Crítica Literária: Sarlack, O Grande Dragão Verde de Tiago Cabral

A aventura no livro começa como toda boa aventura de RPG, em uma taverna, e não por acaso essa aventura realmente aconteceu em uma partida de RPG, em Sarlack, Tiago Cabral narra os acontecimentos que se deram em varias partidas de RPG onde ele e seus amigos participaram.


O fato de a história estar sempre agregando personagens novos a trama consequentemente transforma Onerix, o gnomo, no personagem principal do livro. O gnomo, extremamente divertido, e o único personagem que está em todas as aventuras narradas, o que nesse caso é ótimo, pois com o tempo ele acaba se tornando mesmo o personagem mais interessante.


Diferente do que o mercado de fantasia atual vem nos oferecendo, Sarlack não é um livro enorme, denso e cheio de politicagens, e eu como um grande fã de fantasia (e aspirante a escritor do gênero) me senti bem ao ler algo que foge um pouco da “opção” narrativa atual e que mostrou ou algo mais inocente, leve e até cômico vez ou outra.


Na trama Sarlack é um dragão ancestral que viu o mundo quando ele era diferente do que é hoje, ele tem a capacidade de se transformar em um elfo, para assim conviver com outras raças mais “naturalmente”, e é considerado o senhor da floresta de Ihilá. E nessa floresta vivem a elfa Serimat e depois Onerix, dois dos guardiões do local, que mais tarde se unem a Pan, Beerooleith e Ice Wind para na maioria das vezes consertar problemas que eles mesmo criaram.


Sarlack, O Grande Dragão Verde traz passagens extremamente inventivas, e cenários lindos, o reino vertical de Sakrän em especial é uma idéia interessantíssima, nos últimos capítulos também temos cenas maravilhosas, como a tormenta e o colosso, idéias cheias de imaginação que seriam melhores aproveitadas se tivessem mais tempo, que tal uma sequencia hein Tiago?


A escrita de Cabral entretanto é inconstante, não é necessariamente um defeito, mas não é uniforme, por vezes muito descritiva, tal qual um Tolkien brasileiro, e horas é muito rápida, nessas vezes Frodo seria capaz de sair do condado e jogar o anel na Montanha da Perdição em 20 paginas.


E falando em Tolkien, há diversas homenagens ao escritor em Sarlack, algumas mais obvias outras nem tão claras assim, e não apenas a Tolkien se limitam as homenagens, mas a diversos outros clássicos da literatura e da cultura pop em geral.


Os personagens não recebem um tratamento mais aprofundado da narrativa, mas talvez por serem, de fato, reais (lembrando que são vividos por pessoas de verdade em uma partida de RPG) são extremamente fáceis de se identificar, e as personalidades deles são percebidas e aprendidas logo de cara, não é difícil imaginar uma tirada sarcástica de Onerix vindo a distancia quando esse tem uma oportunidade, ou adivinhar uma trapalhada de Beerooleith em determinada situação.


Sarlack é um terreno fértil de personagens, raças e personalidades, entre todas as criaturas do livro temos um especial que chama mais atenção e é extremamente carismático, Cretus, (“Cretus queima”) um Elemental do fogo que não é conhecido por ser muito articulado, embora diferente da maioria dos elementais, ele fale. Uma criatura que serve ao mago gnomo Onerix e que protagoniza algumas das melhores cenas do livro.


A trama em si chama menos atenção do que seus personagens que são bem divertidos, de fato as aventuras que os personagens enfrentam são apresentadas uma após a outra sem quase ligação nenhuma, algumas vezes, com as outras que não a imediatamente anterior, e como eu disse eles muitas vezes apenas tem que resolver os problemas que eles mesmos criam.


Por ser uma edição de autor, pois Sarlack ainda não foi descoberto por uma grande editora, o que é triste vendo tantas porcarias sendo publicadas hoje em dia, o livro peca em alguns quesitos editorias, mas pelo mesmo fato de ser uma edição de autor, ela está sendo constantemente atualizada, revisada e corrigida, o que é uma bela vantagem.


Para fãs ávidos de fantasia que desejam dar uma pausa no conteúdo mais denso de sagas como As Crônicas de Gelo e Fogo ou A Crônica do Matador do Rei, só para citar as duas que tomaram de assalto o mercado atual, adquirir Sarlack pode ser uma boa pedida de leitura mais leve, divertida e casual para você que quer variar um pouco sem sair do tema e do gênero.



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