Os 10 melhores filmes de 2013

E com um mês de atraso, finalmente o EdenPop fez sua lista com os 10 melhores filmes de 2013, novamente o atraso se deve a nós tentarmos assistir todos os filmes que foram lançados em 2013 lá nos EUA e não filmes que foram lançados em 2013 no Brasil, porque se não falaríamos na verdade dos filmes de 2012, muitos sites fazem isso, mas preferimos esperar um pouco.


Ainda que alguns filmes tenham faltado assistir alguns filmes da na nossa lista, como Ela do Spike Jonze, The Way Way Back, Balada de um Homem Comum dos irmãos Coen e até A Menina que Roubava Livros, acho que deu para fazer um bom apanhado de tudo que rolou no cinema em 2013 e filtrar de modo a pegar apenas a nata do que fizeram no ano.


Mas antes de ir pra lista vale mencionar os filmes que por pouco ficaram de fora e que também são ótimos, como Azul é a Cor Mais Quente, Prisioneiros/Suspeitos, Segredos de Sangue, Rush e Homem de Aço, o novo filme do Superman que dividiu o público, mas nós adoramos, esses ficaram de fora, mas também foram filmes extraordinários.


Mas então, vamos começar a lista?



Os 10 melhores filmes de 2013?


10


O filme de Alfonso Cuarón foi um dos filmes mais elogiados do ano por toda a imprensa que apressada, ainda no meio de 2013 dizia que o filme era o melhor de 2013, alguns exagerados mesmo disseram que era o melhor filme da história, não acredito que ninguém que disse isso em meio ao Hype do lançamento sustenta sua opinião hoje, pois Gravidade é apenas um bom filme.


Mas é um bom filme de fato.


Alfonso Cuarón sempre foi um dos meus diretores favoritos por saber misturar como ninguém toques de humanidade em suas histórias over-the-top, como foi no caso do brilhante Filhos da Esperança, que é meu filme favorito em sua filmografia. Em Gravidade ele demonstra um lado bem especifico da humanidade que é a busca pela sobrevivência, mesmo na situação mais impossível.


Relacionado: Crítica de Gravidade


Embora tenha alguns erros de física risíveis e outros um tanto mais técnicos, Gravidade se revela um filme sensacional, com cenas de tirar o folego de tão bem feitas, talvez em termos de história e em termos de ter algo a dizer, Gravidade seja o filme mais fraco do diretor, mas ao menos é extremamente afiado na direção, como se a forma brilhante com que Cuarón dirigiu Filhos da Esperança fosse apenas uma forma de amolar uma espada, para poder cortar as convenções com seu filme seguinte.


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09


Loucura! O novo filme de Martin Scorsese e Leonardo DiCaprio se resume a isso. Festas, álcool, drogas, mulheres, orgias, dinheiro e mais drogas. É sobre isso que se trata O Lobo de Wall Street e enquanto esse não é o maior clássico da carreira do diretor, ao menos é um dos filmes mais diferentes e divertidos que ele já fez.


Leonardo DiCaprio está mais uma vez extraordinário sob o comando de Scorsese, alias, os dois foram feitos um para o outro como ator e diretor, sinceramente quando vemos as atuações de DiCaprio em filme de outros, como A Origem de Christopher Nolan, ele está bem, muito bem, mas só, por outro lados vemos os extraordinários O Aviador, A Ilha do Medo, Os Infiltrados e em menor Gangues de Nova York e percebemos como os dois funcionam bem trabalhando juntos.


Ok, ele está brilhante em Django Livre também, mas é de Tarantino então há uma razão.


Se O Lobo de Wall Street tem um problema está em sua duração, o filme poderia perder facilmente uns 40 minutos de projeção sem afetar em quase nada o que foi mostrado, afinal, são mais de 3 horas de filme, mas assim como o personagem, Scorsese deixou sua autoindulgência falar mais alto e se permitiu um excesso dessa vez.


Mas quando é que Scorsese demais é realmente um problema?


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08


Um dos grandes filmes artísticos esnobados e subestimados do ano, Walt nos Bastidores de Mary Poppins, que tem esse título pavoroso no Brasil, portanto vamos chama-lo a partir daqui de Saving Mr. Banks.


Saving Mr. Banks conta a história de P.L. Travers, interpretada por Emma Thompson, a escritora de Mary Poppins, que recebe e recusa, diversas vezes a proposta de Walt Disney (sim o próprio) interpretado por Tom Hanks, para adaptar seu livro para os cinemas.


