X-Men: Dias de um futuro esquecido | Crítica

Eu não vou entrar no mérito dos problemas decorrentes a viagens do tempo em filmes como X-Men: Dias de um futuro Esquecido, mas ainda sem entrar nesses méritos esse filme é bem problemático e certamente essa será uma das minhas críticas mais polêmicas.


Quando o senhor que eu cada vez mais entendo como um péssimo diretor, Bryan Singer, afirmou que esse seria o filme com mais mutantes em tela e mais épico até o momento eu realmente acreditei, mas é a maior de todas as mentiras já se contada para o Marketing de um filme, a menos que valha como números aparições os mutantes que sequer têm uma fala no filme, esse é o filme com menos mutantes até o momento, talvez só ficando no mesmo nível do X-Men 1 e sobre ser épico, lamento decepcionar a vocês, mas em nenhum momento houve uma cena empolgante de ação, exceto talvez uma protagonizada por um certo garoto de cabelos prateados.


Outro ponto que vale a pena mencionar logo de cara é que Wolverine – Imortal é completamente descartado desse filme, o que é estranho, pois há rápidas cenas de X-Men: Origens Wolverine em algum ponto do filme e esse deveria ser o filme a ser esquecido. Outra coisa a se notar é que a tecnologia futura demonstrada no longa parece muito além da tecnologia que nós supostamente poderíamos alcançar em tão pouco tempo, afinal, eu não sei exatamente quanto tempo no futuro está se passando o filme, 2023 talvez, mas não foi o suficiente para Ellen Page deixar de ser uma garotinha, assim como não parece ter sido tempo o suficiente para transformar o mundo completamente normal de Wolverine – Imortal no conjuntos de ruínas que a Terra é hoje.


O professor Xavier ainda estar vivo no mesmo corpo também é uma informação que eles sequer mencionam, acho que a cena pós-créditos de Wolverine – Imortal vai ter que servir como explicação pra isso, se é que dá para chamar aquilo de explicação.


Bem, a história começa com um massacre promovido pelos Sentinelas de alguns personagens que nós não conhecemos e não nos importamos (com exceção de 3 ali que já apareceram nos filmes anteriores) apenas para demonstrar que agora convenientemente a Kitty Pride tem poderes de voltar a consciência de alguém no tempo, fazendo com que o massacre tenha sido em vão, já que ela sempre consegue voltar atrás e fazer com que aquilo jamais tenha acontecido. Pensando nisso, o Professor Xavier, Magneto, Wolverine e Tempestade se encontram com o grupo de Kitty e resolvem fazer o Wolverine voltar ao passado para falar com Xavier de 1973 e impedir a Mistíca de assassinar o Tyrion Lannister... eu quero dizer, o Bolivar Trask e de ser capturada, pois seu DNA é usado para criar os Sentinelas do futuro.


Peter-Dinklage-X-Men-Days-of-Future-Past


A ideia é até boa, mas obviamente eles deveriam estar com muita pressa porque não pensaram que eles poderiam voltar um pouco mais atrás, quem sabe um mês antes, para dar ao Wolverine um tempinho pra agir, não havia necessidade de voltar no tempo tão em cima da hora, quem sabe, voltaria o Wolverine para a época em que ele mandou Xavier e Magneto se ferrar pra poder dizer só “olha, eu vim do futuro, não se mete com esse cara aí e cuida da sua irmã porque vai dar merda” ou melhor ainda, voltava na infância do Tyrion Trask e impedia o bullying que ele sofreu, ele com certeza não ia causar tantos problemas posteriormente, ou matava o pobre antes dele surgir com a ideia das Sentinelas, o Wolverine dos quadrinhos resolveria assim.


Essa ideia toda me lembrou um pouco do infeliz roteiro de Thor 2, onde Thor tem a ideia mais estúpida dos 9 reinos e resolve piorá-la enfiando seu irmão nela, aqui, Xavier e Magneto do futuro dizem que os dois no passado tem que ajudar, mas eu não sei porque, afinal, o interessantíssimo personagem do Magneto de Michael Fassbender se transformou em um personagem estúpido que só atrapalha tudo, muda de ideia o tempo todo (mata a Mística para ela não matar os caras, mata os caras no lugar da Mística... porque sim...) e acaba virando de novo, o vilão do filme.


