Homeland 4x09/10 – There's Something Else Going On/13 Hours in Islamabad

É uma guerra, e NINGUÉM será poupado.


Bom pessoal, depois de uma longa espera – desculpem-me por isso –, finalmente voltamos a nos reunir para bater um papo sobre os acontecimentos de Homeland. E, como faz um tempo que não nos reunimos, este texto será outro texto duplo. Nele, vamos conversar um pouco sobre os episódios There’s Something Else Going On (exibido no dia 23/11) e 13 Hours in Islamabad (exibido no dia 07/12). Foram dois episódios super intensos, então teremos muito sobre o que conversar. Sendo assim – além do fato de que esta introdução já se alongou demais –, se ajeite na cadeira e embarque nessa jornada, ela vai ser ótima.


Agora, com as coisas propriamente explicadas, partamos para a nossa review de There’s Something Else Going On (exibido no dia 23/11).


Como deve ser aparente, antes de escrever essas linhas que vocês agora estão lendo, eu sempre faço algumas pesquisas, leio informações sobre o episódio, outras reviews e a repercussão que as mesmas causaram, para ter certeza de que aquilo que eu irei escrever não é uma opinião isolada. Afinal, eu tenho uma tendência a não só ser o insatisfeito, mas a também ter alguns pontos de vista fortes que geralmente desagradam a maioria.


Há algum tempo, nestes mesmos textos, eu mencionei que uma amiga tinha me lembrado que as reclamações que eu teci sobre os episódios que se seguiram à premiere desta temporada já haviam sido feitas antes. Que, na temporada passada, eu estava tão insatisfeito quanto agora, e que a temporada iria acabar por me surpreender mais ainda. Este episódio é a prova de que ela estava certa. A maré de mudança de Homeland finalmente atingiu seu momento mais alto, e cada segundo deste episódio foi simplesmente de tirar o fôlego.


Então, mesmo que haja alguma repercussão negativa, ou que alguém se descontente com as próximas palavras, eu – a exemplo do que outros já fizeram – não poderia deixar de admitir que os roteiristas, a produção, e até mesmo a Showtime tem dado o seu melhor para construir a temporada mais espetacular de Homeland até aqui. Como série legítima de espionagem, a série nunca esteve em momento melhor.


É um fato que ninguém amava mais do que eu a dinâmica entre Damian Lewis como Brody e Claire Danes como Carrie, mas o fato de Lewis ter saído da série, que Brody seja agora uma parte do passado de Carrie, em nada diminuiu a sua qualidade. Fez exatamente o oposto, deu a Claire Danes – não preciso nem repetir o quanto a acho uma das atrizes mais fantásticas que a TV americana tem – todo o espaço que ela precisava para crescer, para redirecionar a série e seu personagem num caminho que, embora tenha encontrado um ou dois clichês e tropeços pelo meio do caminho, atingiu novamente seu ápice e está pronta para fazer mais uma Finale memorável. Mas agora vamos parar de analisar os méritos da temporada e partir para os detalhes do episódio propriamente dito.


Sendo bem tautológico, começaremos pelo início, que deu continuidade ao clifhhanger apresentado pelo episódio anterior, no plot de Carrie partindo na “cruzada” contra Dennis. A cena do “You are a traitor, and I’m the fucking CIA!” foi simplesmente fantástica. A determinação da personagem, o quanto ela cresceu – algo que Mira fala neste mesmo episódio – como agente para merecer dizer tais palavras dessa maneira é notável. Na verdade, todo esse plot foi muito bem feito. O contraste entre esse lado defensor e até patriótico de Carrie contra o cinismo de Dennis – que nos fez odiá-lo desde sempre – em todas as suas falas, em negar descaradamente por todo o tempo o envolvimento com ISI foi uma jogada de mestre da produção. Sem contar com a maneira como Claire Danes deu um tom a essas sequências, mostrando o quanto a personagem estava se contendo para não partir para a força física contra ele – em cada “Motherfucker” eu temia que ela fosse chamar um dos soldados, ou ela mesmo o quebraria – é mais um exemplo do quanto a atriz é fantástica, e do quanto ela se entrega completamente à personagem.


Outra das jogadas de mestre da produção ainda neste mesmo plot foi como Carrie envolveu a todos na embaixada, até mesmo Matha – a esposa e embaixadora traída – na sua descoberta do vazamento e de que ela estava interrogando Dennis. Foi simplesmente brilhante.


Ah, e como se tudo isso já não bastasse para fazer um episódio que deixaria os fãs precisando de uns calmantes para sobreviver, é aqui que se inicia a construção do resgate de Saul. A troca de prisioneiros foi uma obra de arte. Acho que ainda não existem prêmios suficientes para o que foi feito nesta sequência. É mais uma prova do quanto à produção está disposta a apostar para fazer desta temporada memorável. Os jogos com a câmera, os cortes rápidos, os contrastes e todo o clima criado para parecer não só uma legítima troca de prisioneiros, mas uma legítima guerra simplesmente provam tudo aquilo que já disse antes. Numa nota que havia esquecido de fazer antes, a dualidade que a série agora concretizou entre Carrie e Tasneem, não só como agentes, mas como personagens femininos dentro de um universo ainda muito masculino, usando todo o poder possível e a cada segundo reafirmando o porquê são quem são foi uma das melhores surpresas da temporada até aqui.


