Constantine 1x10 – Quid Pro Quo

Felix Fausto, sua velha raposa, até você por aqui?


Mais uma vez, Constantine chegou até nós com um episódio que nos dá mais razão para odiar a NBC pela sua falta de consideração com os fãs do que vem se provando uma excelente adaptação dos quadrinhos.


Algo que sempre gosto de fazer quando acompanho a primeira temporada de uma série é buscar por elementos que me assegurem que a série “encontrou seu ritmo”, marcas de que a série chegou a um ponto em que a dinâmica entre os personagens e as tramas se balanceia o suficiente para que a suspensão de descrença não seja gasta com essas pequenas coisas. Quid Pro Quo nos trouxe exatamente isso.


Já tínhamos nos aventurado pela vida de Zed/Mary e seus segredos e ligações com a Resurrection Crusade. Mesmo que só por relações e menções, sabemos o que aconteceu com John nos eventos de Newcastle. Mas o real mistério entre os personagens ainda se mantinha sendo Chas. Os leitores de Hellblazer não se surpreendem com muito do que a série aborda, mas, mesmo assim, podemos ser agraciados com boas adaptações. E antes que eu possa chegar à menção que fiz na frase que encabeça esta review, precisamos nos aventurar um pouquinho no caso da semana.


Não me entendam mal, não estou satisfeito com esse tom “Novos 52” que o episódio teve, mas, já que a série não será renovada, podemos ligar o nosso whatever e relaxar um pouco nos comentários.


Nesta semana, mergulhamos no passado de Chas. Conhecemos sua filha Geraldine e descobrimos como ele conseguiu algumas vidas extra. É claro que não poderia ser simplesmente uma viagem calma para conhecer a família de Chas, então roubo de almas tem que estar presente. Contra a vontade de Renee – maravilhosamente interpretada por Amanda Clayton –, ele procurou a ajuda de John para tentar salvar a alma da filha.


Sempre que temos uma conexão com almas de crianças sendo roubadas, Newcastle aparece no topo dos leitores de Hellblazer. E, não posso negar, no momento em que Fennel foi tomado/possuído, eu temi que a voz de Nergal estivesse se fazendo soar. É claro que a real explicação envolveu um dos inimigos da Liga da Justiça em pessoa: Felix Fausto. Até mesmo quem não lê o material da DC pode ter visto Felix aparecer nos desenhos da Liga, e tem que admitir que Mark Margolis – de quem a maioria deve se lembrar por sua participação em Breaking Bad (por sinal, #Aplausos! pela escolha) – fez uma atuação mais do que fantástica. A trama do banimento/morte do demônio Karabasan não passou de um filler, mas isso realmente não influenciou em muita coisa.


Zed tentar se conectar com a alma de Geraldine foi muito bom, e deu uma oportunidade maior de expandir um pouco a visão que temos da personagem, além da gama de poderes que ela pode ter. E ainda nos levou para uma cena realmente legal entre ela e John. Não existe nos quadrinhos muito desse cuidado que Matt Ryan mostrou ao deitar ao lado dela no final do episódio. E, antes que os outros fãs queiram arrancar a minha cabeça, sim, John e ela tiveram um envolvimento, que foi baseado numa relação física. O que John fez para impedir a consagração de Mary nos quadrinhos foi parte de seu acordo com Nergal. E sim, ele quis evitar que acontecesse algo que a garota não queria, mas não se pode negar que o físico, o sexual, sempre esteve mais presente no envolvimento dos dois do que real carinho.


Mas o real ponto alto do episódio foi Chas e seu truque com o tendão do calcanhar de Aquiles. Se explodir para levar Fausto direto para o inferno foi uma das mais épicas sacadas da série.


Bom, mas como chegamos ao final do texto, chegou a parte em que tenho que expressar algumas preocupações. Com apenas mais 3 episódios, e mesmo pensando que muito do que foi introduzido não será abordado – já nem espero mais por Newcastle, Consagração de Mary ou qualquer coisa assim –, La Brujeria e o Rising Darkness ainda estão sem serem resolvidos. A série tem muito o que fechar só com essas duas tramas. E o meu – e acho que da maioria – maior medo é que a série falhe em fazer algo que eu esperava que ela conseguisse: concluir. Certo, há muito do universo Hellblazer que não veremos, mas La Brujeria é uma trama enorme e, da maneira que eu vejo, 3 episódios não são o suficiente para cobrir toda a trama. Então, resta o temor de que ou o final será insatisfatório por empurrar um monte de fatos em um único episódio, ou que fará o oposto, simplesmente ignorar tudo e só continuar contando casos semanais sem dar a mínima para o resto.


Enfim, é isso. Restam 3 episódios. Vamos nos reunir mais três vezes e descobrir o que acontecerá com a adaptação que tinha o maior potencial de nos inserir nas aventuras da linha Vertigo. Então, até o próximo texto.

Patreon de O Vértice