Ao menos introduzir o Magneto de Michael Fassbender na trama leva a necessidade de incluir também o Mercúrio, facilmente o melhor personagem do filme, o mais carismático e com a melhor cena de todo o longa, que essa sim, consegue ser épica e ao mesmo tempo engraçada. De fato, se as criticas excessivamente empolgadas desse X-Men estão certas em algo é de que Mercúrio tem uma cena espetacular, infelizmente é uma cena só.


QuicksilverMagneto


O roteiro ainda trás um monte de conveniências irritantes, como Xavier anda, mas perdeu os poderes pra isso, mas olha, os poderes voltaram quando há a necessidade, Magneto muda de ideia sobre a Mística, Magneto é um cara inteligente e cinza, mas hei, agora Magneto é um babaca assassino, Mística muda de ideia sobre Magneto e depois muda de ideia sobre mudar de ideia, porque ela ia fazer a mesma coisa que ele no final... é uma verdadeira bagunça.


O desenrolar do filme trás coisas interessantes como Xavier, melhor personagem do filme (eu sei que eu disse que era o Mercúrio, mas o Mercúrio é o melhor secundário), e seus dilemas sobre o que ele perdeu, do que ele acredita ou não. James McAvoy é um grande ator e faz muito bem seu papel em especial na cena final, entre ele e a Mística de Jennifer Lawrence. Sua discussão inicial com Magneto, quando esse joga na cara de Xavier que ele estava se lamentando enquanto muitos dois seus morreram e ele não estava lá para protegê-los também é muito impactante e me lembra os melhores momentos de X-Men: Primeira Classe.


O drama da Mística que é uma personagem que perdeu seu rumo e a forma como Xavier a trás de volta é bem engajadora, a conversa deles, alias, é o único momento realmente emocional do longa e a única coisa interessante no terceiro ato, que alias, é o mais anti-climático terceiro ato de todos os X-Men.


O final do filme, mostra duas situações, o confronto entre Magneto e Xavier e Mística no passado e no futuro, Sentinelas atacando o grupo que mantinha o Wolverine no passado, mas vamos lá, no presente, o limite de mutantes torna tudo muito seco, tudo bem que todos os personagens tem sua função no filme, o que é muito bom diferente de todos os outros X-Men até agora, até mesmo o Primeira Classe que eu tanto adoro, mas para uma grandiosa cena de ação, os poderes de Wolverine, Fera, Mística e Xavier não são muito bonitos visualmente e os de Magneto, sem um inimigo a altura, são bem simples também por isso a batalha acaba sendo bem mediana, mesmo porque, os alvos de Magneto não eram nossos heróis.


x-men-days-of-future-past-movie-still-15-blink


No futuro há um show digno de Michael Bay em termos de ação, só que diferente do que acontece com o diretor de Transformers a ação é extremamente bem feita e compreensível, os Sentinelas, ou Ninrods (não têm esse nome no filme) são extremamente visuais e lá no futuro temos diversos mutantes bacanas incluindo aí a Blink, que tem poderes bem legais, parece que ela tá brincando com uma arma de Portal... e agora que eu pensei nisso, Bryan Singer também deve ter pensado por aí e deve ter se divertido um bocado com o jogo da Valve antes de dirigir as cenas dela. Mas nesse período, por mais que tenha uma ação bacana existem dois problemas graves, vamos ao primeiro.


Primeiro problema do terceiro ato no futuro é que quem está em perigo são personagens que 1, não conhecemos. Exemplo, a Blink é visualmente bacana, mas é tão superficial que eu nem lembro se ela tem alguma fala no filme, se tiver, é só um complemento ou um diálogo expositivo. Apache, Bishop e Mancha Solar também são desinteressantes e eu também não me importo o suficiente com eles para que ache empolgante o conflito no qual eles estão, e 2, por outro lado tem a Tempestade de Halle Berry, que é um personagem que muita gente odeia, eu por exemplo estava doido para que ela morresse e comecei a torcer pelos Sentinelas quando ela entrou na briga. Magneto e Xavier são ótimos, mas foram substituídos por versões melhoradas no filme de Matthew Vaughn, mas foi bem bonita a conversa final entre os dois originais.


Sabe como seria mais empolgante o clímax? Com a Vampira na batalha, com o Noturno, com o Dentes de Sabre talvez  tentando proteger o Wolverine, com personagens que gostamos de fato ou que tem alguma ligação forte com algum que gostamos. A Vampira faria toda a diferença nesse filme, porque por mais que ela tenha ficado chata no 3° filme e tenha perdido seus poderes, bem, aparentemente o 3° filme não conta a não ser quando é necessário, tipo, nada de Jean Grey viva por hora. A Vampira é o maior link emocional que o publico tem com os X-Men desde o 1° filme, ela é a que mais sofreu, é a protegida do Wolverine e quem guiou os passos do público por esse mundo louco nos dois primeiros filmes, uma pena ela não estar na batalha final, faria toda a diferença.


