Crítica | Better Call Saul 1x02 – Mijo

Segundo episódio mantém bom ritmo da série e mostra as habilidades de seu protagonista.


O plano seria perfeito se no final das contas eles não tivessem dado de cara com a avó de Tuco Salamanca. Pois é, o final do primeiro episódio da Better Call Saul nos levou diretamente para casa do já conhecido traficante (pra quem acompanhou Breaking Bad), que sabe resolver as coisas de maneira um tanto quanto peculiar. Os irmãos golpistas se deram muito mal, mas se não fosse o “melhor advogado do mundo”, eles com certeza neste momento já não fariam mais parte do mundo fictício da série.


“Mijo” é o título do segundo episódio desta primeira temporada, e, além de dar uma pequena amostra da habilidade do poder de barganha de Jimmy McGill, ofereceu cenas cheias de humor negro dignas de Breaking Bad. Slipping Jimmy (ou Jimmy Sabonete) faz parte de um passado não tão distante do personagem principal, na época em que aparentemente ele aplicava golpes para lucrar em sua cidade. Mas um pequeno deslize foi o suficiente para que ele retornasse, e provavelmente para ficar.


E pra quem estava com saudade das cenas rodadas no deserto, a melhor dos dois primeiros episódios aconteceu exatamente nele. Prisioneiro de Tuco junto aos gêmeos após tentar dar um golpe em sua avó, McGill mostrou que sua maior qualidade está em utilizar as palavras no momento exato e da maneira exata. O advogado soube conduzir a negociação com Tuco com a mesma habilidade que um grande músico tem para compor uma bela canção. O traficante ouviu o que queria ouvir e barganhou a vida dos irmãos.


Tuco gostou de ser o juiz e “apenas” quebrou uma perna de cada um como punição. “Isso é difícil, mas é justo”, disse Jimmy, enquanto apertava a mão do traficante para selar a sentença. Por um breve momento, ele ficou pensando sobre o acordo que acabava de fazer, e mesmo com duas vidas salvas, a violenta punição deixou o protagonista horrorizado e cheio de culpa.


E uma das melhores cenas deste episódio não precisou de nenhuma fala para funcionar muito bem. Tudo parecia bem no encontro entre McGill e uma desconhecida, acompanhados de uma interessante trilha sonora. Mas bastaram alguns estalos para que ele se lembrasse do último caso, e que seu estômago não estava acostumado com aquela crueldade.


A partir daí fomos novamente levados para a rotina de Jimmy McGill, e a repetição de seus “cruéis” dias de advogado honesto. Mas tudo é interrompido quando um dos amigos de Tuco chega ao seu escritório e lhe faz uma perigosa proposta, com boa remuneração. Claro que Jimmy não pensou duas vezes antes de recusá-la, mas ficou claro que os acontecimentos do final do último episódio vão levá-lo para um caminho sem volta.


Confesso que a nostalgia tomou com de mim por um breve momento naquela cena no deserto, mas logo retomei a atenção e percebi que estávamos em Better Call Saul. Mesmo com muitas semelhanças, o spin-off começa a moldar sua própria identidade, com um protagonista bem menos complexo e muito mais espontâneo do que o de BB. E não falo isso como uma crítica negativa, mas sim como uma qualidade que certamente irá continuar funcionando na série. A dinâmica entre os dois primeiros episódios funcionou muito bem, e a série por enquanto está num ritmo mais lento, mas com tudo muito bem pensado. Até a próxima!

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