Mark Gatiss – Entrevista | Rio Content Marketing

mycroft“Sherlock foi o Pitching mais fácil que se pode acontecer” foi essa uma das frases iniciais de Mark Gatiss durante a entrevista que ele deu no Rio Content Marketing, aqui no Brasil, no dia 14 de Março desse ano. Com essa frase ele deixou bem claro o quanto a BBC achou fantástica a ideia de ter uma série atual protagonizada por Sherlock Holmes. Basicamente foi só ele e Steven Moffat apresentarem a ideia do projeto para o canal e  com apenas uma frase para aceitarem fazer a série, o que difere muito da saga que foi para fazer o novo Doctor Who, que ele e novamente Moffat (amigos há mais de 20 anos) tiveram que pressionar por muitos anos a BBC a deixar eles trazerem as aventuras do Doutor de volta as telinhas, ao mesmo tempo em que Russel T. Davies (primeiro produtor do Reboot) pressionava o canal do outro lado. O ator, escritor, roteirista e produtor inglês Mark Gatiss explicou tudo isso e mais um pouco de sua carreira na entrevista, cujo resumo você confere abaixo:


Contudo ele afirmou que da fase de aceitação de Sherlock até a fase de criação da série nada foi fácil, começando pelo Piloto que não foi ao ar, porque a BBC decidiu mudar o formato da série repentinamente. Alguns fãs devem saber que Sherlock teve um piloto não exibido, antes dos 3 episódios iniciais que compõem a 1° temporada. Aparentemente a intenção de Gatiss e Moffat, os showrunners da série, era ter 6 episódios de 45 minutos por temporada, mas a BBC decidiu que gostaria que a série tivesse 90 minutos, devido a outra série que foi bem sucedida nesse formato, por isso tudo teve de ser reescrito e o formato repensado, por isso o piloto foi descartado.


Só que nem tudo é difícil em escrever Sherlock, de acordo com Gatiss, existe uma enorme vantagem em escrever e atuar, porque ele pode mudar as falas sem precisar pedir (o/). Além disso, ele contou que foi muito divertido saber que enquanto Arthur Conan Doyle (criador do personagem) foi atacado na rua depois de ter “matado” Sherlock, ele e Moffat foram atacados no Twitter, o que é quase a mesma coisa e os deixa muito honrados, ele brincou.


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Mas falando em Twitter, Gatiss diz que a coisa mais frustrante em sua profissão é ver as pessoas twittando enquanto assiste um episódio, visto que eles demoram muito tempo para fazer um episódio e nem ao menos prestar a atenção nele e esperar ele acabar antes de Twittar as pessoas fazem, o que ele diz ser uma enorme falta de consideração.


Aproveitando para falar no futuro de Sherlock, ele afirmou a notícia que tem corrido por aí de que ele e Moffat já planejaram as temporadas 4 e 5 e disse que vem coisas grandes por aí, mas ele afirmou também que possivelmente as temporadas sairão de dois em dois anos, ou seja, nada de Sherlock ainda em 2014 (talvez em um especial de Natal) e não é para ficar espantado se a próxima temporada sair só no inicio de 2016.


Sobre o um episódio de Sherlock no Rio, Gatiss disse que não é impossível, mas é improvável, porque ele não sabe o que o Sherlock vestiria aqui.


Agora o que é não apenas improvável, mas impossível, é um Crossover entre Doctor Who e Sherlock, quando perguntado se isso aconteceria, Gatiss respondeu rapidamente que NÃO, sem sequer hesitar e falou também que não entende o porque desse desejo dos fãs, visto que isso não faria qualquer sentido. Pessoalmente eu não posso concordar mais, isso poderia ser legal para o universo do Doutor, mas estragaria o de Sherlock. Ainda nesse assunto do Crossover, ele brincou que não aconteceu nem acontecerá, porque se acontecesse, o que mais as pessoas iam querer?


Agora o que não é impossível é um episódio de Doctor Who no Rio, ele inclusive deixou escapar que um dos motivos dele ter vindo ao Brasil era para conseguir mais histórias para o Doutor e disse que Doctor Who no Rio é apenas uma questão de tempo.




