Fracassos do Cinema em 2013 e o inicio de uma crise

Faz muito tempo em que um ano não tem tantos fracassos de bilheteria nos cinemas quanto 2013. Não apenas fracassos deliberados, esses foram poucos, 2 ou 3, mas também filmes que fizeram dinheiro muito abaixo do esperado e esses foram muitos, se não a maioria dos casos esse ano.


Apesar de que, se compararmos o Verão Americano de 2013 com o Verão Americano de 2012, veremos um aumento de 10% de bilheteria, ou seja, na verdade, se formos procurar aqueles famosos “records de ponto de vista”, podemos dizer que o aumento de 2012 para 2013 foi o maior desde 2006 pra 2007, onde o aumento foi de 11.8%... o que claramente, não significa muito. Mas de fato, o que significa muito foi que 2013 teve o MELHOR VERÃO DE TODOS OS TEMPOS em termos financeiros, arrecadando cerca de 4.7 bilhões de dólares no mercado americano, o que traça dois paralelos interessantes.


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Primeiramente podemos dizer que uma parte considerável desse record se deve a dois filmes, Homem de Ferro 3 e Meu Malvado Favorito 2 (só esses dois filmes representam mais de 10% desse record), que rederam absurdos de bilheteria. O outro ponto de vista é que muitos filmes falharam epicamente.


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A Crise Anunciada


O senhor Steven Spielberg e George Lucas falaram recentemente que existe um possível desastre prestes a acontecer em Hollywood, quando nas palavras de Spielberg “quando três ou quatro, talvez meia dúzia de filmes com mega orçamento falharem, isso vai mudar o paradigma.”


Um filme de grande orçamento, que é anunciado como tendo um custo de 150 a 200 milhões de dólares, custa na verdade por volta de 400 milhões, de acordo com um calculo da Variety que estima a distribuição e Marketing Internacional somada aos custos anunciados de produção.


400 milhões é um valor muito grande para se perder, especialmente para estúdios de médio porte, apesar de que nem sempre esse valor se perde.


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Essa crise prevista por Spielberg e Lucas é um pouco exagera, ou superestimada, mas possível. Contudo, ao ponto em que ela é possível, temos que considerar, por exemplo, que a Disney paga seus funcionários adiantados, mobiliza quase uma dezena de sindicatos e movimenta milhões de dólares para ter um prejuízo de quase 200 milhões com o Cavaleiro Solitário, mas veja só... ela licenciou bonequinhos e outros produtos, vai ganhar em DVD/BLU-RAY um tempo depois, vai licenciar para o digital um dia e acreditem... suas ações não caem nem um ponto com isso. Esse prejuízo é mais moral e de tempo do que realmente de dinheiro... por enquanto.



Canibalismo nos muitos mercados


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Geralmente, o Top 12 de melhores bilheterias do ano tem uma média de 75% de seu dinheiro gerado no próprio mercado Norte Americano. O que não quer dizer que o mercado internacional não seja importante, ele geralmente salva alguns filmes que foram mal no mercado domestico.


De fato muitos filmes se salvaram apenas porque os mercados internacionais os acolheu. Filmes como Star Trek – Além da Escuridão, Se Beber não Case 3, Wolverine – Imortal (que por acaso fez a pior bilheteria de um filme de X-Men até hoje) e Circulo de Fogo são casos que, só se salvaram pelo mercado fora dos EUA, ou seja, o mercado Europeu, Asiático e depois o Latino Americano.


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Uma grande parte dos analistas diz que a culpa desses problemas de bilheteria, no mercado doméstico e hoje no internacional, que até pouco tempo atrás acreditava-se imune a canibalização, ao grande congestionamento de grandes filmes no Verão Americano. Uma das maiores provas disso esse ano foi a bilheteria de Se Beber não Case 3, que angariou 350 milhões no mundo inteiro, enquanto os outros dois filmes da franquia conseguiram 587 milhões e 467 milhões respectivamente. O estúdio estima que o baixo rendimento não foi por culpa do pouco engajamento do publico com a franquia e sim pela quantidade absurda de grandes filmes em cartaz ao mesmo tempo.


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Velhos Hábitos Nunca Morrem


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O canibalismo de Blockbuster pode ser evitado facilmente e alguns estúdios fazem isso com bastante sucesso, como foi o caso de Jogos Vorazes, Alice no País das Maravilhas e outros do estilo. Basta adiantar ou atrasar um filme até que ele saia dessa faixa de tempo chamada de “Verão Americano”.


Janeiro / Fevereiro são geralmente meses parados no ano do cinema, assim como Setembro / Outubro tem poucos grandes lançamentos, mas por uma "boa" razão, historicamente esses meses não rendem boas bilheterias, por isso alguns estúdios não arriscam grandes filmes neles. Contudo, esse “histórico” vem de tempos longínquos e se questiona hoje se isso não acabou virando um ciclo vicioso onde esses meses rendem pouco dinheiro porque tem apenas filmes pequenos e por render pouco dinheiro, ninguém coloca filmes grandes nesses meses. Os tempos eram diferentes, mas pelo visto a tradição é a mesma.


Apesar de tudo, em um futuro próximo isso não parece que vai mudar, em 2015 teremos uma quantidade de filmes grandes sem precedentes, coisas como Os Vingadores 2 – A Era de Ultron, Piratas do Caribe 5 – Homens Mortos não contam Histórias, Independence Day 2, o reboot do Exterminador do Futuro, Batman vs Superman, Homem Formiga e dezenas de outros estarão competindo espaço no verão americano, isso porque por sorte Star Wars – Episódio 7 foi adiado para a temporada de festas, em Dezembro.


