Mass Effect 3 | Crítica

Nenhuma experiência nos games foi tão intensa e cinematográfica quanto jogar Mass Effect 3, a Bioware conseguiu conquistar algo impensável para mim até então, desenvolveu uma trama de dezenas de horas e conseguiu deixá-las tão coesas e emocionantes quanto um filme bem editado de apenas duas.


Por sorte os criadores a franquia Mass Effect foram espertos em deixar a curva dramática cada vez mais crescente, a habilidade para redigir esse roteiro é o que está faltando no mercado de Hollywood de filmes de ação. Apesar do cinema ser minha arte favorita poucos blockbusters superam esse game.


Seria complicado continuar esse texto sem antes dizer que apesar de Mass Effect 3 ser um dos 3 melhores jogos que eu já joguei, ele ainda assim tem defeitos, alguns deles são opiniões pessoais, como os “finais” do jogo, que discutiremos mais a frente e outros que não dependem tanto de opinião.


O primeiro grande defeito do jogo está nos controles, a inclusão de rolar para Shepard é uma ótima adição ao gameplay, facilita muito nos combates e no fim das contas parece quase indispensável quando batalhando contra inimigos como os Brutes, mas a Bioware usar o mesmo botão para Ação, Cobertura e Rolar não facilita em nada, não é difícil o personagem fazer uma coisa enquanto mandamos ele fazer outra e isso é exasperador especialmente quando estamos acompanhados de Banshees e Rachnis assassinos.


”gguutigui”Outro problema é a involução da comunicação entre os personagens, em Mass Effect 2 nós podíamos falar com inúmeros NPCs e as conversas tinham diversas ramificações, esse tipo de coisa não acontece muito aqui, além das pessoas terem pouca coisa a falar, mesmo a sua equipe, o numero de personagens “faláveis” é bem menor, muito menor mesmo.


Mais um problema é com a quantidade de inimigos, Rachnis, Banshees, Haversters e Brutes são difíceis, mas Marauders, Canibals, Husks e a maioria dos agentes da Cerberus são fáceis e repetitivos e na verdade esses são os únicos inimigos do game, para aumentar a dificuldade a Bioware aumenta a quantidade deles em tela (o que as vezes resulta em um pequeno Lag). Tudo bem que colocar mais de duas Banshees em tela já é aumentar a dificuldade demais, porém batalhar por mais de 30 horas com a mesma variedade limitada de inimigos é um pouco decepcionante, mas quando eu lembro que a Ubisoft conseguiu convencer a todos que a saga Assassin’s Creed é boa mesmo com apenas 3 variações de inimigos e um sistema de batalha raso por mais de quatro jogos eu penso que Mass Effect 3 não está tão mal assim.


”melaunch5re”


O sistema do esconde, atira, esconde continua funcionando perfeitamente no game, mas o sistema de profissão realmente da um novo jeito para você batalhar, cada profissão é única, e quando você aprende tudo o que deve usar e como deve usar, você vai se ver congelando inimigos e depois os despedaçando, usando drones para atrair a atenção, golpes físicos, que é outra bela adição ao game e tira ele do nicho de jogo de tiro padrão.


Fora das batalhas o jogo melhorou também de forma sensível, agora podemos fazer as compras dentro da Normandy das lojas que já visitamos antes. Não precisamos mais fazer aqueles jogos idiotas de Bypass para pegarmos créditos e invadirmos portas, como tinha no Mass Effect 2. E o melhor de tudo, não é mais necessário scanear planeta por recursos, o scan continua, mas você usa apenas para encontrar o equivalente a Anomalies nesse.


Algumas coisas da narrativa também são um pouco duvidosas, ao menos de inicio quando ainda não estão bem explicadas, porém para falar mais abertamente delas, e não apenas delas precisamos entrar em uma área perigosa para quem é fã da série e ainda não jogou o último jogo, portanto a partir daqui leia por sua conta e risco, pois teremos Spoilers:


SPOILERS A PARTIR DAQUI


[heading size="10" align="left"]Cerberus[/heading]


É muito estranho ver Shepard batalhar contra a Cerberus logo no inicio do jogo, quando em minha experiência em Mass Effect 2 me fez razoavelmente simpático a causa deles, isso me incomodou muito no inicio e cheguei a duvidar do compromisso da Bioware em me dar a experiência prometida em fazer minhas opiniões valerem, se minhas opiniões valessem algo realmente, eu estaria lutando ao lado da Cerberus e não da Aliança que nada fez para parar os Collectors, seria o braço direito do Illusive Man e Kai Leng estaria em minha equipe da Normandy.


