Primeiras Impressões: Agent Carter

Em dois episódios de sua nova série, Marvel conseguiu aprofundar sua protagonista mais do que qualquer outra mulher já apresentada em todos os filmes até agora.


Este texto se refere aos dois primeiros episódios da série.


Convenhamos, além de Natasha Romanoff/Viúva Negra, vivida por Scarlett Johansson nos cinemas, qual outra personagem feminina tem destaque nos filmes do estúdio? Até mesmo essa personagem só possui destaque por conta de sua sensualidade, sendo que a personagem nunca foi realmente desenvolvida.


Na TV, Marvel vem diferenciando de sua linha de pensamento. Em Agents of S.H.I.E.L.D., personagens femininos com personalidade tem sido uma agradável surpresa. Talvez por estar sob a batuta de Joss Whedon, responsável por clássicas séries como Buffy ou Firefly, as personagens femininas realmente tem algo a acrescentar e não somente servir como plano de fundo ou enfeite.


Agent Carter não foi diferente. Ambientada na machista década de 40, a série mostrou uma protagonista forte e independente, que não só se coloca em situações de risco, mas como também sai delas sem precisar de homem nenhum para ajudá-la. Mas o ponto mais forte da série pode ser o que pode ser a sua fraqueza. A independência e superioridade de Carter em relação aos homens da SSR é divertida, porém se os produtores errarem a mão na execução dessa dinâmica a série pode caminhar para um rumo desnecessário, onde a esperteza da protagonista irá se transformar, na verdade, em uma burrice com viés de desenho animado de seus colegas de trabalho e não mais fará sentido.


Peggy Carter é uma ótima personagem, bem desenvolvida e a atuação de Hayley Atwell não deixa a desejar, mas, infelizmente, o destaque de atuação para por aí. Os outros personagens são rasos e suas intenções não ficam bem claras. Até Jarvis, que provavelmente será o escudeiro fiel de Carter, não demonstra porque veio. Uma pena. A esperança é que até o final da - curta - temporada o personagem seja mais desenvolvido. Hayley, com certeza, consegue carregar a série nas costas, mas se faz necessário uma maior profundidade nos personagens à sua volta.


O clima do episódio foi bem divertido. Lembrou bastante o clima dos filmes de espionagem, com todas aqueles aparelhos dignos dos filmes do 007 dos anos 60 e o clima dos anos 40 foi bem representado.


Vale destacar a rádio-novela do Capitão América para servir como uma quebra no gelo do episódio. Uma saída cômica. Boa sacada dos produtores. A cena em que Peggy luta com um suspeito, enquanto a novela está passando ao fundo, provavelmente, foi a melhor cena de todo o episódio.


Outro ponto muito positivo foram os efeitos visuais e especiais. ABC e Marvel não reduziram o orçamento da série, mesmo a mesma só tendo 8 episódios, o que possibilitou um investimento maior nos efeitos. Surpreenderam mesmo. O destaque vai para a cena do caminhão de bombas explodindo no mar e a cena da explosão da Refinaria de Petróleo Roxxon.


Senti falta de um pouco de auto-referência ao Universo Marvel, algo corriqueiro nos filmes e em S.H.I.E.L.D. , exceto pelo doutor Vanko, que é pai do vilão de Homem de Ferro 2, e o próprio Howard Stark, pai de Tony Stark, não tivemos tantas alegrias pros fan boys de plantão (eu, diga-se de passagem, haha).


A série tem potencial que foi pouco explorado nos primeiros episódios. S.H.I.E.L.D levou quase uma temporada inteira para se encaixar nos trilhos. Infelizmente, Agent Carter não tem o mesmo tempo, por isso a há a necessidade mais urgente de evitar que a série fique superficial demais.

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