Homeland 4x11/12 – Krieg Nicht Lieb/Long Time Coming [Season Finale]

Nada é aquilo que parece, e ninguém é quem acreditamos que é.


Bom, estamos juntos para mais uma – e infelizmente a última desta temporada – conversa sobre Homeland. E mais uma vez, este será um texto duplo. Sim, eu sei, é um pouco cansativo ler sobre dois episódios em um texto só, mas como os fatos se entrelaçam tão bem, eu não poderia deixar passar a oportunidade de os reunir em único texto. Não me entendam mal, não gosto de textos duplos, mas existem casos em que eles são simplesmente apropriados, simplesmente servem à situação e, acreditem, este é um desses casos. Afinal, não pelo Krieg Nicht Lieb (exibido no dia 14/12) – que renderia muito bem um texto único –, mas se eu tivesse que discutir a Season Finale, intitulada Long Time Coming (exibido no dia 21/12) num texto à parte, não acho que vocês iriam gostar do resultado, da mesma forma como eu não gostei do episódio. Então, se você já viu os dois episódios – ou não tem medo de spoilers –, prepare-se para a nossa última jornada pela 4ª Temporada de Homeland.


Primeiro, vamos aos eventos de Krieg Nicht Lieb (exibido no dia 14/12). Mais uma vez, deixo o aviso sobre spoilers. Então, não leia caso não tenha visto o episódio e não queira saber o que acontece.


Para começar, embora o meu alemão esteja terrivelmente enferrujado, temos um título interessante para este episódio. É uma sacada muito inteligente da produção, trazer uma agente da inteligência alemã para ajudar Peter e fazer um trocadilho no título. Em uma tradução não-tão-boa, Krieg Nicht Lieb seria algo como Não amantes da/na Guerra, ou Aqueles que não amam na Guerra. É extremamente esperto e intrigante como o título diz muito sobre o episódio e seu final, bem como sobre o que nos reserva a Season Finale, que discutiremos depois.


Outra coisa que chamou muito a minha atenção é o fato de terem trazido aquela namoradinha de Aayan de volta, e terem usado a morte dele como uma força determinante para conduzir o plano de Quinn para matar Haqqani. Essa é a beleza de Homeland. Quando achamos que um acontecimento já foi completamente esgotado, temos uma virada como essa, trazendo de volta esta morte para servir como impulso.


Este episódio nos mostrou mais um pouco deste lado obstinado de Peter Quinn. O homem que constrói uma bomba porque não poderá chegar até o alvo, que revela ao mundo um ato desprezível do inimigo só para causar comoção pública (algo similar ao que a ISI fez para matar Sandy Bachman)... esse Peter Quinn é realmente valoroso de se conhecer.


A série mais uma vez levou os fãs a loucura quando Carrie ficou em cima da localização da bomba que Peter estava prestes a detonar simplesmente para evitar que ele fosse capturado e, mais ainda, quando ela pegou uma arma e se dirigiu para atirar em Haqqani ela mesma, sendo impedida por Khan e pela maior surpresa da série até aqui. Lá atrás, acho que falei duas ou três linhas nos primeiros textos da temporada sobre um plano de Dar Adal para dar outro golpe e remover Lockhart da direção da CIA, e surpreendentemente – até mesmo para mim – eu estava certo. Quem de nós não enlouqueceu ao ver Dar Adal no mesmo carro que Haqqani?


Ah, quase ia me esquecendo. Meus sentimentos a Carrie pela perda do pai. Foi algo muito brusco e dramático, e deve dizer, inserido sem muito cuidado pelos produtores. Sim, teve o efeito esperado, afetando Carrie emocionalmente e construindo o terreno para uma Finale com a personagem mais fragilizada, mas mesmo assim não foi tão convincente.


Enfim, já me estendi demais e até falei coisas sobre o episódio seguinte. Então, vamos a ele.


Agora, vamos conversar um pouco sobre a Season Finale de Homeland, o episódio intitulado Long Time Coming.


Como eu já tinha mencionado, esta Finale realmente me decepcionou. Não por ter sido completamente calma, e até arrastada em certos pontos. A temporada foi toda de readaptações para a série, e não podíamos esperar algo tão intenso como The Star – Season Finale da temporada passada – desta vez. Mas com tanto que podia ter sido explicado, especialmente com as conspirações dentro da própria CIA, não achei que os roteiristas fossem ir por caminhos tão obscuros.


Algo realmente inesperado foi trazer uma trama paralela com a mãe de Carrie de volta. Confesso que já assisti o episódio umas cinco vezes – não por este plot, chegaremos ao que interessa já já... – e ainda não entendi o que é esperado com isso. Fragilizar a personagem emocionalmente destruindo um núcleo familiar já destruído? Eu esperava mais.


O romance de Peter e Carrie, as cenas do funeral, a decisão de Peter de voltar ao “esquadrão” de Dar Adal... todas essas coisas foram deixadas em segundo plano no episódio. E sim, os plots apresentados concluem, pelo menos espiritualmente, a temporada e lançam algumas suposições para o futuro, mas não trazem realmente nada do que nós esperávamos.


E, para mim, a pior cena, por ser diabólica e cruelmente bem planejada, foi o final. Depois de vários episódios fortalecendo a relação entre Carrie e Saul, jamais achei que ele fosse ser parte do plano de Dar Adal.


E é isso. Agora, fica claro o motivo de eu ter feito um texto duplo, afinal, nenhum dos dois episódios teria rendido um texto descente separadamente. Não me entendam mal. Os rascunhos renderam quase 2.000 palavras, mas não iria manter metade delas, porque eram comentários negativos, e prefiro depositar o pouco que sobrou da minha fé em Homeland na esperança de que a temporada que está por vir seja melhor.


Para vocês que – com razão – abandonarem a série, foi muito bom tê-los comigo nesta jornada. Para os que vão ficar, nos vemos na próxima temporada. E para todos, boas festas e feliz 2015.

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