Crítica | How to Get Away with Murder 1x13 – Mama’s Here Now


“God is the only judge” ou “Because sometimes you gotta do what you gotta do”.



Mais uma semana de extravagâncias em How to Get Away With Murder chegou. E se até aqui conhecer Annalise Keating foi espetacular, conhecer um lado mais completo e Anna Mae Harkness foi uma experiência singular.


“Mama’s Here Now” nos prometeu muito no trailer e, mais ainda, na anunciada presença de ninguém menos que Cicely Tyson – três vezes ganhadora do Emmy e indicada ao Oscar por Sounder (1972) – no papel de Ophelia, a mãe de Annalise/Anna Mae.


Pode parecer estranho para vocês que eu monte essa dualidade com os nomes na hora de escrever, já que a própria Annalise nos disse no episódio que devemos respeitar o nome que ela escolheu para si. Mas assim como no fim do episódio passado e em boa parte deste, vimos uma mulher diferente, frágil, atormentada por abusos sexuais e deus-sabe-o-que-mais. Essa é Anna Mae, que surge quando as luzes se apagam ou quando a carga da consciência pesa sobre ela, é o fantasma que vive dentro da mulher, advogada, professora... Dentro da mulher que, como uma força da natureza, não pode ser parada. Annalise Keating é a clássica girlpower que Shondaland preza por nos mostrar (vide Miranda “badass” Bailey).


E é exatamente por ser essa força que precisávamos desse confronto. Anna Mae jamais seria Anna Mae. Ela nasceu para ser Annalise Keating. Com uma mãe com ainda mais personalidade do que ela, não podia esperar menos. E a personagem já chegou destruindo com Bonnie e Frank nas primeiras linhas:




“ – Clients? Don’t you know a VIP when you see one? (Ophelia)
– VIP? (Bonnie)
– Your boss came out of my V and her daddy’s P, so show a little respect for her mama. (Ophelia).”



E falando com a filha ela também não pegou leve:




“What the hell are you talking about? ‘Respect the fact’ and ‘Honor your request’? Who the hell do you think you are, Oprah?”



Na verdade, não tiveram cenas em que ela tenha aparecido sem falas épicas como essas. Mas o que realmente fica, quer dizer, o que realmente acho que fez o papel que acredito que Ophelia foi inserida no episódio para desempenhar, que era chegar/alcançar a força de Anna Mae que estava soterrada pela tragédia e dor de Annalise, só chega até nós na última cena delas juntas. Elas brigaram no episódio inteiro, discutindo visões e papeis da mulher e as origens de Anna Mae/Annalise, mas quando a cena final das duas chega, ela fala para todos nós. Cada um tem a sua visão, mas acho que mesmo quem não goste da série ficaria emocionado com o que ela disse. É uma quote longa, mas eu não podia deixar de fora:




“I bought that house in Peachtree when I was pregnant with you. I was so proud of that house… Wasn’t much, but it was mine. Build a porch swing and tended a little garden which was just at front. […] In one winter, uncle Clyde came by and said he needed a place to stay. […] One day I woke up in the middle of the night… I didn’t know what it was, I just woke up. I walked down the hall to check up on you, and Clyde… He came out of your room and I knew what he’d done. […] Then one night, not too long after, he felt asleep in the couch, drunk as a skunk, that cigarette hanging out of his mouth. I got you and your brothers and sisters out of bed and we went over to your aunt Mabel to sleep. That night, that house that I loved so much burned to the ground, and your uncle Clyde burned right with it. I know you’ve been torturing yourself about what is going on over here, baby. Maybe you did something real bad, I don’t know. And I don’t care if you did. I know, if you did, you had your reasons. Because sometimes you gotta do what you gotta do. Even if all you have is a long match and a very flammable hooch.”



E embora essa quote possa definir tudo o que aconteceu neste núcleo do episódio, não chega nem perto de representar o que aconteceu nas outras tramas. E sendo o último episódio antes da Season Finale dupla, muita coisa tem que ser tratada.


Eu vou começar por Nate, porque eu estava revendo Orange Is the New Black pouco antes de assistir “Mama’s Here Now”, e além de raros, trocadilhos como esse são impagáveis de tão bons. Dá para imaginar o quanto não é difícil para um ex-detetive, que pode ter sido responsável pela prisão de um ou dois dos detentos, acabar no meio deles. A rotina de ingresso nos presídios americanos sempre foi famosa por ser “rigorosa”, e não fomos poupados disso, o que agrava mais a situação em que vemos Nate. E é claro que Annalise não deixa nada ao acaso, e vimos isso quando ela deixou um recadinho com ele no fim do episódio.


E não podemos esquecer de que, num momento em que esperávamos que não veríamos um caso da semana, Bonnie decidiu que tentaria ser uma versão lite de Annalise aceitando o caso de uma enfermeira que foi acusada de estuprar um paciente. Achei interessante trazer a temática do estupro cometido por mulheres, que, assim como a mãe de Annalise, a maioria das pessoas acha que é uma situação improvável, incoerente ou até impossível. Foi também um caso forte, o que fez Bonnie duvidar muito dela mesma. Na verdade, ela se vê muito à sombra de Annalise, tentando andar nos saltos dela, tentando ser como ela foi suficiente... tudo para mostrar que, mesmo que tenha um pouco da fibra e do estilo Keating, ela ainda se ressente das coisas e das opiniões demais – um exemplo disso é ela estar ressentida com Frank e o resto da turma por ela ter sido a última a ficar sabendo o que realmente aconteceu nos eventos da morte de Sam – para atingir seu potencial máximo.


Enquanto isso, Rebecca continuou se provando mais escorregadia que sabão – com a coisa do “wet” de Rudy eu não resisti ao clichê, hahaha – e mentiu descaradamente quando foi chamada para depor sobre seu envolvimento com Nate. E, como se isso não bastasse, depois de obcecar um pouco com Rudy, e com a ajuda de uma Laurel multi-utilidades – quando ela sacou aquela identidade falsa eu mal pude acreditar! Decididamente ela é a personagem que mais “cresceu” nas tramas – Wes conseguiu rastrear Rudy, só para descobrir que ele está mais pirado do que era de se esperar. Mas mesmo com todo o dano, ao ver uma foto de Rebecca, ele repetiu incansavelmente a mesma palavra: “Wet”. E como os eventos da internação dele aconteceram na mesma noite do assassinato de Lila, a pergunta “Rebecca era culpada o tempo todo?!” fica pairando para a Season Finale.


Ah, e para terminar com algo leve esta review anormalmente longa – desculpem por isso, o episódio deu o que falar, fazer o quê? Hahaha –, eu não podia deixar um momento fofo de fora. Depois de todas as atribulações que o casal teve, e apesar do mundo não estar tão calmo lá fora para eles – como Ophelia nos lembrou, Hannah continua por aí “sulking around here with that ‘I smell something bad’ face.” –, Connor decidiu apresentar Oliver ao resto dos Keating Five. Sei que pode ter parecido só um momento filler da trama, mas criou um certo contraste que serve como alívio das tramas mais dramáticas.


Bom, é isso. Resta esperar para saber. Enquanto esperamos, o que vocês acharam do episódio? Quais são as suas teorias para a Season Finale? Quais são as suas teorias sobre Rebecca? Comentem!

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