Superei o fato e joguei até me tornar indulgente com esse caminho forçado da Bioware, eles precisavam de mais inimigos para o jogo andar afinal de contas, porém com quase 25 horas de jogo, um vídeo de segurança em uma base da Cerberus me dá a resposta que eu precisava para acreditar que se a Bioware me forçou a uma decisão que eu não tinha tomado em Mass Effect 2, mas ao menos ela foi sabia ao justificá-la para mim.


A Cerberus nunca foi o que pareceu, eles não se tornaram demônios de uma hora para a outra graças a vontade da criadora do game, mas sim a trama foi competente o suficiente para mostrar todo o teatro planejado pelo Illusive Man antes de o projeto Lazarus ser executado, o líder da Cerberus forjou sabiamente um tom de cinza ideal para não confiarmos nele o suficiente a ponto de ignorar toda a má fama da organização, mas o cinza foi suficientemente claro para acreditarmos que eles são apenas mal compreendidos, uma organização que quer o bem maior, mas que toma caminhos obscuros para isso.


A Cerberus sempre foi o problema que eles pareceram se tornar repentinamente desde o segundo jogo, nós é que não víamos isso. Bem, o que nos leva a outro ponto, se o Illusive Man é tão inteligente e pensa tão à frente como foi mostrado diversas vezes durante o game, porque diabos ele caiu tão facilmente na Indocrinação dos Reapers? Não faz sentido, mas vou deixar mais essa na conta Bioware


”IllusiveMan1?


[heading size="10" align="left"]Normandy e a Equipe[/heading]


Se ainda sobrou alguma reclamação a fazer é sobre a equipe da Normandy, não que seja uma reclamação valida, não é e eu sei disso. O que eu tenho a reclamar na verdade é meu gosto pessoal, Tali e Garrus são indispensáveis no game é claro, mas Ashley/Kaidan e James Vega são personagens terríveis e ate mesmo a EDI, cujo o fato de ganhar um corpo sintético ajuda muito nas discussões filosóficas do game, mas em batalha ela não é tão interessante quanto diversos membros antigos que poderiam ter retornado. Thane, Jack (em especial Jack), Grunt, Wrex, Mordin, Legion… todos muito melhores que os mencionados acima.


Ainda assim com o inicio e o ground-zero da guerra contra os Reapers sendo a Terra eu posso entender o porquê de trazer dois humanos para a equipe, mas a Ashley/Kaidan são incrivelmente sem graças, e poderiam facilmente serem substituídos por Miranda, já não vou dizer que James Vega poderia ser substituído por Jacob, porque Jacob é igualmente chato, mas um novo personagem humano mais interessante seria ótimo, ou quem sabe Zaeed Massani.


Outra coisa que de inicio me incomodou muito foi a nova Normandy, que parece escura (poupando energia, quem sabe a conta de luz tava vindo cara de mais para a Aliança pagar.) e cheia de painéis e cabos soltos, enquanto a Normandy da Cerberus em Mass Effect 2 era a perfeição elevada ao extremo.


A única vantagem inicial que eu vejo nessa Normandy é a nova “secretaria” do Shepard, Samantha Traynor é ainda melhor do que Yeoman Kelly Chambers, uma pena que não pode ser um caso do Shepard masculino, já que é aparentemente lésbica. E não apenas de uma adição lésbica vive o novo elenco do jogo, mas também temos um gay, Cortez, o piloto do tão usado Shuttle, além deles ainda há um novo personagem para conseguirmos um romance, Diana Allers, inspirada visualmente e dublada pela jornalista do IGN Jessica Chobot.