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Os Fracassos do Cinema em 2013


R.I.P.D. – Orçamento de $130 milhões, bilheteria mundial de $64.6 milhões. Provando que Ryan Reynolds não é um grande nome.
Turbo – Orçamento de 135 milhões, bilheteria mundial de 153 milhões. Provando que Ryan Reynolds de novo é pior até que Ben Affleck.
Cavaleiro Solitário – Orçamento de 250 milhões, bilheteria mundial de 239 milhões. Provando que a Disney não sabe arriscar em originais (John Carter) e que Johnny Depp não é garantia de sucesso.
Os Estagiários – Orçamento de 58 milhões, bilheteria mundial de 74 milhões.
Depois da Terra – Orçamento de 130 milhões, bilheteria mundial de 243 milhões. Prejuízo pequeno ou até neutro, mas prova que Shyamalan deveria parar de fazer filmes e que Will Smith não é garantia de sucesso.
Red 2 – Orçamento de 84 milhões, bilheteria mundial de 114 milhões.
The Canyons – Filme feito com KickStarter com Lindsay Lohan custou poucos milhares de dólares, mas só fez 50.165 dólares na bilheteria mundial.
O Ataque – Orçamento 150 milhões, bilheteria mundial de 138.2 milhões.
Instrumentos Mortais: Cidade dos Ossos – Orçamento 60 milhões, a bilheteria ainda está em aberto, mas o filme fez menos de 40 milhões em um mês na bilheteria mundial, isso com certeza não é um sucesso.



Transformando Arte em Ciência


Fora os filmes da lista acima, Os Smurfs 2 e Wolverine - Imortal não tiveram prejuízo, mas tiveram performances muito abaixo do esperado, podemos quase encaixar Star Trek – Além da escuridão nisso. Não tivemos nenhuma grande franquia como parte dos fracassos, Red 2 não é considerada uma grande franquia e teve um prejuízo bem pequeno ainda assim, diferente de O Cavaleiro Solitário, de Instrumentos Mortais e de R.I.P.D., onde todos são fracassos que sonhavam em virar uma franquia nos próximos anos. Circulo de Fogo, outro que não foi prejuízo, mas que performou abaixo do esperado, também tinha o potencial de se tornar uma grande franquia. Isso é um perigoso cenário para Hollywood se basear a partir de agora, pois a briga dela pode acabar sendo contra a criatividade e não contra a falta de qualidade e contra as más decisões comerciais.


Um exemplo do que pode acontecer no futuro é o já acontece hoje, com o surgimento da Piedmont Media Research, só que em maior escala. A Piedmont é uma empresa nova que começou a trabalhar com alguns estúdios testando conceitos de projetos de filmes e criando uma pontuação para tentar prever um sucesso ou um fracasso de um filme, baseada em engajamento da audiência com o tema, com o estilo, com os atores, variáveis de publico e de orçamento e diversos outros fatores. Em fevereiro desse ano a companhia previu que R.I.P.D. seria um enorme fracasso, dando ao filme 137 pontos em sua escala e de acordo com a própria empresa, para um filme ser sucesso tem que ganhar acima de 250 pontos.


[quote style="1"]No lugar de jogar dinheiro em um filme ou em um ator esperando o melhor, existe um jeito mais produtivo de analisar formas de determinar previamente se vale a pena fazer um filme e por quanto especificamente vale a pena fazê-lo” – é o que diz Josh Lynn, representante da Piedmont Media Research.[/quote]



Isso é tentar, mais uma vez, transformar a arte em uma ciência. Pode dar certo do ponto de vista executivo, que é, ter mais acertos do que erros, mas já em 2013 a Piedmont, e na verdade todos, incluindo nós do EdenPop, erramos ao prever que Guerra Mundial Z seria um fracasso de bilheteria. O filme estava na lista negra da Piedmont por seus diversos problemas de bastidores, mas talvez o starpower de Brad Pitt ou apenas o timing fizeram o filme ser um sucesso apesar de tudo.


O timing de O Grande Gatsby também não podia ser mais errado e o filme nem de longe foi o fracasso que preveram. Gatsby era um drama mais caro do que o normal, dirigido por um diretor que tem a fama de ser e fazer coisas excêntricas, as crítica que se previam ser ótimas foram medianas e mornas e o pior de tudo, o filme foi lançado praticamente junto de Homem de Ferro 3 nos Estados Unidos... um fracasso certeiro que... não aconteceu, por mais que com um timing melhor, como Dezembro de 2012, quando o filme estava previsto inicialmente, pudesse ter ajudado na performance, certamente ele não fracassou como todos esperavam.



O Futuro Negro ou Brilhante dos cinemas


Com o melhor verão de todos os tempos em termos de arrecadação financeira e com um dos piores de todos os tempos em termos de quantidade de filmes na lista de FRACASSOS, 2013 foi (e continua sendo) um ano interessante para o cinema, que deve definir o caminho a seguir daqui para frente.


O maior problema disso tudo é que existem duas lições que podem ser aprendidas pela indústria do cinema esse ano, além da obvia que seria “Fazer menos filmes milionários ao mesmo tempo”, a primeira é “Bons filmes são bem sucedidos” e a segunda é “Filmes originais são fracassos”, vamos esperar que Hollywood aprenda a lição certa, mas somos cínicos o suficiente para acreditar que a decisão errada será o caminho tomado pela indústria e ao mesmo tempo otimistas o suficiente para esperar que não seja o caso.


Mas de qualquer forma, como os filmes geralmente começam sua produção de 2 anos a 18 meses antes de estrear, só veremos os resultados do ano de altos e baixos de 2013 na melhor das hipóteses em 2016, até lá, preparem-se para ver no cinema e nas notícias sobre bilheteria o mesmo que vimos esse ano. Poucos filmes ganhando muito dinheiro, muitos filmes atingindo o fundo do poço.


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