Alias, além disso tudo, quando o Xavier do passado diz a Wolverine no trailer "Eu não quero seu futuro, eu não quero seu sofrimento" bem, acho que ninguém quer, porque nada do que está acontecendo ali no futuro faz muito sentido, tudo é explicado em 1 minuto de narração em off, nós não vemos a forma que o futuro foi acontecendo, basicamente uma informação externa diz, "aconteceu, vejam o resultado" e isso não é engajador o suficiente para transformar a batalha final no futuro tão épica emocionalmente quanto ela é visualmente. O futuro é tão radical e tão inexplicado que parece meio falso.


DF-20700Rv2   Erik Lehnsherr (Michael Fassbender) In X-Men: Days of Future past.


O segundo problema do terceiro ato no futuro é ainda pior, desde o momento em que os dois Xaviers se falam, no meio do filme, o Wolverine não faz absolutamente mais nada, ou seja, ele já cumpriu seu papel ali, ele nem sequer estar na mesma batalha que Magneto a partir de certo ponto, portanto ele já tinha falado com Xavier e Xavier resolveu o problema sem ele, então tudo já devia ter sido mudado antes e nada no futuro estaria acontecendo se o roteiro fizesse sentido.


Isso também é uma prova de como Bryan Singer é infeliz ao forçar o Wolverine como o protagonista de X-Men, o personagem é incrível nos quadrinhos seguindo um perfil bem especifico, ele é o cara que faz o que é necessário e que os outros X-Men não fazem, mas quando ele tem que fazer tudo que os outros fazem ele acaba virando só o cara com as garras e que não morre e nem sempre um cara assim é necessário. Entender isso foi a melhor coisa que Matthew Vaughn fez, não colocar Wolverine como protagonista ou sequer colocar Wolverine em X-Men: Primeira Classe, fez com que o filme de Vaughn fosse o melhor da franquia até agora e para os mais empolgados que querem achar que tudo é o melhor de todos os tempos, bem, na minha opinião X-Men: Primeira Classe ainda é o melhor da franquia seguido de X-Men 2.


Antes de terminar, vale dizer que aspectos técnicos do filme estão perfeitos, a montagem do filme é sensacional, assim como a fotografia que permitem que as batalhas (do futuro) sejam absolutamente lindas, eu ainda não gosto das batalhas porque acho que os envolvidos nela não geram uma relação emotiva com o público, mas elas são lindas de se ver. A trilha sonora, apesar de excessivamente semelhante a de A Origem, ao menos nas melodias mais lentas do filme de Nolan, cumpre bem seu papel ainda que discretamente. E Michael Fassbender, apesar de ter seu personagem bem piorado desde o último filme, continua dando um show de atuação no papel e roubando as cenas quando o quesito é atuação.


No final do filme, fica claro uma coisa, Bryan Singer sabe fazer bons filmes, mas não sabe fazer um filme do nível de excelência que um X-Men deve ter, espero que ele se aposente o mais rápido possível, porque esse filme que deveria ser um reboot para consertar a linha temporal destroçada com filmes mal planejados da franquia, acaba continuando isso, já que na última cena do filme (não estou falando do pós-créditos que é espetacular) ele simplesmente bagunça tudo ainda mais, eu poderia ter a esperança que ele sabe o que está fazendo e que aquela última cena vai fazer sentido algum dia, mas depois que Wolverine – Imortal inteiro, do inicio ao pós-crédito não faz sentido nenhum com esse longa, eu desisto de achar que as pessoas que ganham milhões para simplesmente escrever um roteiro, um dia vão se preocupar com lógica, isso me irrita um pouco, pois elas têm um único trabalho ganhando bastante para executa-lo e não o fazem da melhor forma possível.


PS: Os motivos que levam a Magneto estar presos no filme são teoricamente muito mais graves do que o que Mística ia fazer, e ele só ficou preso, eu não vejo como Mística assassinar o Bolivar Trask, um cara que ninguém levava a sério, pode ter desencadeado tanta coisa assim, que levou a praticamente ao fim (instantâneo) do mundo.


PS2: Teoricamente para o futuro do filme acontecer, a Mística tem que ter morrido em 1973, então quem era aquela mulher azul que aparece nos X-Men 1, 2 e 3?
Patreon de O Vértice