Alien 4 – A Ressurreição | Crítica

Reassistir a quadrilogia Alien é uma tarefa interessante, onde percebemos algumas coisas curiosas, que na época era impossível de perceber, a primeira delas é que David Fincher fez um filme ruim, na verdade um filme terrível, dentre os quatro grandes diretores que comandaram os quatro filmes da saga, Fincher é o melhor e seu filme ironicamente é o pior dos quatro, miseravelmente pior.


O filme de Jeunet, Alien 4 – A Ressurreição nem de longe é o melhor da série, se considerarmos parte de uma série o filme de Jeunet é terrível, pois o diretor traz muito de si para a história, e nada característico do diretor combina com o que foi apresentado até então nos outros 3 Aliens.


No primeiro filme de Ridley Scott, o clima de terror é maior que nos demais, provavelmente era muito assustador na época do que hoje, e o clima dele deveria funcionar perfeitamente bem, contudo agora o ritmo dado ao Alien – O Oitavo Passageiro parece inteiramente maçante.


No segundo filme, o melhor dos quatro, James Cameron consegue fazer um belo misto de ação, aflição e terror, Sigourney Weaver faz sua melhor interpretação e alguns dos personagens são interessantíssimos.


Na terceira tentativa, com o grande Fincher na direção, tudo sai errado, o filme é uma droga, o roteiro é uma droga, e não vou gastar mais letras para escrever sobre esse filme.


No filme de Jeunet, o quarto e final (sem contar Prometheus) da saga, o diretor faz um bom filme, mas que parece não se encaixar com os outros três. O filme tem dois tipos de personagens, os do diretor francês e os de Joss Whedon o roteirista, sim Whedon (diretor de Os Vingadores) é o roteirista desse filme.


Alguns personagens, especialmente alguns dos vilões parecem ter saído direto de Delicatessen para uma nave espacial, e alguns dos tripulantes da Betty são predecessores da Firefly e Serenity. Vilões excessivamente expressivos e anti-heróis completamente estilizados dominam o filme e se sobressaem a heroína Ellen Ripley (Ripley?), vivida por uma Sigourney Weaver completamente equivocada no papel.


A direção de arte do filme é característica do diretor, o verde e o vermelho ainda estão lá, embora muito mais sutilmente, e alguns movimentos de câmeras vão muito além do que a franquia já tinha feito, demonstrando talento e inovação, embora de pra sentir falta das coreografias que Jeunet aplica aos seus filmes, enquanto os “seus” personagens ficaram mal encaixados, uma coreografia da natureza dos Aliens, ou de seu comportamento seria muito interessante de se ver, alias essa aplicação ao terror de certa forma seria algo incrível, um dia ainda espero ver um terror vindo de Jeunet, um que seja completamente seu e não parte de uma série.


Das atuações não posso dizer que ninguém se destaca, Ron Perlman e Dominique Pinon estão bem em seus papeis, como eu já falei Weaver está completamente histérica na sua atuação, e Winona Ryder (que era absurdamente linda nessa época) também se mantém na media.


Na parte da ação Jeunet ao menos se saiu melhor do que Fincher, entregando algumas cenas mais coesas do que no filme anterior e ainda deu um novo estilo a série, ação, afinal o filme de Cameron embora caprichasse na ação, ainda era um terror, aqui Jeunet não esconde as criaturas (também, nem há necessidade) e não se segura em mostrar seus monstros que deveriam ser temidos como vitimas de experiências, submissos e cativos dos humanos. E a propósito, Aliens nadando é muito cool.


O roteiro de Joss Whedon finalmente acerta em uma das coisas que todos os outros 3 falharam, tornar os Aliens uma grande ameaça, pois no primeiro filme, um Alien em uma nave com 7 passageiros não faria mais do que matar 7 pessoas, e o maximo de aflição que poderíamos sofrer ali era se nos identificarmos com um desses 7 personagens e ele corresse perigo, mas diria que muito mal conseguimos nos identificar com Ripley ali, no segundo filme, de Cameron os personagens ganharam muito em carisma, e o numero de vitimas e de Aliens foi elevado, mas ainda assim, era uma pequena e limitada colônia de Terraformadores em uma planeta vazio, no terceiro filme onde todos os personagens, incluindo Ripley são insuportáveis, vemos um Alien em um planeta onde só existe um presídio com 30 presos condenados por crimes hediondos, alguém se importa com eles? Já no quarto filme, 200 anos após o 3°, os Aliens são amplamente utilizados em pesquisas e a nave mãe, onde esta a nova Ripley, cheia desses está a caminho da Terra, o que novamente reitera a ideia de afastar a claustrofobia do terror e aumentar a escala da ameaça para transformar a série em ação.


Entre alguns erros e poucos acertos Alien, A Ressurreição consegue ser um filme razoável, ainda que completamente esquecível, mas por faltar coesão com os outros três filmes da franquia é um terrível final para uma série tão importante para a história do cinema.

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