Once Upon a Time 4x08/09 – Smash the Mirror

Let it go, Emma.


Para começar, eu preciso dizer que esse episódio me lembrou o porquê de eu amar Once. Nada é preto ou branco nessa série. Ninguém é completamente mal ou bom, e nenhum acontecimento é o que parece ser à primeira vista. Sendo assim, é possível entender quase tudo que motiva os personagens a certas ações, mesmo que elas pereçam injustificáveis.


Depois dos eventos do episódio anterior Emma entra em uma busca para se livrar dos seus poderes, exatamente como a jovem Ingrid no passado. E assim como ela, Emma vai à procura da única pessoa capaz de realizar tal coisa: Rumpelstiltskin. Pois é, tudo tem que ter o dedo dele. Como em muito tempo não víamos, Mr. Gold entrou totalmente em modo Dark One. Claro que manipular a mãe do seu neto, mulher que o seu filho – aquele por quem você foi até o fim do mundo pra reencontrar – amou, a entrar em um chapéu sugador de almas não parece uma coisa muito certa de se fazer. E realmente não é. Por isso fica tão difícil justificar as ações dele, ou até mesmo defendê-lo. É difícil acreditar que a mesma pessoa que se sacrificou para salvar a todos, casou com a Belle e prometeu diante do túmulo do filho que seria uma pessoa melhor seja a mesma que agora faz de tudo pelo poder.


De certa forma o poder e a maldade são de fato quem ele é, como se tivessem sido incorporados a essência dele no momento em que se tornou o Dark One. Isso explicaria um pouco suas ações. Talvez, em alguns momentos Gold realmente consiga ser melhor e fazer o certo, mas no fundo a sede de poder é maior do que qualquer outra coisa e sempre será. Eu acho que ter sido usado e manipulado pela Zelena na temporada passada mostrou a ele o quanto a adaga o deixa vulnerável. No momento em ele encontra o chapéu, se livrar do controla da adaga volta a ser possível e se torna seu principal objetivo. E todos nós sabemos que Rumple é capaz de tudo para conseguir o que quer. Ele está sempre flertando com o mal e podemos esperar qualquer coisa.


Mas Emma não foi o único alvo de Rumpel. Não bastasse ter virado a marionete pessoal dele, Hook também teve que passar pela agonia de quase perder a pessoa que mais ama. Eu não consigo nem imaginar como deve ter sido horrível saber que Emma estava dentro da casa prestes a entrar no chapéu e não poder fazer nada para impedir. Se antes ele já odiava o Rumpel, agora então nem se fala. Só não pude deixar de achar genial o fato de Hook ser essencial para o plano do Dark One justamente por ser seu “amigo” mais antigo. Isso que eu chamo de ironia. Agora o pirata não só é obrigado a fazer tudo que ele quer como sabe que seus dias estão contados. Pelo menos, Emma está a salvo.


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Mas não foi só Gold quem tomou decisões erradas. Os Charmings aceitaram naturalmente a decisão da Emma de abrir mão dos poderes. Foi preciso uma pequena lição de moral da Regina para que eles entendessem que estavam errados. A questão é que isso não torna David e Mary Margaret maus pais, só os torna humanos. Para eles apoiar Emma era a melhor decisão. Regina não chamou a atenção deles porque é uma mãe melhor, ela o fez simplesmente porque também já errou como mãe e aprendeu com seus erros. Ser pai ou mãe não os torna infalíveis e David e MM vão aprendendo conforme as coisas acontecem. O fato de Elsa ter ido atrás da Emma para impedi-la não prova que ela ama a salvadora mais do que os próprios pais, só mostra que ela entende o que Emma está passando porque também já esteve na mesma situação.


Elsa foi a única pessoa capaz de mostrar a Emma que se livrar dos poderes não era a solução porque já passou por isso e sabe como ela se sente. A chave para controlar os poderes é simplesmente se aceitar como ela é. Essa é uma das lições mais lindas e importantes da série até hoje. Por mais simples que possa parecer a auto aceitação é uma das coisas mais difíceis de alcançar e muitas vezes nós realmente precisamos de ajuda para isso. Elsa foi essa ajuda, mostrando que é necessário amar a si próprio e parar de ter medo. A resposta para controlar os poderes é aceitar que eles fazem parte de quem ela é e abraçá-los. Cada um é especial e único a sua maneira e nós devemos parar de nos comparar com as outras pessoas porque não existe um modelo normal ou certo de ser.


Outra pessoa que também passou o episódio em conflito foi Regina. Depois de se acertar com Robin Hood e deixar de pensar um pouco sobre a complicada situação que eles estão, ela luta contra a sua própria consciência. Para ela o relacionamento com Robin é errado, pois ele é tecnicamente casado. Mais uma prova que Regina realmente mudou. Em outros tempos ela nunca se importaria com o que é certo ou errado para ter o que queria. A cena em que ela se abre com Mary Margaret é uma das minhas favoritas do episódio. Elas percorreram um caminho tão longo e vê-las construir esse novo relacionamento é lindo. As duas fizeram parte da vida uma da outra por tanto tempo e se conhecem tão bem que a amizade delas é uma das coisas que eu mais gosto na série. Afinal, não podemos nos esquecer de que todos os acontecimentos da série começam e se baseiam no relacionamento entre Regina e Snow.


Definir pessoas como boas ou más é equivocado e superficial. É lindo perceber que Snow entende isso e sabe que nenhuma das duas é inteiramente boa ou má. Outra coisa importante que Snow ensina para Regina é que suas chances de um final feliz estão sim em suas mãos e que ela nunca deve perder a esperança. O que se confirma quando a página misteriosa do livro aparece nas coisas do Robin e mostra o que teria acontecido se Regina tivesse tomado uma decisão diferente anos atrás. Fica claro que ela pode mudar seu destino simplesmente escolhendo caminhos melhores. Todas as coisas ruins que aconteceram na vida dela são resultado de escolhas tomadas. O que Regina aprende é que realmente há esperança para ela, basta fazer as escolhas certas e não se deixar dominar por sentimentos ruins.


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Enquanto isso em Arendelle, descobrimos que Anna realmente colocou Elsa na urna por causa da maldição de Shattered Sight. Foi lindo ver como Elsa ama a irmã a ponto de perceber que algo estava errado e se recusar a lutar contra ela. E novamente Elizabeth Lail rouba a cena, tanto nas partes em que é confrontada por Ingrid quanto no momento Dark Anna. Mas apesar de tudo de errado que ela faz, não consigo ter raiva da Snow Queen. Na verdade, eu me pego às vezes torcendo por ela. Mesmo as maldades que ela faz no fundo têm uma intenção quase pura e isso é provado pelo fato dela ter trocado o chapéu – que representa grande poder – pela possibilidade de conseguir alcançar amor.


“Smash the Mirror” foi um episódio ótimo que lembrou muito os episódios do início da série. Todos os personagens regulares foram lembrados e tiveram seus medos e inseguranças explorados. Todos eles são pessoas complexas que erram e acertam assim como todos nós.


P.S.: É possível que o Feiticeiro seja o autor do livro, mas essa é uma história que só será explorada no futuro.


P.S.2: Ingrid chegando ao nosso mundo me lembrou a Gisela de Encantada.

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