09 – Ms. Ludgate-Dwyer Goes to Washington/Pie-Mary

Preparando o final...


É difícil deixar a ficha cair de que a série está em seu final, principalmente porque seus personagens tão distintos uns dos outros são muito fáceis de se apegar. Mas, nesse episódio, acho que meu coração partiu um pouco mais, pois está cada vez mais claro que eles estão preparando tudo para o fim, e para que esse fim não seja afobado, como é de costume se ver.


Logo no começo, quando aparece o Andy vestindo a camiseta do MouseRat, comecei a questionar muitas coisas em relação à série, como por exemplo: haverá mais uma apresentação do Andy antes do fim? Vamos ver Ron interagindo com sua família mais uma vez? Mas acho que, mesmo que não haja essas coisas, os episódios têm sido inteligentes e engraçados, de forma a montar aos poucos o destino de cada personagem. Ou seja, termos, de qualquer maneira, um final digno que compensará algumas eventuais coisas que talvez gostaríamos de ver de novo.


É extremamente importante abordar o futuro da April, pois não é tão previsível o que vai acontecer com ela, já que nem ela mesma teve certeza ou quis saber o que queria de verdade em algum momento. Mas essa visão de não planejar nada mudou desde o episódio que inicia 2017. Então, Ben, Andy e Ron decidiram ajudá-la nessa busca para descobrir o emprego ideal para ela.


O começo dessa jornada aconteceu na empresa de Ron, a Very Good, onde descobrimos que ele tem irmãos que são quase iguais a ele (a participação da Tatiana Maslani na temporada passada deve ter causado esse impacto). Mas foi bem fácil descobrir que aquilo não combina com a April. Por causa disso, eles partiram para outra empresa. Dessa vez, eles foram para o local onde Ben trabalhava, e todos acreditavam que ali é o lugar ideal para ela.


Enquanto isso, April foi para Washington com a Leslie e tentou encontrar uma forma de dizer que não quer mais trabalhar para o governo, mas isso se dificultou quando Leslie vestiu e deu uma camiseta escrita “Gov Buds for Life”, além de colagens sobre a jornada de trabalho dela. Quando April finalmente contou que ambiciona trabalhar com algo que ela gosta, Leslie demorou, mas acabou aceitando e ajudando-a. Foi muito bem planejada a ideia de que o emprego ideal dela seria dizer o que os outros devem fazer sem ter que encontrá-los novamente. Quem diria que algo assim seria perfeito?


Já em Pie-Mary, destacou-se algo que é um dos fortes da série: a inversão de valores na pequena cidade de Pawnee. Dessa vez, vimos as mulheres se rebelando por Leslie trabalhar e criar seus filhos ao mesmo tempo, como se ela não fosse capaz de fazer isso, e os homens lutando pelos seus “direitos”, porque acreditavam que ela reprimia o direito de expressão de Ben. Uma loucura gerada por Leslie ter se recusado a participar do concurso de tortas com as esposas de políticos, o que poderia afetar a campanha de Ben. Por fim, eles deram um lindo discurso que acabou premiando Ben como Mulher do Ano, ao invés da Leslie. Claro, se ela tivesse ganhado não teria sido tão engraçado.


Por fim, os dois episódios foram tão bons que demorei a perceber a ausência de Tom, que está sendo ótima, porque, desde o episódio do casamento, isso abriu um espaço para mostrarem uma amizade inesperada entre Donna e Jerry/Garry/Larry (o nome que você achar melhor).


P.S.: Não poderia deixar de comentar que a melhor cena foi a que mostrou Andy com explosivos, vestido com uma máscara da April e gritando “USA” para que ela conseguisse o emprego.

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