”Mass-Effect-3-Team”


[heading size="10" align="left"]A Missão[/heading]


Quando os Reapers invadem a Terra e Shepard é obrigado a partir para achar uma solução não havia o que fazer, em teoria os Reapers eram quase indestrutíveis, apenas Sovereign no primeiro precisou de uma frota inteira para ser destruído, portanto uma tropa quase infinita deles não seria uma missão fácil (ou possível) mesmo para toda tropa galáctica. Porém nossa querida (e amada) Liara T’soni, a nova ShadowBroker, descobre uma arma dos Protheans chamada Crucible, que pode derrotar os Reapers se for eficientemente montada.


A partir de então a missão de Shepard é reunir a galáxia para ajudar a montar o Crucible e para batalhar contra os reapers. Uma missão bem mais interessante e mais coesa do que as tramas e missões dos dois primeiros games. E ainda com o bônus de finalizar todas as pontas soltas dos jogos anteriores, mesmo que o final abra novas pontas soltas…


[heading size="10" align="left"]Thane e Kai Leng[/heading]


Dos muitos eventos épicos que merecem ser lembrados aqui um deles com certeza é a batalha entre os dois assassinos, Thane contra Kai Leng na Citadel, uma batalha linda de espadas e armas, quase dançada e coreografada que por um descuido termina com a espada de Leng cravada em Thane, não é a primeira baixa de nossa antiga equipe, mas é uma importante.


Apesar de não ter sido muito útil para mim em campo de batalha no último jogo e de estar inutilizado por sua doença nesse, Thane sempre foi um dos meus personagens favoritos a série, um dos poucos que tem uma religião o que torna ele único e interessante.


A qualidade da Bioware em entregar bem uma história está nesses pequenos momentos em que percebemos como podemos amar e odiar certos personagens.


Se Kai Leng parecia o tipo de cara cool que me fez simpatizar com a Cerberus no segundo jogo, bastou ele começar a lutar com o Thane para a minha tensão ir ao extremo. E com a morte do nosso querido assassino Drell, que leva a uma cena onde nós rezamos para ele ao lado de seu filho, só temos uma coisa em mente… matar Kai Leng, o que traz duas coisas importante para o final da saga. Ter um rival a altura e ter uma emoção forte em um momento menos épico e mais intimista e esses momentos, intimistas, são poucos no jogo.


Além do que a morte de Thane gera uma das cenas mais espetaculares do game, onde Shepard quebra a espada de Kai Leng, liga sua Omniblade e grita que aquilo é por Thane, então crava no corpo do assassino. Uma cena de fazer qualquer um levantar da cadeira e pronunciar um palavrão de alivio.


”kai-leng”


[heading size="10" align="left"]A Cura da Genophage[/heading]


Fora o final do jogo, temos 3 missões extremamente épicas ao decorrer de Mass Effect 3, e embora todas sejam emocionantes eu acredito que A Cura da Genophage é onde acontecem as coisas mais preocupantes e alarmantes acontecem, e é também a primeira dessas missões.


Se tem uma coisa que Mass Effect 2 fez bem foi apresentar personagens carismáticos ao publico e nos fazer se importar com eles, e um desses era Mordin Solus, o cientista Salariano que fez parte da equipe que melhorou a Genophage, uma doença genética que deixou os Krogans estéreis.


Como eu já falei é interessante ver que Mass Effect não deixou para trás nada dos seus games antigos, resolver a Genophage não era esperado por mim, mas cada minuto da missão foi uma experiência linda e épica, a apresentação de Eve, a última Krogan fêmea que era imune a doença e que morreu por uma escolha minha no segundo game é um dos pontos altos. A batalha de um Tresher Maw invocado por mim contra um Reaper que termina com a derrota desse, o que prova que assim como toda grande vilão clássico os Reapers tem muito mais bravata do que invencibilidade.


E no fim da missão o momento mais triste do game, a morte de Solus que se sacrifica para curar a doença que ele mesmo criou. E para atingir o ápice da emoção que só um grande diretor de cinema conseguiria, Mordin em contraste está cantando desastradamente uma canção que vêem do segundo game, que antes havia gerado um momento extremamente engraçado e agora gera melancolia.


