Looking 2x01/02 – Looking For The Promised Land/Looking for Results

A série Looking – que, sem levantar bandeiras ou ficar passando lições de moral para o telespectador, retrata de forma natural, como narraria as relações entre casais heterossexuais, a vida de três amigos gays que vivem em São Francisco – retornou no dia 11 de janeiro para as telas da HBO.


A première, completamente alheia às tramas que ficaram na primeira temporada, de forma bastante despretensiosa, ofereceu ao telespectador o tom que será dado a essa nova temporada.


Com personagens marcantes e bem construídos, Looking voltou com tudo! Ao não pretender focar no estilo de vida das suas personagens, mas nos seus sonhos e desejos e na forma como eles tentam realizá-los, os dois primeiros episódios conseguiram atingir o objetivo principal da série. Todas as futuras possíveis tramas foram arquitetadas à medida que as características de cada um do trio de amigos foram reforçadas.


Patrick, mesmo que não tolere a ideia, está se apaixonando pelo Kevin perdidamente e começa a se sentir mal por isso, já que, como deixou claro, não gosta da sensação de estar “vivendo um caso”. Kevin, por sua vez, apesar da dança íntima desenvolvida no final do segundo episódio, algo que pode significar uma mudança, continua sendo o cara que trai o namorado e ainda não possui qualquer sentimento, a não ser desejo carnal, pelo Paddy. Richie, que não apareceu na première, surge, no segundo episódio como o bom moço ao ajudar um Agustín chapado após uma balada. Apesar de Patrick tentar ser o mais simpático possível, quando Richie leva Augustín para casa, este se mostra completamente frio. Esse, para mim, foi um dos pontos altos desse retorno de Looking, Andrew Haigh acerta ao desenvolver o triângulo amoroso, pois dá ao roteiro a possibilidade de seguir qualquer rumo. Patrick poderá ficar com Kevin ou Richie e qualquer um desses relacionamentos não nos parecerá estranho, porque nós acompanhamos o seu desenrolar de forma compreensível.


Dom absorveu a ideia de que Lynn é, de fato, o seu namorado. Ao longo dos dois episódios, foi ficando claro que ele está realmente apaixonado e que ambos – especialmente o Lynn – aceitam com naturalidade a ideia de um relacionamento aberto.


Augustín, por fim, é uma personagem em mudança. Apesar de manter-se preso a vícios e continuar achando o sexo algo casual, nesse começo de temporada ficou evidente o rumo que Haigh está dando para o cubano: Augustín está no caminho da salvação. O narcisismo e a prepotência deverão dar espaço para a construção de um alguém melhor (leia-se: menos chato). Eddie, o urso soropositivo que Augustín conhece na festa da floresta (Promised Land) no primeiro episódio, deverá desempenhar papel significativo nesse processo. A evidência de que Augustín terá a chance de se redimir está na sua aparência: seu novo corte de cabelo o tornou atraente, algo que, de uma forma geral, ele não conseguiu ser na temporada anterior.


Com esses dois primeiros episódios, Looking faz um retorno acima do esperado. Sem medo de tocar em questões polêmicas, como o uso das drogas, e parecer clichê, a série deverá retratar a comunidade LGBT como ela merece, abrindo espaço para que os mais diversos grupos se apresentem. E é por isso, por ser tão realista, que Looking incomoda.


Extra: A trilha sonora continua fantástica. A produção impecável deixa claro que se trata de uma obra da HBO.

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