Vikings 2x10 – The Lord’s Prayer [Season Finale]

Vikings 2x10 – The Lord’s Prayer [Season Finale]

Que possas viver até teus cento e dez anos.
 E que vás com um sorriso no rosto.
 E sem arrependimentos no coração.
 Oração Viking

A prova de confiança, assim como toda noção de verdade, sempre é constituída por múltiplas faces. Qual delas se vai contemplar depende de nossa posição, estratégia e observação. Quando Ragnar passou a observar seus convivas no salão de festas, há alguns episódios, ele desconfiava. Não necessariamente de alguém, mas do que estava por vir. O festejo estava ao lado da atenção. A descontração ao lado do cuidado.

Em “The Lord’s Prayer” não foi diferente: tudo estava lá como deveria ser, a comemoração, a hospitalidade ao Rei Horik e sua família, a bebida aparentemente alterando todos: Floki, Athelstan, Aslaug. E a observação atenta do Earl. De onde estava, viu mais uma conversa entre Horik e Floki. Uma conversa que pedia uma prova de confiança.

E Floki a prepara. Milimetricamente, como deve medir as cordas e madeira de seus barcos. Estrategista e determinado, “o construtor” centralizou as atenções até os últimos minutos do episódio, quando Ragnar requereu o destaque.

“Mate alguém importante”, diz Horik. E vemos Torstein morto, ao mesmo tempo em que lembramos de Rollo, a quem Floki visitara e envenenara momentos antes. Rollo que mais uma vez provara sua vontade de viver, cuidado por Siggy, também seduzida por Horik.

“Diga-me a fraqueza de Ragnar”, diz Horik. E entrega a Siggy o punhal que mataria todos os filhos do Earl, porque acaso um apenas sobrevivesse, este buscaria sua vingança.

E então temos um cerco, uma confiança cheia de apostas, esperando respostas, pronto para fechar-se e sufocar o descendente escolhido de Odin. “Esta é a espada do rei”, diz Horik ao filho, que o sucederia um dia, igualmente ambicioso e decidido. Mas antes precisariam quebrar, transpassar, driblar a magia de Ragnar, porque algo superior o protege. Assim como teriam de fazê-lo com relação a Bjorn, guardado pelos próprios deuses. Quando Floki passa a espreitá-lo, desconfiamos. Não das boas intenções de Floki, porque ele não faria mal a Bjorn, mas das más, daquelas que muitos estávamos convencidos.

Paralelamente, Kattegat é invadida por visitas furtivas, que se embrenham pelos becos da pequena vila a fim de matar todos, até não restar qualquer vingador. Uma visita a cada núcleo e contemplamos os preparativos. Aslaug e Lagertha vendo os deuses chegarem, em trovoadas e tempestade. A famosa Grunhild, esposa do rei, vestindo-se para a batalha. Ragnar aprendendo a Oração do Senhor cristão com Athelstan. Siggy abrigando as crianças de Aslaug.

E vemos um diálogo breve, esclarecedor e belo entre Bjorn e Floki. A confiança que nunca precisou ser provada a Ragnar, a cobrança que nunca fora feita a sério. Floki estava cuidando de Bjorn, como prometera muito antes ao pai daquele que está destinado a grandes feitos.

Notamos também a superação de Rollo e Athelstan: o primeiro rompendo as limitações de seu corpo, provavelmente com a colaboração da erva que agora sabemos de propriedades curativas, que Floki o tinha obrigado a engolir; o segundo, de sua alma, pedindo a seu Deus que o livre do mal, levando o mal ao seu inimigo, sem hesitar, como Ragnar tinha-lhe ensinado.

Parte-se, então, a uma sequência mestra de cenas: o enfrentamento entre Grunhild e Lagertha, demonstrando que as grandes lendas podem ser superadas; a chegada de Horik à casa de Ragnar, sua autoconfiança quebrada e o temor que lhe invade, ao descobrir-se na teia que ele próprio tecera. Ao ver que seu filho pagaria por suas escolhas, o filho que seria rei.

Mas não se poderia deixar nenhum descendente vivo. Eles podiam querer vingar-se. Depois de ter ferido o rei com o aço que ele havia destinado aos seus filhos, Ragnar lava a cabeça com a honra extraída do sangue do inimigo.

Enquanto o Earl tocava sua vingança, Bjorn tocava a espada do Rei, sem arrependimento no coração e livre do mal, como dizem as orações antigas, viking e cristã.

Depois de uma Season Finale digna de todos os cumprimentos, será difícil esperar um ano até sermos arrasados pela nova invasão da intensa e adorável Vikings. Enquanto isso, prestemos vivas ao Rei Ragnar!
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