Além de tudo isso a Bioware nos dá a primeira grande decisão moral a ser feita, os Salarians que junto com os Turians ordenaram a criação da Genophage, pedem em segredo para Shepard sabotar a missão de curar a doença e apenas fazer os Krogans acreditar que foram curados, assim os Salarians entrariam completamente na Guerra contra os Reapers e ajudariam com seus cientistas a construir o Crucible, o que você escolheu? Ou melhor, se essa decisão fosse real, o que você escolheria?


Nesse momento vemos a que veio Mass Effect 3, e a partir daí é difícil imaginar a curva dramática aumentando, mas acredite… ela aumenta ainda mais quando nos vemos obrigado a resolver os acontecimentos da Guerra da Manhã com os Quarians e os Geth.


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[heading size="10" align="left"]A Resolução da Guerra da Manhã[/heading]


Quarians e Geths sempre foram os aliados mais improváveis de todos os tempos, assim como eu jamais imaginei a cura para a Genophage eu jamais imaginei que as duas raças poderiam ser reunidas a lutar sob uma mesma causa.


Embora a resolução dessa antiga guerra tenha um dos momentos mais insuportavelmente chatos do game, quando Shepard entra no “consenso Geth” e tem que ficar atirando em quadradinhos, todo o resto consegue elevar ainda mais a emoção e o heroísmo que ocorreu na Cura para Genophage, na verdade ver Tali em seu planeta natal, tirando sua mascara (mas sem nos deixar ver o rosto dela) e sendo ajudada pelos Geth é algo ainda mais emocionante do que tudo o que acontece antes no game.


A morte de Legion na verdade é menos impactante que a de Mordin, mas ela vem de outra grande decisão moral que o game te impõe.


Os Geth estão desligados no espaço, e os Quarians estão prestes a atacar. Legion está em Rannoch com um upgrade que os impossibilitariam de ser Hackeados novamente pelos Reapers, mas os fortaleceriam o suficiente para dizimar a tropa Quariana que está prestes a ataca-los. Deixar Legion upar o código mesmo contra os protestos de Tali e assim deixar os Quarians morrer, ou impedir Legion e assim deixar os Geth morrerem no ataque dos Quarians? Uma escolha que eu não conseguiria fazer, por sorte se você estiver com um Paragon ou Renegade cheios você tem uma opção que poupa as duas raças e ainda as torna aliadas.


Por falar em Tali, posso aproveitar aqui e falar sobre a “polemica” relacionada ao seu rosto. A Bioware não mostra seu rosto ingame, apenas em uma foto na mesa de Shepard caso você tenha reatado um possível romance com ela surgido em Mass Effect 2. A foto dela é uma foto comprada de banco de imagens modificada no Photoshop para parecer uma Alien, reclamações contra o trabalho rápido e “porco” da Bioware no assunto eu deixo a parte aqui, o visual de Tali ficou ótimo, ela parece quase uma especie de fada sem asas, o que me faz pensar sobre quando em Mass Effect poderemos ver os Quarians sem seus capacetes em Rannoch, será uma raça linda.


”taliface86zis”


[heading size="10" align="left"]A Queda de Thessia[/heading]


Depois da Cura para a Genophage envolvendo Krogans e Salarians, depois de ajudar o planeta natal dos Turians, Palaven, e depois da emocionante resolução da Guerra da Manhã com os Quarians e os Geth em Rannoch, ficaria muito difícil a curva dramática aumentar o suficiente para deixar a batalha em Thessia, planeta natal das Asari, tão épica quanto tudo demonstrado antes e é então que a pancada vem com força da Bioware.


Em Thessia nós falhamos…


Uma coisa muito interessante em Mass Effect é que nós conseguimos nos sentir o Shepard, afinal o Shepard nada mais é do que a extensão de nossas escolhas em um mundo imaginário, o que é uma grande vantagem contra filmes e livros que por melhores que sejam, nós não interagimos diretamente com eles. Portanto ser Shepard é ser admirado, é ser lendário, é ser incrível, é ser “inderrotavel”… até então ser finalmente derrotado… por Kai Leng.


