Trapaça | Crítica

Já faz um bom tempo desde que David O. Russel vem merecendo um Oscar de melhor filme, O Vencedor é um grande trabalho, O Lado Bom da Vida igualmente e parece que a chance dele finalmente levar a estatueta é muito maior agora com Trapaça e não seria por menos, o filme merece cada premio que conseguir.


Ano passado o mediano Argo levou o premio de Melhor filme do Ano e na minha opinião é um dos piores e mais esquecíveis filmes que o Oscar já premiou, o que fica ainda mais evidente quando tínhamos concorrendo com ele a tocante e engraçada obra de O. Russel, O Lado bom da Vida. Por outro lado esse ano, os maiores concorrentes são de peso, Gravidade e 12 Anos de Escravidão são dois grandes filmes, especialmente 12 Anos de Escravidão que realmente é uma obra notável, mas nenhum deles tem a mesma maestria de Trapaça.


Relacionado: Os 10 melhores filmes de 2013!


American Hustle, no original, tem diversas vantagens sobre os seus companheiros, para começar é a própria direção de David O. Russel, que faz uma comédia de humor negro e uma espécie de Heist-Movie com uma veia pop inigualável. A forma como o diretor usa as cores, os movimentos de câmeras e o enquadramento para mostrar cenas teoricamente banais, pulsam uma boa energia que transgride a linha do simples e torna tudo suavemente complexo, ainda que a cena seja apenas uma pessoa penteando os cabelos ou andando em um corredor, nada soa banal ou descartável.


???????????????????????????????????????????????????????????????????????????????????????????????????????????????????????????????????????????????????????????????????????????????????????????????????????????????????????????????????????????????????????????????????


A segunda maior vantagem do filme vem das interpretações nele. O elenco está absolutamente afiado, em especial Amy Adams, Christian Bale e Jennifer Lawrence. Jennifer Lawrence, alias, apesar de ter uma personagem pouco importante e com menos tempo em tela do que todos os outros atores, dá o mesmo show que estamos habituados a ver com ela em qualquer outro filme e posso dizer que mais uma vez ela se prova como A melhor atriz de sua geração, fazendo os papeis mais diversificados possíveis e com a mesma habilidade de sempre, até Jogos Vorazes ela faz bem.


Relacionado: Eden-Lolli-Pop - Jennifer Lawrence


Não há um elenco esse ano (2013) que fez um trabalho mais bem feito que o de Trapaça, para não falar que eu só ressaltei Lawrence (facilmente a minha preferida), Christian Bale está também genial, Amy Adams fica atrás apenas por um segundo e o resto do elenco, composto pelo bom Bradley Cooper e o mediano Jeremy Renner não brilham tanto quando os três acima, mas fazem o seu papel perfeitamente.


A história de American Hustle é baseada em fatos reais, ou como o próprio David O. Russel diz “algumas dessas coisas realmente aconteceram”. Tudo é baseado na famosa (infame) operação Abscan do FBI, onde um agente (Bradley Cooper) converte dois trambiqueiros (Amy Adams e Christian Bale) em agentes duplos para pegar peixes maiores, onde em um ponto a operação fica perigosa demais, quando os peixes maiores acabam sendo políticos e a máfia, o que coloca os dois trambiqueiros contra seu instinto de sobrevivência e consequentemente contra o FBI. E é quando esses perigos começam a surgir que o estilo de O. Russel começa a esbarrar levemente no estilo Scorsese em filmes de crime, com um humor violento e “errado” extremamente semelhante ao do diretor de Bons Companheiros, só que com uma veia pop e mais empolgada que é também uma novidade no estilo de O. Russel.


????????????????????????


Apesar de ser uma história real, O. Russel dá a ela seu toque de sofisticação pessoal, fazendo diversas analogias entre Atores/Trapaceiros e especialmente a analogia master do filme, sobre as Mascaras Sociais e o que as pessoas fazem para serem aceitas, a aceitação é um tema constante no longa e que atinge todos os personagens, seja o agente do FBI tentando provar que ele pode resolver um caso enorme como aquele, seja Christian Bale mentindo para Amy Adams quando a conhece para fazê-la gostar dele, onde ela, por acaso, faz o mesmo. Seja a personagem de Jennifer Lawrence se vestindo das melhores (ou piores dependendo da década) maneiras e usando os esmaltes mais bizarros do mundo para chamar a atenção, ou mesmo, no caso mais interessante, do político vivido por Jeremy Renner, que é um político corrupto, mas cheio de boas intenções e que faz de tudo para mudar e melhorar a vida dos seus eleitores, mesmo que isso signifique fazer coisas muito erradas.


Não há vilões propriamente ditos em Trapaça, embora alguém possa considerar todos eles vilões na verdade, cada personagem é completamente absurdo, mas ao mesmo tempo completamente real, com seus defeitos e qualidades e os personagens espelham o próprio filme, que é também extremamente absurdo e extremamente real e talvez por isso tenha desagradado alguns críticos nacionais, esse quê de absurdo, mas com o pé fincado na realidade torna o filme mais simples do que esperávamos a principio, mas muitas vezes há genialidade na simplicidade e esse certamente é o caso.


????????????????????????


 

Patreon de O Vértice