Homeland - 3° Temporada | Crítica

Spoilers de toda a série na crítica abaixo!


Há muito o que se discutir se a terceira temporada de Homeland foi uma “boa temporada de Homeland” ou não, bem, que foi uma boa temporada de uma série, com certeza, mas será que foi boa o suficiente para se equiparar as duas primeiras temporadas? Tentar definir isso é uma tarefa complexa.


Homeland é hoje uma instituição da TV americana, em suas duas primeiras temporadas, praticamente nenhuma série ganhou tantos prêmios quanto ela, nem mesmo Breaking Bad, que apesar de estranhamente ter ganhado um número esmagador de fã-boys recentemente, na crítica especializada é vista no mesmo nível que outras, incluindo no mesmo nível que Homeland.


Fato é que Howard Gordon e Alex Gansa criam histórias tão tensas e tão no limite que ou, elas se destroem sob o próprio peso, ou eles mesmo têm que destrui-las no final de cada temporada. No fim da primeira para a segunda temporada existia uma espécie de Status Quo mantido, mas esse Status Quo termina já no fim do episódio de estreia da nova temporada, e uma série quase 50% nova se inicia com os mesmos personagens.


O mesmo aconteceu na troca da segunda para a terceira temporada, só que de forma mais intensa, se a força da primeira temporada era a investigação de Carrie sobre a vida de Brody e da segunda era a parceria entre Carrie e Brody para pegar Abu Nazir, bem, o fim da segunda temporada separa os dois de continentes e de lados. Brody é acusado de explodir uma bomba na CIA que mata muitos personagens importantes, incluindo David Estes, ex-líder da agencia de inteligência.


A terceira temporada logo começa se livrando de algumas amarras da série, como “a necessidade de Brody”, uma das coisas mais bacanas de Homeland é que na companhia de Brody estamos sempre presos à dúvida da dualidade de sua personalidade e sempre testemunhamos sua quebra psicológica forte e toda a tensão pela qual ele passa. No inicio dessa temporada, Brody não está presente e de certa forma Carrie toma esse trabalho para si, de cara ela entra em uma história dúbia e tem que ultrapassar seus próprios limites, não só psicológicos, mas psiquiátricos, para cumprir uma missão, gerando um plot-twist de arrepiar, de tão inesperado que ele é.


Depois de 5 episódios, uma aparição de Brody e um plot-twist brilhante, começamos a segunda parte do plano de Saul, em trazer e converter Javadi, um agente de alto escalão do Irã que financia o terrorismo, mas que também rouba seu próprio país.


Não me leve a mal, toda a trama desenvolvendo o recrutamento de Javadi é o ponto fraco da série, não que seja ruim, é ótima, mas ao mesmo passo que no início tínhamos a Carrie sendo genial, a história se mostrando mais complexa do que era na realidade e tudo mais, aqui com Javadi temos apenas uma operação de espionagem acontecendo, ótimo, uma ótima trama, mas Homeland é maior que isso e isso acabou esfriando um poucos os ânimos da audiência.


Os ânimos em Homeland continuaram indo e vindo durante a segunda e terceira metade da temporada, há um episódio onde Peter Quinn se vê obrigado a atirar em Carrie, que é um episódio espetacular, há o episódio em que Fara mostra a que veio com banqueiros iranianos, que é muito bom, mas há também o episódio em que se baseia na reabilitação de Brody, que é chatíssimo, tudo bem que vemos um pouco do Damien Lewis atuando no mesmo nível que ele mostrava na primeira e segunda temporada, Lewis é um ator incrível e merece cada estatueta dourada que ele puder colecionar, mas o episódio é uma quebra de ritmo enorme e soa quase como um filler, já que se você pensar, o vicio que Brody adquiriu não serve de nada na série, nem para gerar tensão, já que tudo se resolve até metade do episódio.