Travers é uma personagem tão bonita, por assim dizer, que é impossível não amar o filme. E a interpretação de Emma Thompson é comovente, especialmente porque ela deixa bem claro que a ideia de uma mulher durona está só na superfície e tudo que ela faz, por mais doce e amável que seja, está escondido em uma camada de grosseria, como quando em uma cena espetacular, ela diz que a filha deficiente de seu motorista não tem porque “choramingar” por isso e então faz uma lista de pessoas extraordinárias que viveram e que também eram deficientes e que devem virar inspiração a menina. A forma como ela diz isso é brusca, mas no fundo nós percebemos o quanto ela só quer trocar a tristeza da menina, que é fã de usa obra, por inspiração e por uma vida melhor.


Emma Thompson pra mim é a maior falta nesse Oscar 2014, eu sei que tem atuações melhores que a dela, mas sua personagem é tão comovente que por si só valia a estatueta. Tom Hanks está muito bem também e se você não viu ainda Saving Mr. Banks, ou Walt nos Bastidores de Mary Poppins, faça o mais rápido possível e prepare-se para se emocionar.


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07


Woody Allen conseguiu de novo, o diretor nova-iorquino já teve várias fazes na sua carreira, a fase ok, a fase genial, a fase fraca e a fase instável, que é a atual, ele nunca teve uma fase muito ruim pra dizer a verdade, talvez tenha alguns filmes péssimos na sua lista como Tudo Pode dar Certo, Você vai conhecer o Homem dos seus sonhos e O Sonho de Cassandra (isso porque eu adoro Igual a tudo na Vida), e o que esses filmes tem em comum é que são todos mais atuais, por isso eu chamei de fase instável, porque ao ponto em que esses péssimos saíram recentemente, obras brilhantes como Match Point, Vicky Cristina Barcelona e Meia Noite em Paris, também novas, estão aí para provar que ele ainda sabe o que faz.


E Blue Jasmine entra para “encorpar” o lado bom de sua fase atual. O filme pode não ter o mesmo apelo dramático de Match Point, por exemplo, e nem ter um tom light e “fofo” como Meia Noite em Paris, mas tem a mesma qualidade.


O que até soa um pouco desacertado para o tipo de direção que Allen geralmente faz, mas a “culpa” disso é de Cate Blanchet e não do diretor. A sua parceria com ela não poderia ser mais acertada, justamente por trazer algo inesperado para sua filmografia, um personagem neurótico, como todos os seus protagonistas, mas que está exatamente no equilíbrio do humor com um pé na psicose mais preocupante.


Cate Blanchet está fazendo um trabalho incrível em um dos melhores papeis de sua carreira e a trama de Allen, apesar de nunca se dar seriedade demais, ajuda muito o trabalho da atriz e ajuda muito a perspectiva que temos dela e de sua doença/crise, eu não duvido que ela leve o Oscar esse ano e por mais que eu tenha amado a Emma Thompson como eu disse acima, acho que não há nada mais merecido.


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06


Nos últimos 10 anos, Frozen é a 4° animação a figurar nas listas de “Melhores do Ano” do EdenPop, e não era por menos, por mais que ainda não se compare com a excelência de Toy Story 3 (que é uma das 4 na lista) ainda é um dos melhores filmes que a Disney lançou nos últimos anos e olha que é uma animação musical, um tipo de animação para o qual eu não tenho muito estômago. Dito isso, é também o Melhor Musical dos últimos anos.


Mesmo eu não gostando tanto das musiquinhas da Disney, (como a P.L. Travers também não gostava) as músicas de Frozen são encantadoras, a animação é tecnicamente perfeita e tudo em tela, desde o roteiro menos obvio do que se pode esperar desse tipo de animação, até os personagens extremamente carismáticos, funcionam.


Relacionado: Crítica de Frozen - Uma Aventura Congelante


Elsa, a Rainha da Neve é uma personagem brilhante que precisava ser feita pela Disney, não que ela mude nada no paradigma de princesas da Disney, mas só em a Disney dar um modelo feminino às meninas que gostam desse tipo de coisa, que se permite ter um pouco de Ego, um pouquinho de egoísmo, um pouquinho de autoconfiança e um pouquinho de se liberdade e principalmente um pouquinho de dane-se o mundo, ou de Let it Go, como diz na música arrepiante cantada pela Demi Lovato. Sim, Frozen me fez até gostar de uma música da Demi Lovato o que é um absurdo quando paro pra pensar, embora no filme ela seja cantada por Idina Menzel... ufa.


