Scandal 4x10 – Run

Thank God it is Thursday, all right?


No primeiro episódio do ano, voltamos a Scandal no exato momento em que paramos: o sequestro de Olivia. Confesso que achei que o cliffhanger foi fraco na época e fiquei com um pouco de medo do rumo que a série levaria a partir daí. Só hoje fui perceber que há um tempo Scandal vem caminhando em direção contrária ao esquema de série com casos semanais. Fico feliz com isso, pois as histórias e os personagens ganham mais chance de desenvolvimento.


Aí, depois disso tudo, me vem Shonda escrevendo um episódio desses. A mulher conseguiu, em 40 minutos, reverter toda o receio que eu tinha sobre o futuro da série há meses. A evolução do episódio, a edição das cenas, a atuação da Kerry, os diálogos, as viradas (que não foram tão imprevisíveis assim para aqueles acostumados com Scandal, mas ok), e os delírios da Olivia: tudo se juntou para formar o que, para mim, foi o melhor episódio da série até aqui.


Gostei muito não terem simplesmente começado o episódio com a Olivia no cativeiro. Essa foi outra sacada fantástica da Shonda, além da própria realização do sequestro. O modo como voltaram e avançaram no tempo, mostrando o momento pelo ponto de vista de diferentes personagens, foi muito bem pensado e executado.




“I am Olivia Pope! And it’s funny because it’s useless.”



Uma coisa que me deixava um pouco incomodado com a série era o fato do endeusamento da Olivia, seja por quem estava ao redor dela ou até por ela mesma. Esse episódio focou um pouco na vulnerabilidade dela, na impotência dela, mostrando como o fato de ela ser Olivia Pope às vezes não significa nada. E gostei ainda mais do episódio justamente por terem conseguido trabalhar bem essa ideia de uma pessoa que foi praticamente onipotente no decorrer dessas 4 temporadas (com exceção das ocasiões em que o pai dela estava envolvido) chegar ao ponto de estar sem poder nenhum (a não ser a esperança de um resgate) e reconhecer isso. A humanização da Olivia era algo que estava precisando acontecer na série.




“There’s no way out of here...”



Comecei a desconfiar que o Ian poderia ser o chefe no decorrer do episódio porque, na ambulância, a Olivia disse que o chefe não havia falado nada e que os outros procuravam pela aprovação dele. Mas isso ficou claro para mim no momento em que disseram que iriam matá-lo para puni-la. Mesmo que Ian não fosse realmente um prisioneiro e que ele estivesse lá para enganá-la, a questão como um todo surpreendeu de certa forma. Outra coisa que surpreendeu um pouco foram as alucinações da Olivia, e na forma em como ela se apoiou nelas. Ela esperava que o Jake fosse aquele que fosse salvá-la, mas, no fundo, é com o Fitz que ela quer viver. É mais como se o Jake fosse o guarda-costas dela, enquanto o Fitz, aquele por quem ela realmente está apaixonada. Gostei da forma como a Abby foi quem apareceu para fazê-la voltar para a realidade e como ela representou o inconsciente da Olivia dizendo para ela como ela poderia fugir. É interessante ver como a Olivia reconhece a amiga, ou antiga amiga, na cabeça dela.




“That’s a man’s tool you got there – BANG!”



Ian, a meu ver, imaginava que ela conseguiria escapar de lá, mas, para isso, ela teria que machucar pelo menos os dois que estavam lá para mantê-la presa. A frieza que ele demonstrou, até porque ela aparentemente matou os dois, me assustou, já dizendo um pouco sobre que tipo de cara ele pode ser.


Assim, já posso dizer agora que o medo que eu tinha a respeito do restante da temporada virar um super clichê passou. Pela promo do próximo episódio, as coisas só vão piorar (ou melhorar para nós, fãs, né?) e a tensão só vai subir. O que vai ser interessante é ver todo mundo tentando resolver a situação sem a Olivia.


Como último observação, admito que a única parte do episódio que eu não gostei foi do momento Olitz, mas foi simplesmente por não gostar dos dois juntos mesmo. Apesar disso, foi algo que coube no desenvolvimento do episódio e foi bem colocado.


Enfim... Obrigado, Shonda, por essa série e por ter escrito esse episódio maravilhoso. Obrigado, Kerry, por nos dar uma performance como esta mais uma vez. E que venha a guerra!


P.S.: Para aqueles que não veem How To Get Away With Murder, comecem! Shonda está derrubando fornos industriais lá também.

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