Biblioteca do Eden - O Velho e o Mar

Aproveitando que estamos no verão, a adição de hoje é ideia para se ler na beira do mar, em um dia nublado, ou então em um dia chuvoso que ficamos presos na praia. O nosso mais novo exemplar é O Velho e o Mar, de Ernest Hemingway.


Hemingway é um  mestre da prosa, que incentivou vários escritores. Em particular, o estilo que se encontra na maioria das novelas policiais deriva da sua prosa. Hemingway chamava o seu próprio estilo de teoria do iceberg, onde os  fatos ficam a mostra e todo o suporte subjetivo fica oculto, a arte de dizer muito com pouco. Hemingway não precisa dizer o que o personagem pensa ou sente, mas de alguma forma isso fica claro. Outra coisa característica que me fascinou é a sua capacidade de criar atmosferas. O ambiente é palpável, Hemingway te agarra nos primeiros parágrafos e te coloca dentro da narrativa. Como em um filme, quando saímos do cinema e levamos alguns segundos para nos adaptarmos novamente a nossa realidade. E não poderia ser diferente com O Velho e o Mar, que lhe rendeu um prêmio Pulitzer, e foi especificamente citado quando lhe foi concedido o Nobel de Literatura.


O Velho e o Mar conta a história de Santiago, um espanhol que se mudou para Cuba e adotou os costumes locais e tornou-se pescador de uma pequena vila cubana. No momento em que se passa a narrativa Santiago está à vários dias sem pescar, tendo inclusive perdido o seu aprendiz, uma vez que o pai deste o fez trabalhar para pescadores mais talentosos. Entretanto a relação entre os dois continua, e, aparentemente é a única relação pessoal de Santiago. Determinado a acabar com a sua maré de azar, Santiago vai com o seu barco muito adentro no mar, e acaba por pescar um peixe de tamanho descomunal. A história continua então nos confrontos entre homem e peixe, homem e mar.


Pela característica de imersão de Hemingway que recomendei ler O Velho e o Mar na praia, quando terminei de ler o livro, senti falta de poder olhar e ouvir o mar. O Velho e o Mar é um livro que não se lê pela história que conta, mas pela forma como é contada, como um desses restaurantes franceses, onde não se come para satisfazer a fome, mas sim para apreciar as nuances de sabor. Pelo Pulitzer, pelo Nobel, por ser Hemingway, por te levar até o mar, o nosso livro de hoje é O Velho e o Mar.

Patreon de O Vértice