Frozen é um filme que todo mundo tem que ver, criança ou adulto, é incrível.... e pensar que eu reclamava previamente porque o filme não usa nada do conto original A Rainha da Neve.


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05


Um trabalho incrível de Paul Greengrass finalmente criando um filme que supera a “sua” trilogia Bourne. Provavelmente Capitão Phillips foi o filme que mais me surpreendeu esse ano, porque por mais que eu goste do trabalho de Greengrass, eu sempre acho ele um diretor seco demais para criar um obra que realmente seja impactante num sentido emocional, mas mesmo sem sair do seu estilo Capitão Phillips é extraordinário.


Parte disso por causa de Tom Hanks que está em um dos seus melhores trabalhos, desde o inicio do filme até seus últimos minutos, onde ele começa ficar ainda melhor, Tom Hanks mostra o porque ele é o Tom Hanks e porque gostamos de Tom Hanks. E pensar que ele estava em uma péssima fase há pouco tempo, mas esse ano encarou duas figuras icônicas, Walt Disney e Capitão Phillips com perfeição.


Capitão Phillips é um filme baseado em uma história real (fizemos AQUI até um posta para falar sobre filmes baseados em histórias reais) e embora o Capitão real não tenha sido tão heroico como Tom Hanks no filme, serve para termos uma noção como temos muitas histórias incríveis acontecendo por aí, no mundo comum fora das telas.


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04


Um dos filmes mais difíceis do ano, um filme sobre não apenas a escravidão e o quanto ela era terrível, diferente do que você vê na novela das 6 da Globo onde ela é só inconveniente, mas um filme sobre uma injustiça implacável e sobre indiferença mesmo nas boas pessoas.


12 Anos de Escravidão é um filme cheio de astros, mas é interessante ver que nenhum deles se sobressai ao clima esmagador do próprio filme, apenas suas funções ficam claras, claras como algodão. Por exemplo, a participação rápida de Benedict Cumberbatch serve para mostrar que não importa o quão boa uma pessoa é, se ela era escravagista ela é parte grave do problema.


No caso de Michael Fassbender, ele é o problema em si, ele tem fundos religiosos “incontestáveis” para aplicar os piores castigos possíveis nos seus escravos e para si mesmo estava absolutamente correto, afinal, o livro mais importante do mundo dava embasamento pra sua visão de mundo. Fassbender interpreta magistralmente um dos vilões (se é que a palavra se aplica) mais detestáveis da história, não sei se esse será um personagem pelo qual ele ficará marcado, provavelmente não, porque o filme não tem tanta abertura assim, exceto se o filme ganhar um Oscar, mas com certeza é o melhor (ou seria pior) personagem que ele já fez.


Por outro lado, Steve McQueen foi sábio ao criar um herói completamente investível e dar o papel dele ao grande e subestimado Chiwetel Ejiofor, que também faz um trabalho impecável. Alias, todo o elenco do filme faz um trabalho impecável e o filme é impecável, uma pena porém que 12 Anos de Escravidão possa ser muito bruto para a maioria dos gostos, o que é compreensível, mas uma pena mesmo assim.


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03


É muito fácil ver críticas negativas ao segundo filme da franquia O Hobbit aqui no Brasil, porque diversos formadores de opinião nacional decidiram agredir o filme, portanto pode parecer uma surpresa ele constar nessa lista, mas tanto o consenso dos críticos americanos quanto o EdenPop acharam o segundo filme da franquia tão bom ou melhor do que o primeiro. No caso dos críticos americanos, que odiaram o 1°, acharam esse melhor, enquanto nós do EdenPop amamos os dois igualmente.


Acrescentar Legolas na trama, que foi uma decisão polêmica por parte de Peter Jackson não podia ser mais acertada, por mais que os puristas reclamem que em O Hobbit ele não participa dos eventos do livro, eu tenho que dizer que ele só não participa porque Tolkien não pensou tão longe quando estava escrevendo o livro, pois sendo o príncipe de Mirkwood, nada faz mais sentido do que ele estar lá.]