Thessia, o mundo natal das Asari é lindo e assim como todos os outros planetas importantes, exceto Rannoch talvez, está sendo invadido por Reapers, nossa missão lá não é exatamente ajudar as Asari e sim recuperar o que pode ser o Catalisador para o funcionamento do Crucible, contudo a aparição da Cerberus e de Kai Leng no inferno da guerra Reaper faz com que Shepard e sua equipe sejam derrotados, e o Catalisador levado para o Illusive Man.


Após perder o Catalisador e as esperanças, Shepard ainda vê que Thessia sucumbiu aos Reapers e é emocionante ver Liara T’Soni, a personagem feminina mais carismática de Mass Effect 1 (e meu “Paramour”) chorando e lamentando a destruição de sua milenar civilização.


O sentimento de derrota nunca foi tão grande em um game quanto foi depois de retornar a Normandy sabendo que a missão falhou, ter que admitir a derrota a Anderson e Hackett não deixou as coisas mais fáceis, a idéia da derrota em Thessia foi similar a morte de Shepard no inicio do segundo game… até mesmo o comandante Shepard pode falhar…


”banshee”


[heading size="10" align="left"]Paramour[/heading]


Aproveitando que eu mencionei Liara T’Soni no capitulo acima, minha grande amada no jogo, tenho que dizer que uma das promessas da Bioware durante a produção não foi mantida, não da para você manter um triangulo amoroso, Liara e Jack jamais se cruzaram e apesar de Jack beijar Shepard quando se encontram pela primeira vez, isso não tem nenhuma consequência, em partes, provavelmente, por que por mais exasperante que isso seja, Jack não está na Normandy.


Já reclamei da equipe ruim desse terceiro jogo, então não vou reclamar novamente, mas Jack não estar na Normandy é um pecado comedito com o segundo jogo…


Obviamente o Paramour não é o foco do jogo, mas é um aspecto importante e divertido que poderia ter sido melhor detalhado, como eu joguei importando meus saves de Mass Effect 1 e 2 foi muito legal ver Liara e Shepard se relacionando novamente e foi de partir o coração ter que descartar Jack. Novamente o lado emocional foi bem trabalhado, mas foi mal desenvolvido em varias maneiras.


”JoQ7J”


[heading size="10" align="left"]Crucible e o fim de todas as coisas[/heading]


Tudo o que fizemos no jogo teve um fim, apesar de os meios terem sido mais épicos do que ele, construir a arma Crucible, uma arma colossal cujo o catalisador necessário para ela funcionar é a própria Citadel.


E é aí que os problemas começam.


Muitos fãs cheios de ódio atacaram verbalmente a Bioware de todas as formas por ter estragado o final. O final não é nem de perto tão terrível quanto estão pintando, mas vamos discuti-lo agora. No fim do jogo temos 3 opções “apenas”, qualquer opção vai mostrar o mesmo final, entretanto com uma cor diferente na explosão.


Ou destruímos os Reapers e todas as formas de vida sintéticas, como os Geth e a EDI e nós mesmo, que somos parte sintéticos após o Projeto Lazarus. Ou nos juntamos a “Matrix” e passamos a controlar os Reapers, embora nosso corpo deixe de existir, ou por último podemos mesclar a vida sintética com a orgânica, ou qualquer outra coisa desse tipo, qualquer escolha vai resultar em uma explosão azul, vermelha ou verde. Outra coisa que temos em comum é que nenhuma das opções explica como o universo ficou após essa decisão.


Quando essa escolha é feita todos os Mass Relays são destruídos, o que significa que todas as frotas importantes das galáxias estão na orbita da Terra, o ground-zero, e impossibilitadas de voltar aos seus planetas. Novamente as consequências disso não são explicadas.


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Não tenho nenhum problema com não ver as consequências imediatamente, afinal sabemos que teremos Mass Effect 4 em breve, embora sem o Shepard. No próximo game saberemos as consequências disso. Não vejo as reclamações em tal área como reclamações validas, gostei da inevitabilidade da morte de Shepard, gostei das três opções e não liguei para algumas lacunas.


Porém…


Shepard antes tem um encontro com um VI, ou com uma entidade não fica bem claro e é dado essas três opções a ele, isso já não é tão legal assim. Eu mencionei Matrix acima, pois esse encontro lembra o final de Matrix Reloaded, quando Neo encontra com o arquiteto.