Quando a linha final da série engrena, com a missão de Brody, o foco muda um pouco, quando antes a série estava sendo 98% de Carrie e Saul e 2% de Brody, tudo vira de pernas pro ar e Brody passa a ser o protagonista da série novamente, o que beira o épico, especialmente pela forma como foi conduzido.


O Sargento da Marinha Nicholas Brody é (na verdade ERA) o melhor personagem de Homeland, Carrie e Saul são extraordinários, mas existem outros Sauls e outras Carries em séries e filmes do gênero de espionagem por aí. Brody, era único, em partes por tudo que ele passou em seu cativeiro e por tudo que ele foi forçado a passar por Abu Nazir e depois por tudo que ele foi forçado a passar pela CIA, eu jamais vi um personagem tão destruído e que ainda assim continuava a existir como Brody. E colocar esse cara tão cinza e tão quebrado para correr perigo e para possivelmente ter a chance de te trair de novo, depois de que teoricamente tudo estava seguro, foi uma baita jogada dos produtores.


Crítica | Homeland - 3° TemporadaO Season Finale dessa terceira temporada é muito mais semelhante a um Series Finale do que qualquer Season Finale pode esperar ser, sinceramente, Homeland atualmente tem a pretensão de durar pelo menos 7 temporadas, já que o contrato de todos atores preveem isso, eu já desisti de achar que os roteiristas da série vão prejudica-la prolongando-a tanto, mas nessa última temporada, eu prevejo infartos em massa por todo o mundo, pois já foi difícil segurar o coração e a angustia nesse último episódio, imagina o que nos espera para o fim da série.


Em um texto americano que eu li sobre The Star, último episódio da terceira temporada, tinha o seguinte termo “Homeland Goes for Broke”. E é verdade, imagine se Da Vinci pintou por três anos consecutivos a Monalisa e para terminar só falta o sorriso! Ok, imaginaram? Então, no lugar de terminar o sorriso, Da Vinci simplesmente destrói a tela e taca fogo nela para poder começar outro quadro com os mesmos pincéis e tintas. É por aí o que acontece com Alex Gansa e Howard Gordon todo ano, mas dessa vez eles foram realmente longe.


Como eu falei, Brody é um personagem único, mas ele era assim porque as situações pela qual ele estava passando o fizeram assim, seria impossível manter ele como fuzileiro na série, pior ainda como congressista, como a série tem sua dose de realismo, dificilmente ele poderia ser um super-espião junto com Carrie na CIA e será mesmo que queríamos ver ele virando a “Dona de Casa” cuidando da filha enquanto a mamãe Carrie protege o mundo na CIA? Eu certamente não queria, por isso é mais do que compreensível a morte dele na série, mas isso não a torna menos angustiante.


O episódio The Star, que marca a morte do melhor personagem da série é impecável em todos os sentidos, o ritmo é perfeito, a fotografia sensacional, ele é bem dirigido, emocionante, tem grandes atuações e uma virada completamente inesperada no final, ainda termina qualquer vestígio de história que tenha sobrado das primeiras temporadas para pavimentar o caminho para algo completamente novo. É difícil não se emocionar quando Carrie desenha a estrela na parede, ou quando Javadi faz Carrie cair na real e admitir que não há como salvar Brody, é mais ou menos na hora que tomamos o choque e percebemos também que não adianta torcer por ela, o destino de Brody foi definido quando Lockhart tomou o lugar de Saul na CIA.


A terceira temporada pode ter tido alguns poucos momentos em baixa, mas sua temporada foi tão forte quanto nunca e o seu Season Finale foi o episódio mais sensacional que a série já mostrou.


E se você está triste por Brody, não fique, veja pelo lado bom disso, ao menos a filha dela, Dana Brody, deve sair de vez da série agora, e por mais que o discurso dela para Jessica sobre a tentativa de suicídio tenha sido lindo e emocionante, qualquer série que não tenha Dana Brody e Morgan Saylor é uma série melhor.


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