Oz: Mágico e Poderoso | Crítica

Uma boa fábula é uma que funciona em diversos níveis, as grandes que conhecemos só são grandes por isso, funcionaram como histórias de Terror, contos passageiros, histórias infantis, Blockbusters de ação... tudo isso ao longo dos anos e O Mágico de Oz sempre foi uma das maiores, portanto seria difícil para Sam Raimi e James Franco igualarem o jogo e sobreviverem ao Hype ou ao preconceito que ser a prequel de um grande clássico pode trazer.

Quando um filme é feito, imediatamente pelo menos uma pessoa vai odiá-lo e uma vai adora-lo, essa é uma máxima verdadeira (tem gente que adora Crepúsculo, então...) e nesse caso eu ADOREI o novo trabalho de Sam Raimi, para mim Oz: Magico e Poderoso é tão bom quanto Homem Aranha 2, que juntos eu considero o melhor trabalho do diretor, sim eu não gosto dos Evil Dead.


Oz: Magico e Poderoso é muito mais do que um filme de entretenimento, ele como toda boa fábula funciona em diversos níveis, mas o meu favorito é a homenagem primorosa ao cinema. Raimi mostra tão bem quanto Martin Scorsese (A Invenção de Hugo Cabret) e Quentin Tarantino (Bastardos Inglórios) o poder do cinema e coincidentemente, depois do filme de Scorsese citado acima, Oz: Magico e Poderoso tem o melhor 3D que eu já vi.


O 3D não é exatamente imersivo, como quando Scorsese usou, mas sim o 3D “toma coisa na sua cara” que muita gente usa, mas usam de forma deselegante e falsa, ainda que uma hora ou outra em OZ também soe forçado o uso do 3D, a maioria das muitas vezes que algo voar em você vai estar em um contexto totalmente razoável, como se fosse pare sentirmos o que o protagonista está sentindo naquele momento. Em especial é interessante na cena em que Oz está no seu balão fugindo de Kansas.


Já que entramos nos aspectos técnicos, vamos ao CGI, que é imperfeito. Raimi é um diretor que já controlou melhor seus artistas de CGI antes, mas dessa vez algumas coisas ficam parecendo um tanto mal feitas e bobas. De fato, eu chegaria a chamar o filme inteiro de bobo em algum ponto dessa crítica, mas pensando bem parte dessa culpa é da direção de arte, que dá um tom excessivamente infantil para algumas coisas, mesmo cenários que deveriam ser um pouco mais avassaladores são abrandados e muita coisa é mal colorida, mesmo Alice no País das Maravilhas fez melhor nesse quesito.


Nas atuações todos fazem um bom trabalho, James Franco está bem, mas não necessariamente espetacular, Michelle Williams é irritantemente semelhante a uma amiga minha, então não consigo desgostar dela no filme, mas anda assim é a mais fraca do elenco principal. Mila Kunis está ótima e se sobressai a todos, ela está melhor até mesmo que a Oscarizada Rachel Weisz que está apenas boa.


Os personagens fantásticos desse Oz são ainda mais espetaculares, o macaco alado que acompanha Oz, Finley, é hilário e a bonequinha de porcelana é perfeita, consegue ser divertida e tocante ao mesmo tempo, seu arco é com certeza o mais sombrio e o mais delicado do filme e serve como engine narrativa para troca de atos.


Mas o técnico em si falha algumas vezes, as atuações e a trilha sonora são apenas boas, assim como a trilha sonora é o roteiro que apesar de simplista e leve, contém algumas das melhores jogadas do filme. Eu mencionei acima que Oz: Magico e Poderoso fala sobre o cinema em sua essência e basicamente essa é a maior mensagem que eu consegui enxergar, o poder de nos maravilhar é a verdadeira magia que vence o mal, é uma bela mensagem a se passar em um filme, uma mensagem que eu consigo comprar, afinal essa é a arte com a qual eu trabalho, a arte que eu tanto amo e a arte que eu gostaria de fazer, o poder de movimentar pessoas e de fazer as pessoas acreditarem, se não ficar fácil para qualquer um enxergar essa mensagem, vale dizer que o uso do Praxinoscópio, uma das ferramentas que possibilitou o cinema existir é a principal arma contra a Bruxa Má, isso e o poder de fazer as pessoas acreditarem. Há aí também uma analogia com a religião e com o verdadeiro poder (ou utilidade) da fé, independente de sua religião, se você não tiver alguma há ainda o clichê, porém bonito “acredite em si mesmo” que permeia todo o tema, OZ: Magico e Poderoso ainda brinca com um rápido estudo sobre a natureza da grandeza.


Obviamente tudo isso acima é raso e inconstante, afinal Oz é um filme de entretenimento, especialmente entretenimento infantil, portanto não dá para filosofar muito, mas claramente é um trabalho primoroso de Raimi e dos roteiristas do filme embutir tanta carga emocional em um filme como esse.


Mas parece que as pessoas estão um pouco mais cínicas hoje em dia, nada que não seja hermético vale ser respeitado, se você faz algo para dialogar com o publico, especialmente com o publico infantil, você automaticamente não tem o mesmo respeito que outras obras que contém uma mensagem muito menor, mas estão envolta a uma atmosfera hermética que fazem com que automaticamente elas sejam superiores a qualquer coisa mais simples e popular. Isso me entristece um pouco, isso e a incapacidade de se maravilhar que as pessoas tem hoje, esse filme em especial invoca tudo isso claramente pra mim, pois vejo críticas cínicas sobre ele em todos os cantos, quando posso ver que mesmo com alguns errinhos, Sam Raimi tinha a maior e mais nobre de todas as intenções aqui, divertir.


Mas a discussão acima é para Clarice Lispector ou para uma coluna a parte, para essa segunda certamente, o que falta mencionar sobre Oz é que o filme tem cenas de tirar o folego, cenas extremamente divertida, cenas que fazem os dois trabalhos, como a primeira aparição da Bruxa Má para Oz e Glinda e tem um final grandioso que fecha com chave de ouro tudo que foi belamente mostrado em tela. Oz: Magico e Poderoso é um filme impressionante que vai te surpreender se você assistir livre de cinismo e de expectativas incabíveis.

Patreon de O Vértice