Downton Abbey – Text Santa/A Moorland Holiday [Christmas Special]

“Papa, don’t. You know what happens to anyone who takes the car out for a spin on christmas.”


Todos que veem Downton já estão acostumados a ver o último episódio da temporada e esperar pelo especial de natal no dia 25 de dezembro. Neste ano, tivemos dois especiais. Um de apenas oito minutos e outro com a duração que já estamos acostumados.


No primeiro deles, os personagens participaram de um programa beneficente para ajudar uma instituição de caridade. O especial “Text Santa” demonstrou como seria Downton sem Robert, e foi absolutamente cômico.


Ao fazer outro investimento ruim e perder, novamente, toda a sua fortuna, Robert decidiu que seria melhor que não estivesse vivo. Então, Miss Denker virou um anjo (confesso que não a reconheci) e propôs mostrá-lo como seria Downton se ele realmente estivesse morto. Nunca parei para pensar nisso, mas ele realmente tem uma importância grande na vida das pessoas que vivem ali. Achei meio forçado somente o futuro de Tom, porque Robert foi um dos últimos a realmente reconhecê-lo como parte da família. Thomas mostrando novamente seu lado de preservação pessoal sem pensar no próximo foi até cômico, com ele roubava as coisas da casa perante a notícia de que a família estaria pobre. A participação de George Clooney foi ótima e Maggie Smith, como sempre, roubou o episódio, sem esforços, com a foto do ski ou simplesmente rolando do sofá.


Mesmo sendo criados, foi interessante, mais uma vez, notar a afeição e sentimento de toda a classe inferior perante aos patrões. Tudo feito pelo espirito natalino, a junção das economias de todos para ajudar os patrões, quando eles podiam comprar Downton, foi bonito e tocante (apesar de meio surreal).


Além desse pequeno especial de 8 minutos, também tivemos A Moorland Holliday, o nosso especial habitual, com 1 hora e 30 minutos...




“Did she take a cake with a file in it?”



Começamos o episódio com Lady Mary visitando Ana na prisão e uma conversa paralela no café da manhã protagonizada pelo restante da família. Achei interessante que Lady Violet estiva com eles no café da manhã, o que não é habitual. As tiradas dela foram, como sempre, ótimas. Engraçado como os assuntos mudam em questão de segundos, sem nenhum tipo de finalização. Foi jogado na mesa que Mary foi visitar Ana e que alguns achavam certo e outros achavam errado, por medo da exposição aos jornais. É interessante ver também a repercussão disso no andar inferior, onde Carson, mesmo pertencendo à classe trabalhadora, defendia que Mary não deveria ter ido por medo da reputação da família, independente do que isso poderia causar para Ana, alguém da mesma classe que ele. Ms Hughes novamente colocou algum sentido na cabeça dele, e a dinâmica dos dois é simplesmente ótima. A conversa dos dois sobre a casa que querem comprar e ela se abrindo para ele sobre as finanças dela só me fez querer mais ainda que os dois ficassem juntos.




“Oh, you know me... Never complain, never explain.”
“You don’t usually have much trouble complaining.”



Logo em seguida, o assunto mudou para a princesa Kuragin, encontrada por Violet. As reais intenções dela encontrar a princesa estiveram sempre escondidas, e Isobel foi quem nos fez o favor de dizer isso em voz alta. Ninguém entendia o motivo de ela procurar a mulher que mais odiava no mundo, ao invés de simplesmente seguir com o amor da sua vida. É maravilhoso perceber como a amizade entre Isobel e Violet cresceu desde a primeira temporada. Chegamos ao lugar onde Violet pede para Isobel chegar antes do jantar para acalmá-la antes de uma conversa complicada. As duas na estação de trem se despedindo da família que viajou foi hilário e a espontaneidade, amizade e sinceridade entre as duas é sensacional. De certo modo, prefiro que Isobel não se case, porque isso vai acabar afastando-a de Violet. Ao mesmo tempo, adoro ver a Condessa provocando Isobel com o Dr. Clarkson, ou com o Lorde Merton.


Eles partiram então para o castelo onde os sogros de Rose estavam dando uma “pequena” festa e Robert começou a se queixar de dores, ao mesmo tempo em que tentava manter Cora afastada para não ter que lidar com preocupações alheias. Fico meio dividido aqui, porque achei que ele foi meio duro demais com a mulher, que só estava tentando ajudar, mas, ao mesmo tempo, ele o fez pensando em não dar preocupações sem sentido para a mulher, e isso faz com que ele ganhe alguns pontos, a meu ver. No trem, vimos novamente a preocupação de Edith com a filha, ainda escondida, e o desdém de Mary para com uma criança que, para ela, não é da família. A compaixão dos pais para o problema de Edith está sendo um alivio para o drama que a personagem tem passado, ainda tendo que aturar ataques da irmã, que simplesmente não gosta dela.


