Hannibal 2x11 – Ko No Mono

Hannibal 2x11 – Ko No Mono

How was my funeral?

Uma das melhores coisas sobre a batalha mental travada por Hannibal e Will é que constantemente elas confundem não só as pessoas ao redor deles, como também os telespectadores da série. Tem sido assim desde o início da série, mas acredito que nunca nos fizeram questionar tanto quanto neste episódio e no anterior.

Na review de Naka-Choko eu disse que não conseguia enxergar um cenário possível em que a morte de Freddie não fosse uma armação de Will, mas mesmo assim me peguei enlouquecendo com a possibilidade levantada pela primeira metade deste episódio. Com os legistas afirmando que a arcada dentária do carvão na cadeira de rodas era da senhorita Lounds, a sensação era de “só sei que nada sei”. O reaparecimento da nossa jornalista favorita (não) no fim do episódio afastou um pouco o pensamento socrático, mas mostrou que realmente as coisas não são exatamente como parecem ser.

Digo isso pouco pela morte fajuta de Freddie e muito pela participação de Jack no plano de Will. Aliás, “plano de Will” nem me parece um nome muito adequado. Se voltarmos alguns episódios e nos lembrarmos do dia em que Will e Jack foram pescar, fica evidente que o plano é dos dois. Com Freddie participando do plano a sensação que fica é que todos que chegarem perto de descobrir a verdade sobre o Dr. Lecter têm duas opções – acreditar em Will e juntar-se a ele ou ir para a panela de Hannibal.

Toda essa situação envolvendo a Freddie tinha calibre o suficiente para ser o destaque do episódio, mas os irmãos Verger conseguiram se sobressair. Como é psicótico esse Mason, é só aquela cabeleira despenteada aparecer para eu ter calafrios. E o nível de sadismo? O que esperar de um cara que mutila a irmã e bebe as lágrimas das inimigas (literalmente) no mesmo episódio? Impossível não elogiar a atuação de Michael Pitt que encarou a difícil tarefa de fazer uma releitura do papel já interpretado de maneira brilhante por Gary Oldman e, assim como Mads, vem conseguindo reinventar o personagem sem deixar a essência de lado. Sensacional.

Quanto a Margot, a vontade é de pegar a moça no colo e niná-la porque vou te falar viu, como sofre a coitada! Toda a sequência, do atropelamento à cirurgia, foi de partir o coração e é impossível deixar de elogiar Katharine Isabelle por sua atuação. Conseguir passar um turbilhão de emoções apenas com os olhos não deve ser nada fácil e ela o fez de maneira impecável, contribuindo com um aumento considerável do nível de ódio (que já era alto) que todos sentimos por Mason.

Escrever uma review de Hannibal sem mencionar os diálogos do Dr. Lecter e do Sr. Graham me parece impossível, não só pela qualidade deles, mas pela relevância. Tivemos aqui alguns dos melhores diálogos entre os dois de toda a série, trazendo à tona questões delicadas envolvendo Abigail e o sentimento patriarcal de ambos em relação a ela.

Hannibal tem começado a mencionar sua irmã e, com essa atitude do canibal, fica claro que os sentimentos dele em relação a ela são reais e ainda presentes e, por consequência, os sentimentos dele em relação à Abigail também são. Sentimentos. Resquícios de humanidade dentro do monstro.

Para Will, Abigail é não só a filha que ele nunca teve, mas a filha que ele não conseguiu proteger. Acredito que, apesar de toda a confusão da situação, Will via em seu filho com Margot uma segunda chance de fazer com que as coisas dessem certo. Podemos adicionar a carinha do moço no hospital à lista de coisas que partiram meu coração nesse episódio.

E como quando se fala em Hannibal, se fala em manipulação, aqui não poderia ser diferente. Will deu o panorama geral para Mason (e para o público) no final do episódio: Dr. Lecter está por trás das atitudes tomadas por seus pacientes e se tem alguém que merece ter seu corpo mutilado, esse alguém é ele. Com dois episódios restando para o final dessa temporada arrombante brilhante e a lista de pessoas desconfiando de Hannibal só aumentando, fica a curiosidade para descobrir o que o canibal fará para conseguir voltar respirando na próxima temporada, já que ela foi oficialmente confirmada pela NBC.

É isso aí meus caros, depois de mais uma temporada repleta de incertezas, a NBC tomou a sábia decisão de renovar Hannibal e continuar exibindo a produção de Bryan Fuller. Dou a exibição das sete temporadas planejadas por Fuller como certa depois dessa renovação e fico feliz por saber que, apesar da audiência abaixo do esperado, nem a qualidade da produção nem a vontade do canal de exibir algo bom foram afetados.

P.S.: As metáforas e cenas subjetivas da série continuam extremamente bem trabalhadas. O "parto" de Will no início do episódio e o diálogo entre Hannibal e Will em que um se vê no outro foram especialmente sensacionais. Como é genial essa série!

Promo do episódio 2x12 - Tome-Wan
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