Relacionado: Crítica de O Hobbit - A Desolação de Smaug


Para quem reclama que Jackson exagerou em fazer 3 filmes de 1 livro de O Hobbit, enquanto em O Senhor dos Anéis ele tentava resumir uma história gigante de 3 livros em 3 filmes, bem, existe um argumento fácil para responder isso, O Senhor dos Anéis são 3 livros enormes carregados com coisas extremamente desnecessárias para trama e facílimas de serem cortadas, enquanto O Hobbit é um livro lindo e curto, mas extremamente vago, especialmente para quem já leu/viu O Senhor dos Anéis, tanto que o próprio Tolkien pensou diversas vezes em reescrever O Hobbit e até o fez em certa instância.


Mas enfim, O Hobbit – A Desolação de Smaug tem um probleminha ou outro, especialmente no terceiro ato, mas ainda assim é o show visual que esperávamos e a linda história do mundo que tanto amamos, como só Peter Jackson pode fazer.


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02


Não dá pra negar que eu sou um fã incondicional da série de Richard Linklater iniciada em Antes do Amanhecer, onde Celine e Jesse se conhecem em um desses trens que cruzam a Europa e se apaixonam, mas os pós-adolescentes só tem até o amanhecer para desfrutar de suas respectivas companhias, e apesar de marcarem um encontro 6 meses depois, só se encontram muitos anos depois, em Paris e por acaso, quando Jesse esta dando autógrafos de seu livro, o livro que conta a história dele e de Celine e daquele dia.


No segundo filme, Antes do Por do Sol, Jesse, que largou a sessão de autógrafos para passear com Celine por Paris, tem até a tarde quando o seu voo de volta para os EUA sai, no final do segundo ficamos com um mistério, se Jesse foi ou não pegar seu avião.


Em 2013, 9 anos depois nós tivemos a resposta, Jesse e Celine ficaram juntos, estão casados há um tempo e estão enfrentando a única coisa que pode acabar com o seu amor puro e por motivos alheios a vontade deles, platônico. A coisa que pode acabar com esse amor é justamente a consumação dele. O subtexto do filme deixa claro que o amor dos dois era muito mais bonito e muito mais sutil quando eles não estavam realmente juntos, mas agora que estão, os dois tem que fazer de tudo para se acertar, pois realmente passaram a vida inteira esperando por viver aqueles momentos.


O roteiro, escrito pelos próprios atores, Julie Delpy e Ethan Hawke com ajuda do diretor é tão sutil e romântico quanto os dois filmes anteriores e apesar de diferenciar em sua estrutura, já que a Meia-Noite não tem a mesma importância do Amanhecer e do Por do Sol dos filmes anteriores, a trama, se é que tem uma propriamente, é guiada com maestria por Linklater, que até arrisca alguns plano-sequencia e travelings para dar mais dinâmica e desafiar seus atores em cenas longas e dinâmicas.


Antes da Meia Noite não é o melhor dos três, meu preferido é Antes do Por do Sol, mas com certeza é bom o suficiente para fechar essa trilogia linda. Se bem que eu quero ver mais um filme da série daqui a 9 anos, quero saber como esta o casal.


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01


Facilmente o melhor filme do ano. A aventura louca com os personagens mais improváveis e ainda assim reais de David O. Russel ganha qualquer audiência que assistir o filme com um mínimo de boa vontade. Há anos O. Russel tem feito filmes extraordinários, mas sempre tem um ou outro filme que ultrapassa sua obra no ano, seja no Oscar, ou seja no gosto popular, mas acho que esse ano, no Oscar pelo menos, não tem pra ninguém, nem mesmo para Gravidade, que vinha sendo apontado como favorito até alguns meses atrás.


Para mim, Gravidade não chega nem perto do show de interpretações e de estilos que Trapaça tem a oferecer, isso somado a sua trama divertida, engraçada e moderadamente inteligente.


As atuações de Christian Bale, Amy Adams e especialmente de Jennifer Lawrence são insuperáveis, Lawrence, mesmo aparecendo pouco guia o filme perfeitamente e brilha em cada cena que aparece (a cena da dança é um ponto alto), enquanto Bale e Adams sustentam o filme como ninguém mais conseguiria. Bradley Cooper fica até um pouco apagado no meio de tantos astros, mas também faz bem a sua parte.


Enfim, Trapaça é um show do inicio ao fim, mas sua maior força está nas suas atuações brilhantes, que combinadas com a trama e direção de David O. Russel, fazem dele o melhor filme do ano na opinião do EdenPop.


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