A viagem foi interessante, a meu ver, somente para fazer com que a família de Atticus finalmente aceitasse Rose por completo e por fazer Robert se abrir com a filha. Os esquemas entre Rose e Mary estão cada vez melhores, e as duas estão com uma química ótima. O crescimento de Rose como mulher está cada vez mais evidente, vendo como ela agiu perante a situação do sogro, salvando a todos. Thomas mostrou novamente que você não precisa ser rico para saber colocar alguém no seu devido lugar, e que estar no andar de baixo tem suas vantagens, acabando por ajudar Tom, provavelmente sem saber que era isso que eles estavam fazendo. Ver a discriminação que Tom sofre por todos os lados é triste, mas ver todas as classes da família tentando ajudá-lo faz isso valer a pena. Ver Robert decidindo se abrir com Edith, mesmo por ser pelo medo de morrer, e demonstrar que já sabe de seu segredo e o aceita foi uma enorme demonstração do amor pelas filhas, algo que ele normalmente não faz. A preocupação de ter tudo resolvido e esclarecido com a filha antes que qualquer coisa pudesse acontecer com ele foi algo que não estamos acostumados a ver ali, até porque ele não teve muita oportunidade para isso. Devo admitir que Robert tem melhorado e ganhado espaço, talvez eu esteja até começando a gostar dele.


Do outro lado da trama, vimos a princesa finalmente chegando à casa de Violet. A generosidade dessa mulher é inacabável, mesmo perante alguém que não a quer. Irina foi completamente grossa e ríspida, até com Igor, supostamente seu maior amor. Ver que ela agiu dessa forma perante estranhos me faz imaginar como ela teria agido se estivesse sozinha com Violet. A explicação desse altruísmo todo veio e acabamos entendendo que Violet é a maquiavélica que todos dizem, querendo somente se livrar de uma dívida que tinha que com a princesa. Temos mais uma demonstração de como a época influenciava nas escolhas das pessoas. Ali, Violet já estava grata à princesa por salvar a vida dela, apesar de ter perdido seu maior amor para viver bem com dinheiro. Essa foi considerada uma dívida tão grande que, quando seu maior amor apareceu novamente na sua vida, a primeira coisa que Violet fez foi se certificar de onde a princesa estava e de fazer de tudo para que ela voltasse para seu devido lugar, mesmo que isso quisesse dizer que ela ficaria sozinha novamente. Violet tem seu brilho próprio na série, deixando todos meio apagados quando aparece. De certa forma, ela consegue dividir o espaço com Isobel, mas suas reações e frases de sabedoria são um plus em todas as cenas em que ela aparece. Ver como ela age e reage às brigas de seus funcionários é esplêndido. Tudo pode ser dito de Violet, menos que ela é uma mulher injusta.


Depois, eles voltaram para passar o Natal em casa e descobriram que Bates confessou um crime que não cometeu (para que sua mulher fosse liberta da cadeia) e fugiu. Isso gerou uma desconfiança no testemunho da pessoa que disse tê-la visto na calçada e ela acaba sendo solta. Mas ficou claro que seus problemas não acabaram ali. Se um deles é inocente, ou outro é culpado, e se Bates é o culpado, ele pega a pena de morte. Mr. Molesley e Ms. Baxter procuraram ajudar os dois por conta própria e encontraram um álibi para Mr. Bates, mas isso pode fazer com que Ana volte para a prisão. Ninguém merece a sorte que esse casal possui, e espero que eles resolvam esses problemas com a polícia logo. Desde a segunda temporada, esse drama vem se arrastando, e já deu.


Se preparando para o Natal, Edith, Tom e Mary foram deixar as meias de natal na cama dos seus filhos e acabaram se reunindo para rezar por Sybil. A homenagem dos três a ela foi tocante, e foi um toque especial que eu sentia que estava faltando na série, mostrou que eles se lembram da irmã/esposa falecida. Ainda sinto falta de uma lembrança desse tipo pela parte de Matthew.


A noite de natal chega e a felicidade se espalha pela casa. Enquanto Tom e Mary salvavam Robert de um discurso humilhante, vimos Mr. Carson e Ms. Hughes fugindo para o andar de baixo para conversar. Ele disse que comprou a casa para os dois e ela disse que não poderia aceitar. E aí surgiu o pedido de casamento meio camuflado. A incapacidade de Carson de entender indiretas fez dessa cena romântica algo também cômico, e a química entre os dois acertou tudo novamente. Eles subiram de volta para a festa e Robert fez seu discurso, agradecendo Tom por tudo que ele fez por Downton. Não gostei disso por sentir que foi algo como uma despedida para o personagem, e eu não queria que ele fosse para os Estados Unidos. Após isso, Bates apareceu pelos fundos e se reencontrou com Ana, fechando o episódio com o espirito natalino e de união que se propôs a passar desde o seu começo.

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