Elementary 3x09 – The Eternity Injection


"Are you gonna to wake up Kitty?"
"Of course not. I'm a courteous housemate."



Na minha review anterior, fazendo o retrospecto da temporada até aqui, eu apontei algumas coisas que achei que poderiam, e deveriam, mudar para a série voltar ao seu eixo. Parece que algumas delas devem acontecer em breve, outras aparentemente já aconteceram neste episódio.


Nada contra Kitty, mas acho que uma das coisas que fez com que Elementary fosse uma ótima série foi a dinâmica entre Sherlock e Watson, e a adição dela na série foi algo que prejudicou isso. Nesse episódio, pudemos ver a participação de Kitty mais como uma assistente, e não como alguém que estava sendo treinada para tomar o lugar da Watson. Acho que esse é o melhor lugar em que podem colocá-la daqui para frente. Não que seu treinamento e desenvolvimento como detetive devam desacelerar, mas não precisa ser feito de maneira a aparentar uma substituição da Watson. Gostei de ver os dois atrás dela discutindo o método, e as ferramentas, apropriado de arrombar a porta, e de observá-la pedindo pelo seu próprio espaço, mas não senti que os escritores tentaram fazer com que ela ultrapassasse a Watson: as duas conseguiram dividir bem o espaço nesse episódio.


O desenvolvimento pessoal de Sherlock tem continuado, e acho isso um ponto positivo. Abordar o lado humano do detetive tem sido um dos grandes acertos dessa temporada, mostrando que ele é suscetível a erros, sentimentos e deslizes como qualquer ser humano. Ver como o relacionamento que ele tinha/tem com a Watson é diferente do que tem com a Kitty foi bonito. Enquanto a Kitty se trata de uma substituição da Watson no processo de sobriedade de Sherlock, é interessante ver que, com a Joan, isso tudo ultrapassa essa barreira, criando uma amizade onde um se importa com o outro. Como Sherlock disse nesse episódio, eu sentia falta de ele a acordando das maneiras mais estranhas possíveis, mas não tinha noção disso.


Ele aparenta estar indo para um terreno perigoso no que diz respeito à sua sobriedade. Espero que continuem abordando essa linha de desenvolvimento, e aprofundem na humanidade do personagem. Cada vez que ele se abre emocionalmente com alguém é certeza de que uma cena boa virá, mesmo que isso aconteça quase sempre com a Watson. A indignação (e aceitação) dela por Sherlock, sem consultá-la, simplesmente se meter em um caso que deveria ser dela e, depois, a investigação e pressão dela sobre Sherlock sobre por que isso aconteceu e sobre o que estava acontecendo na vida dele demonstraram para mim que tipo de pessoa é a Watson com seus amigos (ou com Sherlock, que aparenta ser o único que ela tem).


Não consigo entender como uma série com 3 personagens principais (forçando um pouco a barra para Kitty) ainda peca em aprofundar na vida pessoal deles, desenvolvendo alguns aspectos. A Kitty é uma que simplesmente foi esquecida como pessoa e vem sendo usada como utensilio. A Watson voltou a viver só para o Sherlock. Nem a casa dela aparece mais. Acho que estão, aos poucos, tentando fazer com que a série volte à essência da primeira temporada. Me pergunto que fim deu o namoro da Watson, já que o namorado dela simplesmente se mudou para outro continente e ela não aparenta se comunicar com ele de forma alguma. Ou, antes disso, qual foi a intenção de adicioná-lo à série. Acredito que a transição de volta para a primeira temporada deveria ser feita gradualmente, sem deixar pontas soltas por todos os lados. Apesar de ainda sentir falta de um vilão central e de uma história que envolva a todos, e que não seja simplesmente a sobriedade de Sherlock, acho que Elementary pode estar voltando para o caminho certo. A atitude da Watson de se oferecer para voltar a morar com o Sherlock até ele melhorar também foi um bom indicio. Espero não estar vendo fumaça onde não há fogo, mas, se eles aproveitarem bem esse andamento e utilizarem esse retorno da temporada para dar uma repaginada na série, acho que ainda veremos um resquício da primeira temporada por aqui.

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