Primeiras Impressões: Marco Polo

Netflix faz grande aposta em série épica e colhe bons resultados nos primeiros episódios.


Este texto se refere aos dois primeiros episódios da série.


Após o sucesso de séries originais como House of Cards e Orange Is The New Black, a Netflix resolveu apostar pesado em Marco Polo, sua nova série, com um orçamento que ultrapassa os R$ 200 milhões, atingindo a marca de segunda série mais cara da televisão, perdendo apenas para Game of Thrones. Uma aposta sem dúvida muito ousada para o serviço de streaming, que trouxe um episódio piloto consistente, porém sem grandes surpresas para o que já acompanhamos atualmente.


A trama é baseada na história do mercador e explorador veneziano Marco Polo, que nasceu no fim da Idade Média. Junto com seu pai e tio, Marco foi um dos pioneiros a percorrer a Rota da Seda, com seus famosos relatos detalhados sobre suas viagens pelo Oriente. Muitas de suas histórias confund em-se com lendas, que alguns dizem terem sido criadas pelo próprio Marco e outros por historiadores.


Assisti aos dois primeiros episódios da série, com boas batalhas, sangue, sexo, traição e até uma guerra entre dois irmãos. Não, definitivamente não estou falando sobre Game of Thrones. Mas parece que a série irá apostar nestas características tão presentes atualmente na TV, e as comparações acabam se tornando inevitáveis. Mas ao invés de entrarmos num mundo de fantasia, embarcaremos em histórias baseadas em fatos reais.




“O Cristianismo é bem-vindo no meu reino, assim como o Budismo, o Judaísmo, o Islamismo...”.



A frase acima parece até uma fala de Alexandre, O Grande, que, entre vários feitos, uniu várias culturas e religiões pelas terras que conquistou. Porém esta fala foi de Kublai Khan, neto do poderoso imperador mongol Gengis Khan. Marco foi deixado por seu pai como servente-escravo de Klubai, como uma forma de pagar tributo pelas suas viagens na Rota da Seda.


O episódio piloto “Os Viajantes” nos apresenta seu personagem principal, Marco, e todos os passos que o levaram a se tornar prisioneiro do imperador mongol. Mas, como muita gente que vivia com o imperador, ele não era um prisioneiro comum, mas um prisioneiro hóspede, com várias regalias. Uma delas era aprender a lutar, e foi assim que conhecemos “Cem Olhos”, um interessante personagem mestre em artes marciais incumbido de treinar os filhos de Khan e os nobres da cidade, e agora também responsável por Marco Polo.


No final do episódio, Jingim e Ariq, filho e irmão de Kublai, foram convocados para um combate contra aldeias que ainda não eram comandadas pelo imperador. Mas, por motivos que só descobrimos no segundo episódio, Ariq não participou da batalha. Enquanto isso, Marco era testado pelo imperador num grande prostíbulo mongol. Uma pequena tensão marcou o fim deste capítulo.


Entrando em “O lobo e o veado”, segundo episódio da série, descobrimos que Marco passou pelo teste, mas o filho de Khan falhou na batalha. Marco inicia seu trabalho na cidade como cobrador de impostos, mas seu principal talento até agora esta em sua arte de descrever de maneira poética lugares por onde passa, com palavras que conquistaram a atenção do imperador.


Com uma história um pouco mais livre das apresentações inicias, o segundo episódio melhorou a qualidade da série, trazendo subtramas interessantes, a traição de Ariq e a grande batalha entre os irmãos Khan pelo trono da Mongólia. Marco também descobre que a corrupção, por menor que seja, é um dos caminhos mais rápidos para um desfecho fatal segundo a justiça do imperador. Sanga, que estava trabalhando com Marco, provou esta tese. A Imperatriz Chabi também está deixando sua marca na série provando que tem voz ativa nas decisões do imperador.


Com grandes e belos cenários e personagens muito bem caracterizados, este início de temporada deixou claro as principais características que iremos encontrar adiante, com uma boa história e personagens exóticos, que nos fazem mergulhar no mundo de um povo ainda pouco explorado pela televisão. Conhecemos a cultura, política e meios de se fazer justiça de uma pequena parte do oriente, e foi exatamente a curiosidade de saber um pouco mais sobre o passado destes povos que me deixou com vontade de acompanhar os próximos capítulos.


Este foi mais um importante passo para a Netflix seguir no mundo do entretenimento, desta vez marcando território com uma série épica. Sem dúvidas os maiores beneficiados somos nós mesmos. Vou escrever sobre os dez episódios desta boa série que estreou no final do ano passado, e espero vocês por aqui na próxima review!

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