Killer Joe: Matador de Aluguel | Crítica

Perdoe-me o palavreado, mas só existe uma frase para descrever, ou para começar a descrever Killer Joe: Matador de Aluguel.


Mas que P0##@ foi isso!?


Eu realmente me senti tentado em limitar a crítica a frase acima, fazendo uma brincadeira semelhante a que eu fiz na crítica de Scott Pilgrim, que eu limitei o texto a um AWESOME colorido e a nota 10. Porém eu vou tentar falar um pouco desse filme, embora eu esteja dormente demais ainda para falar sobre ele.


Sexo, violência, perversão, atuações incríveis e um terror psicológico sem igual fazem de Killer Joe um filme …ruim, mediano, excelente? Realmente eu não faço ideia de como definir o filme, a analise acima descreve de forma pratica os detalhes, mas de forma alguma reflete a qualidade do filme.


Para começar Killer Joe ganha inúmeros pontos por ter sido o primeiro filme do ano (passado) a realmente me deixar alguns segundos calado em silencio após o final pensando no que diabos foi aquilo que eu acabei de ver. Contudo a sua concepção é tão absurda e termina de forma tão estranha, que talvez ele choque e surpreenda apenas por ser estranho e não por alguma qualidade oculta ou sentido impactante.


Antes de mais nada, vale dizer que Matthew McConaughey realmente merece um Oscar por sua atuação nesse filme, obviamente a academia deve odiar Killer Joe portanto nem indicação ele recebeu, mas eu nunca achei que pensaria que era injustiça em deixar de pelo menos indicar McConaughey a um premio. O ator nunca fez questão de fazer nada interessante em sua carreira, já fez filmes bons, mas nunca chamou mais atenção do que devia… até agora.


Seu Joe Cooper começa sendo aparentemente a pessoa mais sensata de um universo de loucos. No fim do filme estamos encurralados em nossa poltrona e com olhos arregalados surpresos com o que o personagem faz.


Vale tentar explicar a trama, embora isso não sirva de muita coisa para entender o impacto do filme, mas para explicar terei que dar um spoiler, portanto clique no botão e leia apenas se viu o filme, ou se não liga para Spoilers.


[spoiler title="Spoiler" open="0" style="1"] Na trama, Chris, um jovem traficante interpretado por Emile Hirsch está devendo dinheiro a pessoas erradas e está sendo ameaçado de morte, então ele tem a ideia de contratar um assassino para matar sua mãe, que é a culpada pela sua divida, para que sua irmã mais nova, Dottie (Juno Temple), receba uma apólice de seguro de 50mil dólares. Pra isso ele planeja com seu pai, Ansel, Thomas Haden Church (incrível no filme) e sua madrasta Sharla em contratar Joe Cooper, um detetive que trabalha como assassino nas horas vagas.


Acontece que Joe trabalha com dinheiro adiantado, o que leva a ele querer uma garantia… no caso a irmã de Chris, Dottie. Ele acaba se apaixonando pela bizarra garota e executa o plano, contudo a apólice de seguro vai para o marido da mãe de Dottie e Chris e não para a menina. Chris percebe então que foi o marido de sua mãe, Rex, quem falou para ele sobre a apólice e sobre Joe e então descobre que esse foi o plano de Rex desde o inicio.


Porém Joe estava a um passo a frente e como detetive que é, descobriu que na verdade Rex era amante de Sharla, esposa de Ansel, ex-marido da mãe de Chris e Dottie e o plano de roubar a apólice era dos dois desde o inicio. Isso então nos leva a vingança de Joe contra Sharla e ao “comunicado de casamento” de Joe e Dottie.


Complicado? Muito…[/spoiler]


O ato final é tão violento e intenso que vai te fazer esquecer de que aquilo é só um filme e vai com certeza te angustiar um pouco. A atuação do elenco está no limite do que é possível para alguém fingir. Friedkin nos guia por uma tour psicótica dificilmente vista no cinema.


William Friedkin é com certeza hoje um daqueles que chamamos de “mestres do cinema” o diretor de diversos clássicos do passado não faz um grande filme há algum tempo, mesmo porque ele tem dirigido poucas vezes. Acontece que eu não chego a considerar Killer Joe um grande filme, ele é perfeitamente executado, cumpre seu papel de chocar e perfeito tecnicamente, contudo há varias conveniências de roteiro ou coisas estranhas acontecendo que tiram um pouco do realismo da coisa.


Alias, a última cena, no último segundo e a forma como aquilo termina mostra realmente que a história pouco interessa naquela bagunça, isso diminui um pouco o filme, Killer Joe como exercício de arte é épico, porém como uma obra fechada e significativa é falho.


 
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