Acho que seria muita arrogância da minha parte tentar explicar o que a sequência da troca de prisioneiros foi. Algo feito de maneira tão genial precisa ser visto e não descrito. Mas direi algumas coisas que precisam ser ditas. A maneira como se deu a conexão entre Saul e Carrie – um relacionamento que havia sido lentamente desgastado na temporada passada e nesta – foi algo que me surpreendeu. Não pela dedicação da agente a Saul, mas pela maneira como isso foi inserido no momento mais crítico, no momento em que cada segundo parecia estar sendo um século inteiro de tão tensa que era a situação. As cenas entre os dois velhos amigos foram muito emocionantes, sem perderem por um segundo a tensão. Uma parte de nós desejava que o tempo parasse ali, no “No more dying” de Carrie, porque se a bomba explodisse nós explodiríamos junto. Sem dúvida, foi uma daquelas cenas que existem para que os fãs sejam levados ao extremo de suas emoções.


E é quando o episódio parece ter chegado ao ponto em que os fãs não aguentariam mais emoções sem enfartar que mais uma vez Homeland mostra o que sabe fazer de melhor: nos surpreender. À nossa maneira, todos nós fomos atingidos por aquele míssil, e por um míssil ainda maior, o de dúvidas. Tantas perguntas, tantas teorias, que renderiam um texto só para elas. MAS, como este é um texto duplo, temos que seguir para os eventos do próximo episódio.


Agora, vamos conversar um pouco sobre 13 Hours in Islamabad (que foi ao ar no dia 07/12). Para ser justo com quem lê, embora o episódio tenha ido ao ar há algum tempo, o trecho abaixo contêm um ENORME spoiler, então não o leia caso não queria saber antes de ver.


Este episódio foi, acima de tudo, chocante. Certo, ao matar Brody Alex Gansa e Howard Gordon – as mentes que deram vida a Homeland – nos mostraram que ninguém está a salvo de ser morto, mas este episódio partiu meu coração por matar a personagem que eu menos esperava que fosse morrer. Mesmo quando Haqqani tinha a faca contra o pescoço dela, restava ainda esperança em minha mente de que Fara não seria morta. Falarei mais sobre isso depois.


Ah, já que mencionei Gordon e Gansa mais acima, não poderia deixar de apontar algo que instantaneamente todo fã de 24 Horas – que também é uma criação deles – imaginou ao ver Carrie decidindo que iria tentar matar o atirador de elite que os havia emboscado, botando a mão na massa num distorcido paralelo ao nosso herói Jack Bauer. Não me entendam mal, não sou insensível a aquilo que escrevi acima, nem quero recrutar uma legião de fãs mais radicais de 24 Horas para criticar a comparação que acabo de fazer, apenas quero apontar outro fato além da enorme perda que sofremos com a morte de Fara, que foi realmente desoladora. Nada que eu escreva aqui se compara ao sofrimento que vimos estampados no rosto de Carrie quando ela ligava para dar a notícia ao pai da moça.


A perda dela acordou um Peter Quinn mais animalesco, mais furioso, que parece estar decidido a investir numa caçada pessoal a Haqqani, o que só significa que a Season Finale vai ser bem explosiva.


Na verdade, desde o episódio passado a série tem sido intensa, dual e explosiva. E, com uma invasão à Embaixada, seria impossível fazer um episódio calmo.


Não pensem que me esqueci de Dennis, Martha e Lockhart. Falarei deles agora. Primeiro, embora eu entenda a situação e o desespero, embora eu jamais tenha estado em situação remotamente similar para julgar a decisão apresentada, não acho nem um pouco crível que um Diretor da CIA fosse entregar documentos para salvar a vida de ninguém. Certo, teve um caráter humanizador para o personagem de Lockhart e fortaleceu muito a Embaixadora – “It’s a war, Andrew” –, mostrando-a mais calma e sob controle do que nunca, mas dois erros não fazem um acerto.


Já numa nota em outro plot, eu realmente pensei que Dennis iria se redimir, que ele iria ter a dignidade de se enforcar – como ele parecia querer, e de maneira tão detalhadamente acertada, pela Embaixadora –, salvando assim a reputação da esposa e o nome da família. Mas nem esta decência ele teve, o que mostra o quão mais desprezível ele é, muito pior do que imaginávamos até aqui.


Como resultado de tudo o que aconteceu, o Sistema Warden – um protocolo de evacuação geral – foi iniciado, e o governo decidiu cortar relações diplomáticas com o país, fechando a base e a embaixada e levando todos embora. É claro que, como Quinn está na sua “missão” de um homem só para matar Haqqani, Carrie ficou para trás para tentar salvá-lo. E foi assim que o episódio acabou. Depois de todas as 36 mortes dentro da embaixada e vários Marines no resgate ao comboio de Carrie e Saul, o episódio acabou numa sequência calma. Uma calma opressora e esmagadora de tão terrível, por ter nos deixado com um cliffhanger enorme, e com o peso de tantas perdas no coração.


Eu poderia passar muito tempo falando sobre como a força da ligação entre Carrie e Saul foi resgatada desde o episódio passado e se evidenciou ainda mais quando ele disse não querer partir sem ela. Também poderia discutir a fraqueza de caráter de Khan, que aceitou esperar os 10 minutos que Tasneem – aquela b*tch – pediu, sendo, de certo modo, responsável pelas mortes e impotente dentro de seu próprio posto. Ou ainda, poderia ficar aqui por mais algumas centenas de palavras discutindo o quanto a temporada cresceu exponencialmente em termos de qualidade nos últimos episódios, mas não farei nenhuma dessas coisas.


Afinal, depois de uma longa jornada como a deste texto duplo, cheio de reviravoltas, acho que vocês também precisam de um tempo para descansar, talvez com um episódio leve de um bom sitcom – façam uma visita aos meus textos sobre Brooklyn Nine-Nine –, e eu preciso de um tempo para elaborar novas teorias e, é claro, assistir ao próximo episódio. Então, nos vemos em breve.

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