The Walking Dead – 4° Temporada Completa | Crítica

A crítica contém Spoilers


The Walking Dead é uma série que sofre de dois problemas hoje, o primeiro, é que a série está longa demais, 16 episódios por temporada são mais do que necessários para nos entediar com todo esse mundo, que agora parece ter realmente se prendido aos seus poucos personagens de forma cansativa.


O segundo problema é proveniente do primeiro, a série ser dividida em duas partes, que cada vez mais parecem duas temporadas separadas e com temáticas diferentes, a terceira temporada talvez tenha sido a mais uniforme de todas, e a propósito foi até agora minha temporada favorita, apesar do Season Finale medíocre.


A primeira metade da quarta temporada de The Walking Dead é absurdamente errática, ela basicamente varia sobre ser uma série sobre o nada, quase igual a infame segunda temporada, a única diferença é que uma doença completamente inverossímil surgiu para tirar o sono dos sobreviventes, o que leva a um par de bons episódios, envolvendo especialmente o Hershel, que se mostrou um grande herói da série.


Além dá doença, há todo um problema de moral igualmente mal pensado com a Carol e Rick, que aparentemente não deu em nada.


Após a resolução do surto da doença, ganhamos de brinde 3 episódios especiais focados no Governador, o primeiro deles, com uma espécie de tentativa de redenção do personagem é absolutamente sensacional, com alguns paralelos visuais lindos, como, por exemplo, o incêndio de Woodbury, sua aparência decadente e outros, contudo já no segundo episódio tudo desanda e sua redenção se torna falha, mas nesse episódio em especifico não é apenas a redenção do Governador que falha, mas também o roteiro que é absurdamente mal escrito e incoerente. A forma como tudo se dá e como o Governador se entrega ao seu antigo ser é terrivelmente apressada e mal escrita.


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Ao menos o último episódio da primeira metade, que acaba mostrando as duas únicas mortes importantes dessa metade de temporada, compensa os altos e baixos que levaram a esse ponto. O ataque do Governador à Prisão é apressado, mas conseguiu atingir o objetivo, que a Season Finale da 3° Temporada não conseguiu. Rick mostrou que consegue ser novamente um grande líder quando finalmente vence os argumentos do Governador. Porém Rick venceu nos argumentos, mas perdeu seu maior aliado e o maior herói da Prisão, Hershel, que morre decapitado pela espada da Michonne, que dessa vez estava empunhada pelo Caolho Ditador.


Muito foi discutido do porque o Governador não matou a Michonne na época, já que sua desavença principal era com a “Samurai”, mas ficou óbvio que a morte de Hershel era muito mais impactante ao grupo, e ao público, porque a personagem da Michonne era muito mal escrita na 3° temporada e era difícil ter empatia por ela em tão poucos episódios da 4°, onde ela visivelmente melhorou.


Alias, um parabéns aos roteiristas que fizeram da Michonne uma personagem tão gostável na série quanto ela é nos quadrinhos, porque a personagem estava insuportável até então.


No geral a primeira metade terminou como uma derrota para Rick e seus companheiros, já que eles perderam Hershel, a Prisão e uns aos outros. A vitória contra o Governador finalmente veio na ponta da espada de Michonne, mas isso não foi nem perto a vitória que eles gostariam e é sempre legal ver os heróis sofrendo um pouco e não ganhando todas.


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A segunda metade da temporada, completamente diferente da primeira, mostra o grupo dividido em vários pedaços e ainda mostra a volta de Carol, que havia sido expulsa por Rick. A segunda metade tem alguns pontos melhores do que a primeira, ela é mais consistente, mais objetiva e mais bem escrita, entretanto ela consegue ser um pouco mais chata em alguns episódios, por exemplo, os dois primeiros que mostram o Rick, Carl e a Michonne se virando sozinhos na desolação a fora, ou o primeiro de Maggie, que parecem simplesmente Fillers.


Contudo, quando o foco passa a ser em outros mini-grupos, especialmente nos episódios entre Beth e Daryl e Carol e Tyrese, a série ganha força novamente. Em um episódio a Beth define que Daryl será “The Last Man Standing”, o último homem de pé, o que é bem condizente com a atitude dele e com seu instinto de sobrevivência.


Com a Carol, por exemplo, nós entramos em um contexto muito mais denso e sombrio, quando uma das duas crianças que ela estava tomando conta, se revela uma louca psicótica capaz de matar a própria irmã para provar um ponto, a forma como Carol resolve essa situação é um clássico instantâneo, nem é difícil ver memes na internet com o seu “Look at the Flowers”, antes de dar um tiro na cabeça da criança. O ante-penúltimo episódio da temporada é realmente um dos melhores e mais marcantes de toda a série.


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Além disso, nós fomos apresentados a 3 novos personagens na série, que são bem conhecidos nos quadrinhos, Abraham, Rosita e Eugene. Embora Abraham seja o mais denso e bem desenvolvido deles, Eugene é o mais interessante, não apenas como personagem, mas como plot para a história da próxima temporada. Afinal ele é um cientista que sabe como tudo aquilo começou e sabe como acabar com aquilo, literalmente ele tem o destino do mundo em suas mãos, mas não é necessariamente o tipo de cara que nós gostaríamos de depender.


Eugene com certeza será um dos plots da próxima temporada, ir para Washington deve ser um segundo plot e o Terminus será o primeiro deles.


Durante toda a segunda metade da temporada, os sobreviventes da prisão, mesmo separados, estão indo em direção ao Terminus, um lugar teoricamente paradisíaco que pode ou não ser um refugio a eles e é lá que a temporada termina.


Por mais que a quarta temporada tenha sido de altos e baixos, ao menos a segunda metade foi bem consistente, contudo, o Season Finale entrega o que um Season Finale tem que entregar, mas vacila ao dar um Cliffhanger sem qualquer pontuação ou resposta para o publico, se os produtores da AMC acharam que a forma como a temporada termina, sem dar uma resposta sobre o que é o Terminus e sobre como Rick, Glenn, Daryl e Abraham vão lidar com aquilo, era empolgante, na verdade eles erram um pouco a dose e deixou toda a Season Finale frustrante, esperar até Outubro vai ser um saco, e o primeiro episódio da Quinta Temporada ou vai começar frio, ou vai apelar para os Flash Fowards e Flash Backs que a série usa sempre que precisa deixar seu roteiro desestruturado, para não mostrar a fragilidade da escrita


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The Walking Dead quase me perdeu em alguns episódios dessa temporada, mas me ganhou completamente em outros e até digo que o saldo é muito mais positivo do que negativo no final, mas com pelo menos 3 tramas já engatilhadas para a quinta temporada, acho que poderemos esperar muito mais nos próximos 16 episódios, do que tivemos nesses 16.


Agora quanto ao tema central da temporada “Podemos voltar a ser o que éramos antes?”, bem, ao menos para a série, que deixou de ser uma série aclamada pelos Nerds para ser um alvo de preconceito fácil para quem não aceita mudança em adaptações, eu acredito que sim, a terceira temporada foi ótima, mas deixou umas feridas bem expostas, a quarta foi quase tão boa quanto, mas perdeu muito de seu tempo curando feridas passadas. Aparentemente na Quinta Temporada teremos uma série completamente nova e o potencial disso é extraordinário.

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