Essa Entidade/VI só é apresentada nos últimos minutos, nunca houve sequer uma menção ou uma insinuação de que ela existisse nos games anteriores. Isso não é algo legal, especialmente quando é explicado os motivos porque os Reapers atacam e esse motivo é uma baboseira sem sentido algum, uma contradição tola que uma criança de cinco anos consegue pegar, diferente de Matrix Realoaded onde apenas um advogado ou alguém formado em línguas conseguiria pegar a baboseira na idéia, já que o Arquiteto deveria se chamar O Dicionário.


Ainda assim é um erro grande, mas que não põe tudo a perder no jogo, entretanto o destino da Normandy é um erro imperdoável. Antes de tudo, o destino da Normandy é algo dúbio, mas eu prefiro a opção onde eu acho que é um furo de roteiro, já que a outra opção é ainda pior.


Na nossa corrida contra Harbinger fica implícito que atrás de Shepard vêm os dois membros do meu time, no caso Garrus e Liara, Harbinger destrói tudo e mata todos, exceto Shepard, apesar de derreter nossa bonita armadura. Harbinger vai embora quando analisa que todos estão mortos, mas Shepard levanta, quase sem poder andar e apenas com uma pistola, com a Health baixa e sem escudo para lutar contra Husks e Marauders em um terreno plano. Uma cena fantástica devo acrescentar. Depois disso entramos na Citadel/Crucible e começa a cena com o Illusive Man, Anderson (que em teoria deveria estar morto, mas não está) e depois com a Entidade/VI.


Após o fim de tudo e quando os Mass Relays são se destruindo, uma onda de energia se aproxima da Normandy, e o Joker tenta desesperadamente salvar a nave, que gera outra cena perfeita que é ver a face do desespero no Joker, até que ele desiste e a Normandy é acertada pela explosão e é (teoricamente) destruída. Seria outro final muito bom, porém… cenas depois a Normandy aparece caída em um planeta jardim, apenas parcialmente destruída e dela saem os membros da minha equipe, vivos e sorrindo para o sol.


Espere aí… Liara estava comigo e Garrus também, como eles estão na Normandy que estava lutando com o batalhão Hammer na orbita da Terra? Eles na verdade estão mortos, o Harbinger os matou. Mas não é só isso, se eu escolher destruir toda a vida sintética do universo a EDI não deveria sair da Normandy, ela deveria estar morta, mas ela ainda assim sai da nave.


Um erro grotesco de roteiro, ou pior? Aquele lugar é o céu?


O céu em Mass Effect?! Um universo declaradamente atéu?! Com certeza não, foi só um roteirista que não sabia o que estava escrevendo eu espero…


O final tem ótimas partes e péssimas partes, especialmente essa da Normandy a única que eu não consigo ignorar, mas de qualquer forma a Bioware escutou os fãs e vão abrir um precedente (perigoso) de voltar atrás, e fazer um novo final distribuído por DLC gratuito.


Espero apenas que a Normandy seja realmente destruída e que a Entidade/VI faça mais sentido no que disse. Um final estendido sobre as consequências dos eventos não seria ruim também, mas não julgo necessário.


”sdfsdfsdfsdf”


[heading size="10" align="left"]Considerações Finais[/heading]


A “sensação Shepard” é a maior conquista da Bioware no jogo e embora as promessas feitas não tenham sido completamente cumpridas, Mass Effect 3 é um game extremamente complexo e é possível que se fosse mais complexo do que foi, a tentativa quebrasse o game tal como Skyrim é quebrado (apesar de incrível, a propósito, escute nosso cast sobre ele AQUI!).


Em meio a alguns erros feios e muitos acertos grandiosos a jornada de Shepard é épica e emocionante demais para ser considerada falha, e é bom saber que tivemos um final pontuando o caminho e a vida de um personagem tão marcante, apesar de tudo. Nesse caso uns poucos problemas técnicos e racionais não superaram a emoção que foi curar uma raça, unir dois povos em guerra, assistir a queda de um planeta, ficar com a mais incrível Asari da galáxia, construir uma arma mais antiga que o tempo, destruir os Reapers e morrer, foi uma jornada e tanto!


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