[caption id="attachment_48969" align="aligncenter" width="960"]Doctor Who no telão fica ainda melhor! Doctor Who no telão fica ainda melhor![/caption]

Quando o assunto se tornou de vez Doctor Who, Gatiss debateu as dificuldades de trazer novas histórias para um personagem que existe há 50 anos, tem mais de 700 episódios e cujo protagonista está sempre mudando.


De acordo com ele a maior dificuldade de se escrever para a série é base de fãs que a série tem e a continuidade que eles precisam manter para agradá-la. Os fãs não querem que nada mude dos mais de 50 anos de história, mas isso limita a criatividade e liberdade para criar coisas novas, as possibilidades de Doctor Who são infinitas, mas quando eles se prendem demais ao que já aconteceu na série, eles ficam limitados.


Por isso a preocupação deles sempre é apresentar a série para os novos fãs e reafirmar a série para os fãs mais antigos. Para muitas pessoas o Matt Smith foi o primeiro Doutor, para outras o Peter Capaldi será o primeiro e é importante que eles sejam diferentes, mas as mesmas pessoas no fundo, pensar nos novos fãs e reafirmar a série para os velhos é um dos mantras da criação de Doctor Who aparentemente.


Ele explicou que atualmente todos os companheiros do Doutor são humanos do mundo moderno, porque eles precisam ser os nossos olhos sobre toda aquela loucura, se eles fossem um alienígena ou um humano do futuro, eles saberiam de coisas que nós não sabemos e precisaríamos saber e isso deixaria uma lacuna no nosso conhecimento da trama, enquanto um humano do passado, não saberia de coisas que nós sabemos, o que faria ser necessário explicar coisas para eles que seriam enfadonhas para nós ouvir, como por exemplo, o que é um celular ou dependendo de quanto no passado, o que é um vaso sanitário.


Aproveitando, ele disse que Jon Pertwee foi seu primeiro Doutor, e que ficou arrasado quando ele saiu do papel.


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Sobre a 8° Temporada:


É claro que Mark Gatiss não poderia deixar o palco da Rio Content Marketing sem ser perguntado sobre a 8° temporada da série. Ele obviamente não disse muito porque isso seria o equivalente a ele cometer um crime de Guerra para a BBC, ele brincou. O que ele comentou é basicamente o que já sabíamos, mas com outras palavras.


De acordo com o ator, ele assistiu o 1° episódio da 8° Temporada e o que ele pode dizer é que Peter Capaldi é um Doutor imprevisível e que é muito menos nobre e muito mais perigoso que o Doutor de Matt Smith e de David Tennant.


Além do 1° episódio da nova temporada de Doctor Who, Gatiss falou que tem assistido muito House of Cards e que acha a série incrível, inclusive ele falou que assistiu 5 episódios seguidos dela no avião da Inglaterra para cá, mas não deixou de ressaltar que eles usaram primeira a saída visual de texto na tela, em Sherlock e que House of Cards copiou eles descaradamente, novamente brincando.


A última pergunta que ele respondeu foi sobre o gênero para o qual escreve, visto que tanto Sherlock quanto Doctor Who são séries que mudam o tom de Drama para Comédia o tempo todo e ele diz que isso é o que atrai ele nós projetos, o contraste entre luz e sombras sempre funciona melhor e é o que faz um bom drama em sua opinião, até House of Cards que é muito mais pesado e sério que Sherlock e Doctor Who, tem lá suas doses de comédia, de acordo com ele isso é que faz um bom drama e é isso que ele gosta de fazer.


Antes de ir ele ainda reafirmou que vai interpretar Tycho Nestoris, o cobrador do Banco de Ferro de Braavos, em apenas um episódio de Game of Thrones nessa quarta temporada, mas sabendo que ele não morre nos livros (ainda), ele acha que pode voltar para mais episódios nas temporadas futuras.


Depois disso e dele brincar que Sherlock demora tanto pra sair porque cada cena demora 1 ano pra ser filmada, Mark Gatiss se despediu do palco terminando uma apresentação um pouco travada com perguntas um pouco obvias, mas que foi muito bem conduzida e que mostrou um pouco do quanto Gatiss é parecido com o MyCroft Holmes em um aspecto, ele é elegante e divertido, só que BEM menos frio e muito mais simpático.


-Fotos: Aparecida Maia.


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