Um Cântico para Leibowitz - Walter M. Miller Jr. | Crítica

Se a imaginação necessária para criar universos paralelos e problemas sociais dentro de uma ficção literária já é algo raro entre autores literários, pense em como desenvolver uma trama muito bem amarrada ao longo de 1800 anos? Esse é o desafio que Um Cântico para Leibowitz, obra de Walter M. Miller Jr., premiada com o Hugo Awards em 1961 e recém lançada em nova edição pela editora Aleph, magistralmente cumpre.

A primeira parte do livro se passa seis séculos após o evento conhecido como Dilúvio de Fogo, uma guerra atômica global que transformou o planeta em um cenário árido e radioativo. Para se vingar da "maligna "ciência, parte dos sobreviventes do Dilúvio queimaram e destruíram todo conhecimento acumulado em livros e outras formas. É com este plot nada animador que conhecemos os monges da Ordem de Leibowitz, que têm a função de encontrar e proteger os livros e manuscritos que podem ter escapado da destruição.

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São 400 surpreendentes páginas de um livro que desde o começo se mostra diferente. Dividido em três partes (FIAT LUX, FIAT HOMO e FIAT VOLUNTAS TUA, ou faça-se o homem, faça-se a luz e seja feita a tua vontade) que se passam 600 anos uma depois da outra (ou seja, o livro acompanha uma nova Idade das Trevas Nuclear até a evolução 1800 anos depois), o livro mescla de maneira ímpar um cenário pós-apocalíptico - que não era tão famoso na década de 1960, quando livro foi publicado - com religião e ciência. Apesar de mais de 50 anos de publicação, a linguagem é simples e dinâmica, algo nem sempre visto em livros clássicos.

O final e as constatações de uma sociedade que sobrevive na Terra após 1800 anos de um holocausto que quase aconteceu de verdade na década de 1940 tornam Um Cântico para Leibowitz um livro obrigatório para fãs de distopias como Revolução dos Bichos, 1984, Planeta dos Macacos e Admirável Mundo Novo, bem como fãs de sagas modernas de outras mídias, como Mad Max.

Confira a sinopse de Um Cântico para Leibowitz, lançamento da editora Aleph:

Após ter sido quase aniquilada por um holocausto nuclear, a humanidade mergulha em desolação e obscurantismo, assombrada pela herança atômica e pelo vazio de uma civilização perdida. Os anos de loucura e violência que se seguiram ao Dilúvio de Fogo arrasaram o conhecimento acumulado por milênios. A ciência, causadora de todos os males, só encontrará abrigo na Ordem Albertina de São Leibowitz, cujos monges se dedicam a recolher e preservar os vestígios de uma cultura agora esquecida. Seiscentos anos depois da catástrofe, na aridez do deserto de Utah, o inusitado encontro de um jovem noviço com um velho peregrino guarda uma surpreendente descoberta, um elo frágil com o século 20. Um foco de luz sobre um mundo de trevas. Cobrindo mil e oitocentos anos de história futura, "Um cântico para Leibowitz" narra a perturbadora epopeia de uma ordem religiosa para salvar o saber humano. Marco da literatura distópica e pós-apocalíptica, vencedor do prêmio Hugo de 1961, este clássico atemporal é considerado uma das obras de ficção científica mais importantes de seu tempo.
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